Videodrome

 
             

   
 
 

Sexta-feira, Maio 30, 2008

 
HQs de sexta-feira

O final dessa semana está sendo mais lesado do que a média. Parece que estou de ressaca desde os pênaltis de quarta-feira à noite. De qualquer modo o propósito do post é dar umas dicas quadrinhísticas, então vamos a elas.

Para os que curtem música e histórias em quadrinhos uma boa é conferir Bela Lugosi's Dead. A história de Raphael Salimena e Leo Martinelli é inspirada na música homônima do Bauhaus e inaugura a linha Comix da Mojo Books.

Também vale a pena baixar gratuitamente as HQs nacionais Contos Tristes e Um Dia Uma Morte.

Para terminar umas palavrinhas sobre minhas resenhas da semana para o Universo HQ:

Pixel Magazine # 14 - Mesmo com Promethea melhorando a cada número, o grande destaque é o último número publicado de Planetary. Horrorshow!

Preacher - Guerra ao Sol - Que venham os próximos encadernados da Pixel para que a série finalmente chegue ao final por aqui.

Marvel Max # 57 - O Justiceiro de Garth Ennis é absurdo de tão bom. O resto do mix não vale nada.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 4:12 PM

Não enche!

Terça-feira, Maio 27, 2008

 

Indicados ao HQ Mix 2008


Saiu na última sexta-feira a lista dos indicados ao trófeu HQ Mix, o mais importante prêmio dado aos profissionais que atuam com quadrinhos.

O Universo HQ está concorrendo uma vez mais como site sobre quadrinhos - no qual é heptacampeão -, na nova categoria blog sobre quadrinhos com o Blog do UHQ e em articulista de quadrinhos com os colaboradores Eduardo Nasi e Marcus Ramone.

A relação completa de todos os indicados nas 46 categorias (mais alguns anos e a premiação chega no patamar do Grammy) pode ser conferida no Universo HQ.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 4:13 PM

Não enche!

Terça-feira, Maio 20, 2008

 
Lançado em março de 1967, A 25ª Hora é um dos mais extraordinários filmes que já vi. Todos os motivos para achar isto estão logo abaixo.

Esta resenha foi feita logo após assisti-lo pela primeira vez e foi publicada originalmente no Mano News. Como nenhum arquivo está disponível online, resolvi postá-la novamente.

Uma outra razão pertinente para isto é o pedido do amigo Luwig em seu The Pulse para uma "corrente" que pede para alguns camaradas comentar sobre cinco filmes que julguemos terem sido subestimados por crítica ou público. Como o tempo anda muito rápido para quem é pangüa como eu, ainda não tive tempo de fazer a lista e deixo estas considerações como uma variação do tema proposto.

* * *


Já havia gravado este filme há algum tempo, quando passou na sessão Cine Conhecimento do canal a cabo Futura, mas no dia de Natal finalmente consegui assisti-lo.

A 25ª Hora


O filme é dirigido por Henri Verneuil, e tem como protagonistas Anthony Quinn no papel do romeno Johan Moritz e Virna Lisi como sua esposa.

A história começa em 1939, num humilde vilarejo no interior da Romênia e no exato dia do batizado do segundo filho de Moritz. A seqüência inicial tem uma cena em particular que chama a atenção pela simplicidade: o bebê recém-batizado, é colocado no berço e junto a ele é posto um rádio que está tocando música clássica, para que adormeça mais tranqüilamente. Quando os pais e convidados estão do lado de fora da casa o bebê começa a chorar, e assim que entram para ver o porquê dele ter acordado, percebem que o rádio não mais toca música clássica e sim um discurso em alemão de um certo Adolf Hitler. Um dos convidados traduz o que é dito, que nada mais é do que o aviso de que a Tchecoslováquia foi invadida pela Alemanha. Em certas ocasiões, uma cena despretensiosa pode dizer muito a respeito do que virá a seguir, e esta já me deixou feliz por não ter apagado a fita.

Pouco depois o governo romeno se alinha ao alemão, e começa a mandar judeus e "pessoas indesejáveis" a campos de trabalhos forçados. Na vila há somente um judeu a ser levado, Marco, enquanto Moritz é classificado no segundo grupo, o dos "indesejáveis", e ambos são encaminhados a um campo. Vale explicar que Moritz é classificado como tal devido a um magistrado local, que espera que com ele longe dali, possa ficar com a sua bela esposa.

