Continuando a retrospectiva da última semana, na quarta-feira passada assisti a Efeito Urtigão, do Mário Bortolotto.
Com elenco restrito a Paulo de Tharso e ao próprio Mário, a peça conta a história de um sujeito que cansado de tudo, se isola nos cafundós de algum interior utópico, e que repentinamente recebe a visita de um amigo dos tempos de civilização.
Ela não está mais em cartaz, mas ainda dá para conferir inúmeras outras dentro da IV Mostra Cemitério de Automóveis
Gastei um bom tempo nos últimos dias escutando o novo e fantástico disco do Black Rebel Motorcycle Club.
Clique aqui para baixar Baby 81.
Depois a gente conversa mais a respeito dele.
Também fiquei escutando bastante Underdogs, música do Send Away The Tigers, o novo do Manic Street Preachers.
Algumas faixas já estão disponíveis e podem ser baixadas no Mark's Site. Basta ter um cadastro no Multiply.
Acho que é isso.
Vou terminar logo esse post para poder sair e tomar todas as cervejas que eu conseguir aguentar.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 7:10 PM
Não enche!
Segunda-feira, Março 26, 2007
A semana passada foi razoavelmente agitada.
Na terça-feira meus pais receberam um trote telefônico em que eu fora sequestrado e pedia por ajuda.
Apesar de tê-los avisado há quase dois meses desse golpe, e de meu pai saber que a voz do outro lado da linha não era a minha, ele e minha mãe entraram num tal estado de agitação/desespero que só passou quando conseguiram falar comigo.
O problema foi que o telefonema ocorreu pouco antes de eu sair do escritório, e dei uma parada rápida para duas cervejas (literalmente) com dois amigos de trabalho. Como meu celular é uma tranqueira que mal serve como peso de papel, e tenho ojeriza só em pensar em trocá-lo, só foi possível o contato quando cheguei no apartamento, cerca de vinte minutos após meu horário padrão de chegada.
O final se resumiu a alguns afagos telefônicos a eles e à minha namorada, e a risadas amargas e solitárias de minha parte.
No dia seguinte os jornais relatam um caso semelhante na Argentina, em que pseudo-sequestradores exigem dinheiro de um pai. Ele tenta conseguir o dinheiro, mas é interpelado por um taxista das redondezas que diz que aquilo não passa de um golpe, e que ele deve voltar para casa e tentar entrar em contato com seu filho. Quando o "sequestrado" chega em casa, encontra o pai morto, vítima de uma ataque cardíaco.
Não creio que tenha havido risadas por parte dele, apenas amargura e solidão.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 4:41 PM
Não enche!
Sexta-feira, Março 16, 2007
my violent friday
Sabe... se eu tivesse um revólver, com certeza já teria matado um punhado de gente.
Se bem que se eu tivesse um revólver, provavelmente já teria tentado me matar um bom punhado de vezes.
Não quero dizer com isso que todas as pessoas - inclusive eu mesmo - me irritam. Mas às vezes quando saio de casa, dá uma baita vontade de espancar o primeiro desgraçado com cara de estúpido que vejo na rua.
Normalmente isso ocorre naqueles dias em que minha carne e minha alma adquirem um tom cinzento, quase como se começassem a apodrecer.
Nessas ocasiões, toda música parece trilha-sonora para a destruição do próximo. Todo pensamento é um jogo com regras claras, mas subjetivas, que tem eu de um lado e o demais bastardos do outro. São pequenos detalhes, letras miúdas, convenções falsas e mais um monte de alucinações ridículas.
O ciclo dura aproximadamente seis horas e até hoje sempre acabou bem.
Talvez um dia eu compre um revólver e comece a afastar as moscas.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 5:00 PM
Não enche!
Segunda-feira, Março 12, 2007
Cansei de Ser Álvaro
Semana passada falei rapidamente sobre a coluna Escuta Aqui, assinada por Álvaro Pereira Júnior no Folhateen.
Nela, ele criticava não propriamente a cobertura realizada pelos veículos de informação sobre o Cansei de Ser Sexy, mas sim a maneira pouco jornalística que tais veículos assumiam ao cobrir a trajetória da banda nos últimos meses.
Para exemplificar isso, é citado no texto referências a críticas negativas que a banda recebeu nos EUA, e também a maneira mais pé-no-chão com que a imprensa norte-americana os trata.
Não há um juízo de valor sobre a qualidade da música que o CSS faz, ou sequer se eles justificam tamanha celeuma. O que rola é um dedo apontado em riste para um certo exagero de alguns que tentam vender por aqui um frisson similar ao que a NME faz tão metodica e habilmente em terras inglesas.
