Como estou sentindo meus dedos?
Todas aquelas pequenas articulações?
Diga que não se importa comigo,
que não quer mais me ver,
que lamenta ter me conhecido,
que perdeu tempo demais com nada.
Sou a metade vazia que você temia,
aquele abismo de que falam as canções,
um verso perdido que não rima,
a mesma nota desafinada de antes.
Convença a si mesma que não presto,
sou abjeto e estrago o que toco,
um qualquer a quem você deu atenção,
um acidente que poderia ser evitado.
Foram minhas palavras aveludadas que enganaram,
meus olhos profundos e sem vida,
gestos falsos que imitavam amor,
promessas implícitas nunca ditas.
Porquê continua a achar que está enganada?
Como irá se guiar sem ter a quem odiar?
[24 de Abril de 2003]
RICARDO MALTA BARBEIRA - 6:23 PM
Não enche!
Terça-feira, Agosto 25, 2009
Ainda no escritório. Escutando um ao vivo do Muse enquanto espero para descer e começar uma noite de orgia alcoólica branda.
Faltam oito dias para o meu aniversário e como este ano o inferno astral ainda não deu as caras, irei aproveitar ao máximo.
Ano passado, quando ele chegou, me derrubou de uma tal maneira que só estou conseguindo me reerguer agora.
Muito disso porque me importo demais. Seja com o amor, seja com a dor.
Rumo ao bar!
RICARDO MALTA BARBEIRA - 6:44 PM
Não enche!
Quinta-feira, Agosto 20, 2009
"Nossas guitarras são mais substitutos de clitóris do que de falos - acariciamos elas de uma maneira mais gentil e suave", Greenwood disse uma vez; quando lembro disso, ele diz que roubou a frase do Slowdive, outro grupo da região do vale do Tâmisa. "Acho que guitarras são idolatradas demais como instrumentos. Todos os guitarristas de que gostei tinham a abordagem do Bernard Sumner. É a coisa do 'não-treinamento'. Gosto do que o Tom Waits disse sobre só pegar num instrumento se ele vai compor uma música."
Trecho do livro Beijar o Céu (Conrad Editora), em que o autor e jornalista Simon Reynolds conversa com Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 2:07 PM
Não enche!
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
Bourbon Street Fest 2009
Rolou no último sábado no Parque do Ibirapuera a abertura da 7ª edição do Bourbon Street Fest.
Uma tarde ensolarada e maravilhosa foi o complemento perfeito para ótimos shows. E isto também colaborou para eu tomar umas 10 cervejas em duas horas e acabar fazendo um papelão, xingando a datadíssima banda que fechou o evento.
Para abrir, a banda do caminhão-palco, Dixie Square Jazz Band, levando um jazz tradicional misturado com elementos desta Terra de Santa Cruz, fora um estourado bom-humor.
Na sequência o melhor do dia, Glen David Andrews e a sua banda. Munido de seu trombone Glen David andou em meio à platéia, foi carregado pela galera e enlouqueceu todo mundo que se encontrava nos arredores. Fora ser um dos melhores frontman que já vi ao vivo, ele e a banda ainda levaram músicas de Louis Armstrong, Michael Jackson, Jimi Hendrix e uma estupenda versão de Let's Stay Together de Al Green. Apresentação incendiária.
Marcia Ball veio a seguir e diminuiu um pouco o ritmo, enquanto a noite caía de maneira suave no parque. Mas sua voz e sua banda não deixaram a qualidade cair nem um pouco. Apesar disso eu fiquei mais perambulando do que propriamente concentado no show, mas a trilha-sonora foi excelente.
Para fechar Kurt Brunus Project e a chatice típica das bandas de rythym & blues da segunda metade da década de 1970. Chato chato chato! Uma leitura quase honesta de Mercy Mercy Me/What's Goin On' (Marvin Gaye), uma de Don't Stop Believin' (Journey) em que tiveram a ousadia/covardia de omitir o refrão que encerra a música e uma cover tenebrosa de Mas Que Nada (Jorge Ben) na versão antológica de Sergio Mendes e seu Brazil 66. Péssimo.
No final das contas um sábado espetacular para se encontrar com vários amigos queridos, se esbaldar em vícios e apreciar bons sons.