Assim que chegam na cidade de onde partirão para os campos, há um interessante diálogo entre Moritz e Marco:

Moritz: Marco, Marco, o que eu estou fazendo aqui?
Marco: O que eu estou fazendo aqui?
Moritz: Veja, o seu caso é diferente.
Marco: E por quê? Porque sou judeu?
Moritz: Marco, no seu caso é injustiça, eu concordo, mas no meu é um
engano, é um grande engano.
Marco: Eu não vejo a diferença.
Moritz: Marco, por favor, por favor, diga a eles, eu não sou judeu!
Marco: Escute, Johan, estamos vivendo num mundo onde qualquer ser humano pode se tornar judeu a qualquer momento.

Acho que o diálogo fala por si só sem precisar de maiores explicações.

Para não destrinchar toda a trama do filme de maneira a estragá-lo para quem possa vê-lo no futuro, vou falando por cima.

Quando chega no campo, Johan começa uma verdadeira peregrinação pela Europa. Primeiro no campo ele nega ser judeu, mas acaba conseguindo a simpatia de alguns, e depois que descobre que sua esposa divorciou-se dele, foge junto com eles para a Hungria. Uma vez lá, é preso e acaba sendo tido como um agente russo infiltrado, e quando consegue provar que é romeno, é mandado como trabalhador voluntário para a Alemanha. Então começa a trabalhar em um campo de concentração aonde um coronel nazista chamado Rosenberg o vê, e por uma série de "bases altamente científicas" considera-o um dos poucos remanescentes de uma minoria quase extinta, que nada mais é do que os arianos legítimos.

Agora tido como símbolo do "ariano perfeito", Moritz é colocado na capa de inúmeras revistas científicas que detalham os estudos do próprio
Rosenberg. De trabalhador húngaro, torna-se soldado da SS, mas não por muito tempo, já que o exército americano começa um ataque maciço contra o campo de concentração aonde ele se encontrava. Um outro belo diálogo acontece quando Moritz e dois húngaros se protegem de bombas
lançadas pelos aliados:

Moritz: De quem são as bombas?
Húngaro 1: Dos americanos.
Húngaro 2: Não, são dos ingleses.
Húngaro 1: Pois eu digo que são americanos.
Húngaro 2: Ingleses!
Húngaro 1: O que é que você acha, Janus?
Moritz: Pra mim não faz diferença, quem está aqui embaixo sou eu.

Alguém notou que o húngaro chamou Johan de Janus? Pois é, outro lance interessante da história. Sempre que Moritz é "confundido", seu nome é
modificado. Tido como judeu, chamam-no de Yonathan, e quando alega não sê-lo, começam a chamá-lo de Yankel. Na Hungria alteram seu nome para Janus e quando descoberto como "ariano" é chamado de Johann.

Até aqui a história do romeno Johan Moritz está mais para as aventuras de um Forrest Gump da Segunda Guerra Mundial do que para qualquer outra coisa. E realmente, mesmo que com um tema que até hoje soa delicado, o filme é leve e por vezes engraçado, visto que Moritz é um grande otimista, e mesmo com tudo o que ocorre, parece que nada mais grave irá ocorrer a ele. É claro que todos estamos enganados.

Depois que os americanos derrotam a Alemanha, Moritz é julgado como criminoso de guerra em Nuremberg. Quando questionado por seu advogado sobre o que fizera nos últimos 8 anos, ele responde que não faz a mínima idéia de onde estivera ou do que fizera nos últimos anos. O que foi uma jornada um tanto inverossímel de Johan pela Europa em guerra, é tido pelo tribunal como uma espécie de Efeito Hitler, que acometera muitos durante a guerra. Pessoas que não sabiam o que faziam, mas que o faziam assim mesmo. Soa ridículo? Pois é mesmo.

Um aparte: não era a intenção mas acabei contando na prática o filme todo. Então para não estragar o pouco que sobrou, vai um aviso de que os próximos parágrafos contam literalmente o final, que transforma um bom filme numa pequena obra de arte sobre o que a guerra é.

Continuando no tribunal, o advogado lê uma carta da esposa de Moritz endereçada ao próprio, em que relata os últimos anos de sua vida. Ela conta que divorciou-se dele pois quando a Alemanha invadiu a Romênia, todas as propriedades de
judeus foram confiscadas, e ela foi obrigada a fazê-lo para não perder a casa. Mais tarde, quando os russos expulsaram os alemães da Romênia, foi obrigada a fugir com seus dois filhos para uma outra cidade, pois naquele momento Moritz era o "ariano perfeito". Uma vez nesta cidade, soldados russos chegaram e acabaram por estuprá-la. Ela diz ter pensado em suicídio, e somente não o fez por causa das crianças. Devido ao ocorrido teve mais um filho, agora já com dois anos. Termina dizendo estar envergonhada e entenderia caso ele não quisesse mais vê-la.