Trocando em miúdos: não é porque o grupo alcançou um status x de notoriedade positiva no exterior, que somente esse aspecto deva ser abordado nas matérias tupiniquins. A pouca aceitação nos EUA - em relação a alcançada na Inglaterra -, entre outros fatos como qualidade e relevância, deve ser levantada quando o objetivo é uma crítica o mais completa e imparcial possível.
Ao menos foi desse modo que encarei as palavras do jornalista.
Por outro lado, Adriano Cintra, baterista do CSS e ex-integrante do já saudoso Thee Butcher's Orchestra, achou que o jornalista era mais um daqueles que desdenha o sucesso alheio, torcendo contra o trabalho da banda (fato a que o próprio Álvaro refere-se), e por isso assinou hoje no Folhateen uma réplica à coluna.
Sinceramente não sei o que é pior, a Folha abrir suas páginas à réplica de um músico que se sentiu ofendido pela opinião de um de seus colaboradores, ou a linha de pensamento torpe que ele segue em sua explanação.
Como os textos são auto-explicativos, vale a pena ler a tal réplica e a seguir a Escuta Aqui de hoje. Ambas estão disponíveis em Solobonite.
Cada um tem o direito de tirar suas próprias conclusões, mas o parágrafo final do músico merece um aparte:
Esse tipo de jornalismo egocêntrico e negativo combina muito mais com um blog do que com um jornal. Eu não entendi de onde veio essa bronca toda com a Folha por ela estar cobrindo nosso trabalho de forma tão profissional. São tantas bandas internacionais mencionadas sempre na Folha, algumas delas bem menores que o CSS...
A resposta do Álvaro Pereira Júnior é boa, mas justiça seja feita, esse quase "desabafo" merecia uma resposta muito mais apropriada, como só um Paulo Francis com ouvidos de Lester Bangs conseguiria.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 5:52 PM
Não enche!
Quinta-feira, Março 08, 2007
Por quase todas as tardes quentes,
sinto um mal-estar enorme
que vem e vai e de repente,
deixando-me zonzo e sem rumo.
Custo a lembrar de esquecer tudo que fiz,
e passo algum tempo somente existindo.
Aos poucos o esquecimento preenche tudo.
Acende cigarros, pede cervejas e pendura fichas.
São poucos minutos até a meia-noite.
Decisões que sequer valem suas oito letras.
Corpos permanecendo corpos.
Proletários olham o relógio em movimento.
Outros prolongam as despedidas.
Todos solitários não vazios por hora.
[07/03/07]
RICARDO MALTA BARBEIRA - 7:52 PM
Não enche!
Terça-feira, Março 06, 2007

Tem início hoje no Centro Cultural São Paulo, a IV Mostra Cemitério de Automóveis.
A peça de estréia é Efeito Urtigão, que será apresentada hoje e amanhã às 21 horas.
O valor integral do ingresso é 15 pilas, mas há uma promoção bem interessante. 20% da lotação - com apresentação da carteirinha de estudante - sai por R$ 1,75.
Clique aqui para conferir a programação completa.
Outras informações no blog do Mário Bortolotto, Atire no Dramaturgo.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 6:41 PM
Não enche!
Segunda-feira, Março 05, 2007
Depois de uma semana torpe, com consultas médicas, campanhas da Nike e pouquíssimo álcool, parece que... bem... parece que a má fase continua.
Então um pouco de banalidade se faz necessária...
leandro, álvaro & frank
Um camarada aqui do trabalho foi um dos ganhadores de uma promoção da cerveja Sol.
O objetivo era um convite vip para o show do Coldplay, enquanto que o método era realizar um vídeo que mostrasse o indivíduo cantando uma música da banda, e de preferência pagando um mico de proporções king konguianas.
O vídeo, uma das coisas mais bizarras que assisti nos últimos tempos, pode ser assistido no You Tube.
Também está disponível no site da Sol.
Apreciem com moderação.
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O Álvaro Pereira Júnior é um cara que já escreveu coisas de tal nível de ruindade, que poderiam ser usadas pelo Charlie Brown Jr. como letras de música.
Mesmo assim, vez ou outra ele manda muito bem, como foi o caso de hoje no caderno Folhateen da Folha de S. Paulo.
O texto versa sobre o Cansei de Ser Sexy e os exageros tupiniquins por parte de alguns - Lucio, cof, cof, Ribeiro - franqueados da NME.
A coluna pode ser conferida no Solobonite
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Acabou de ser publicado um livro do Reverendo (isso é muito biba) Fábio Massari sobre o sem-comentários Frank Zappa.
Detritos Cósmicos é um apanhado de entrevistas, depoimentos e artigos sobre o cara que está na letra da Smoke on the Water (péssima essa!).
Pode-se ler um trecho da obra na Loja Conrad.