Moritz acaba absolvido, não por ser um joguete em tudo o que ocorreu, mas simplesmente com base no argumento simplório de seu advogado que nada mais é do que pedir por clemência a um pobre coitado. Ele pede ao júri que realize o sonho de uma pobre esposa.

Na última seqüência do filme, Moritz encontra sua família numa estação de trem, aparentemente em algum local da Alemanha. Troca breves palavras com sua esposa, visivelmente envelhecida não pelos anos que se passaram, e sim pelo que passou nestes anos. Cumprimenta seus filhos agora crescidos e depois dirige a palavra ao pequeno menino louro. Ele pergunta seu nome e o menino, acanhado, se agarra à saia da mãe. Ela então diz o nome dele: Marco. Moritz repete o nome, e faz uma expressão de surpresa e de constatação a seguir. Algo que não havia mencionado é que o Marco que chegara ao campo de trabalhos forçados junto com ele, está com os russos que chegam à vila de Moritz. Não há nenhuma menção explícita, mas a conclusão a que se chega é a de que Marco fora o estuprador da esposa de Moritz, afinal, haveria algum outro motivo para eles terem o mesmo nome?

Ainda há tempo para um fotógrafo que estivera no julgamento de Nuremberg e que perdera o trem, encontrar a família Moritz e pedir uma foto com todos reunidos. Ele primeiro pede que Moritz passe o braço ao redor de sua esposa e depois que comece a sorrir. O primeiro sorriso de Moritz chega a ser genuíno, mas o fotógrafo pede um sorriso ainda maior, e maior, e maior. Na cena final, que só pode ser classificada como perfeita, cada flash da máquina coincide com um sorriso ainda mais largo de Moritz, mas se o sorriso é maior, a visível angústia em seu rosto é incomensurável. As lágrimas começam a escorrer sutilmente e percebe-se que todo o otimismo do simples camponês do início da história tornou-se a constatação realista de um homem que perdera dentro de si próprio tudo aquilo que fazia dele o que era.

É maravilhoso quando algo, seja um filme, um livro, uma música, ou principalmente uma pessoa, o surpreende de um modo positivo, e é exatamente este o caso deste filme. O que era uma história otimista que parecia destinada a ter um final feliz, tornou-se um daqueles filmes tão sutis, mas tão sutis, que te fazem pensar por dias e dias a fio.

As conclusões dependem de quem as interpreta e as que tiro é de que tudo pode ser tão deprimente quando você olha de perto que só dá para pensar em três opções: morrer, enlouquecer ou tornar-se um cínico.

Várias histórias já foram filmadas sobre a Segunda Guerra Mundial narrando as glórias dos exércitos dos EUA, Grã-Bretanha e Rússia, a nobreza dos americanos, a inteligência de um Churchill, a tenacidade dos russos, a resistência inútil dos judeus e a maldade abissal dos alemães, mas jamais vi filme algum mostrar o homem comum tão magistralmente. Como diz um personagem no início, em resposta à sua mãe que diz para ele que o dia só tem vinte e quatro horas: "Nós já estamos na 25ª hora".

Hermético? Nem tanto. Bem, ao menos para os cínicos.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 5:01 PM

Não enche!

Segunda-feira, Maio 19, 2008

 
Mais um livro da Conrad grátis para download

A Loja Conrad disponibilizou outro livro grátis para download. Após Apocalipse Motorizado e A Bomba, agora é a vez de Máquina de Pinball, de Clarah Averbuck.

Uma vez na loja, também vale a pena dar uma conferida nas várias HQs em promoção num saldão que vai até o final deste mês.

Mesmo não precisando de mais coisa para ler (a prateleira de não-lidos está cada vez mais volumosa), não resisti e comprei um monte de álbuns de primeira, como os dois volumes de O Grito do Povo, as duas primeiras partes de Bórgia, Vida Louca, dois do Crumb e alguns outros. O problema agora - como sempre - vai ser arranjar tempo para ler tanto material bom.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 4:35 PM

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Quinta-feira, Maio 08, 2008

 


A Falha de Reznor

Agora é fato. Trent Reznor surtou de vez. Para sorte de quem gosta da sua música.

Ele acaba de disponibilizar em um hotsite o álbum The Slip para download gratuito.

Diferente de Ghosts, agora a pegada é a tradicional do Nine Inch Nails. Barulheira de qualidade indiscutível.

Só como informação adicional, o disco já conta com a participação do recém-regresso Robin Finck nas guitarras.

É o terceiro lançamento da banda em menos de um ano e o segundo em menos de três meses.

Para melhorar ainda mais, alguém resolveu fazer uma animação tosca sacaneando a música Discipline. O resultado é um clip sensacional, inclusive aprovado pelo senhor Reznor.



 

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