Videodrome

 
             

   
 
 

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

 
O último final de semana começou na quarta-feira à noite, e prolongou-se em esbórnia até a manhã de domingo.

Aniversário, performances, festas, bebedeiras e música. E é claro que o grande evento foi a volta aos palcos paulistas de uma das maiores bandas de todos os tempos.

Mutantes somos nós!


Junto de minha namorada e uma boa dezena de amigos, pude presenciar um dos melhores shows dos últimos tempos.

Aqueles não são os Mutantes que gravaram três álbuns perfeitos no final dos anos 1960 e início dos 70. Não somente pela ausência de Rita Lee, mas principalmente pela enfraquecida luz da estrela absoluta daqueles distantes dias, o sem-comentários Arnaldo Baptista.


Arnaldo Baptista, o cara que não voltou pra Cantareira.

De qualquer modo, a batuta agora não cabe a Baptista ou Lee - sequer ao recentemente falecido Rogério Duprat -, mas sim a Sergio Dias.

É inegável o que ele faz durante a apresentação, transformando seu lesado irmão, o aposentado Dinho Leme, a "novata" Zélia Duncan e os ótimos músicos de apoio, em algo que não parece ter a pretensão de ser uma máquina do tempo, assemelhando-se mais a uma piscadela sacana ao passado.

As décadas não foram gentis com Arnaldo, e Sergio sabe muito bem disso. Não exige demais do irmão, mas também não o transforma num apoio vazio. É possível perceber o carinho entre ambos, e que talvez aquilo signifique muito mais para eles, do que para qualquer uma das quase 50 mil pessoas que lotavam o Parque da Independência.

A banda, capitaneada com maestria por Sergio, começa pelo às vezes não tão óbvio começo, e emenda canções como Dom Quixote, Caminhante Noturno, Cantor de Mambo e El Justiciero, coloca Fuga nº 2 e Dia 36 na roda - com direito à emocionante voz de Arnaldo nesta última -, trazem as coletâneas de nossas vidas à tona com Desculpe Babe, Le Premier Bonheur Du Jour, Top Top, Dois Mil e Um e Qualquer Bobagem. As duas últimas com um tal de Tom Zé.


Sergio Dias, El Capitán.


Então emocionam o velho e combalido coração deste escriba com Ave, Lúcifer!, a favorita dentre os círculos de sua Divina Comédia:

As maçãs envolvem os corpos nus
Nesse rio que corre
Em veias mansas dentro de mim
Anjos e Arcanjos repousam neste Édem infernal
E a flecha do selvagem
matou mil aves no ar


A celeuma continua com Balada do Louco, e a insistência de Dias em errar uma letra que uma multidão insiste em cantar em coro, acreditando de olhos abertos na veracidade em seus versos.

Zélia Duncan inicia Ando Meio Desligado em inglês, mas não importa, já que a voz do público faz com que ela pareça "little spaced out", enquanto as pessoas lúcidas do mundo cantam em português.


Museu do Ipiranga ao fundo, Muvuca Anônima à frente.


No meio da música, Sergio volta a ter vinte e poucos anos e com um solo de guitarra absurdo, provoca uma catarse às margens do Ipiranga.

A Minha Menina faz com que eu cante até ficar rouco, Bat Macumba quase arranca os ossos do meu corpo, enquanto que Panis Et Circenses cumpre o que o título sugere, e encerra as quase duas horas com essas pessoas da sala de jantar.

Depois de alguns minutos eles voltam, e Sergio uma vez mais teima em levar Balada do Louco. Ele lembra a parte da letra que esquecera da primeira vez - "se eles são bonitos, sou Alain Delon. Se eles são famosos, sou Napoleão" , mas esquece todas as demais estrofes. Nada mais apropriado.

Se assistir à volta de uma banda, mais de trinta anos após seu auge, é antropofagia, não sei dizer, mas que me deixou completamente arrepiado, isso é verdade.


Arnaldão, Zélia Duncan e Sergiones.


Mas tragam Lúcifer pra mim
Em uma bandeija pra mim...


RICARDO MALTA BARBEIRA - 6:00 PM


Não enche!

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

 
black sabbath

Nestas primeiras semanas do ano, são poucas as coisas que estou escutando. Entre estas destaco Audioslave, que só vim a dar alguma atenção de quinze dias pra cá, e que já se tornou uma das mais recorrentes no mp3 player ou em casa, lavando louça ou preparando algo junkie para comer.

Também não podem faltar os prediletos desde sempre como A Perfect Circle, Jesus & Mary Chain ou Queens of the Stone Age.

Mas entre os pouquíssimos discos que tenho escutado, o grande destaque é Past Lives, um bootleg duplo do Black Sabbath.

Lançado comercialmente em 2002, ele reúne músicas de 1973 a 1980, contando com o quatro bastardos originais: Butler, Iommi, Osbourne e Ward.

Apesar de não ter nenhuma música ruim, meus destaques são Children of the Grave, Symptom of the Universe e Megalomania, além de todas os sons do Volume 4.

Seguem os links do Rapidshare para cada um dos cd's, com as respectivas listas de faixas. Vale citar que a qualidade dos arquivos está ótima:

Past Lives - CD # 1

01. Tomorrow's Dream
02. Sweet Leaf
03. Killing Yourself to Live
04. Cornucopia
05. Snowblind
06. Children of the Grave
07. War Pigs
08. Wicked World
09. Paranoid

Past Lives - CD # 2

01. Hand of Doom
02. Hole in the Sky
03. Symptom of the Univers
04. Megalomania
05. Iron Man
06. Black Sabbath
07. N.I.B.
08. Behind the Wall of Sleep
09. Faries Wear Boots


Achei essa preciosidade na melhor comunidade de mp3's do Orkut, a Discografias.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 6:12 PM


Não enche!

Terça-feira, Janeiro 09, 2007

 
it's a man's man's man's world...


Na última quinta-feira rolou a primeira das Quintas Gumbo do mês de janeiro no JukeJoint.

Fora a apresentação da big band, também teve o Grupo Oba com o espetáculo Plastixidade.

Performances de pura transpiração, competência e muita energia, tanto na música quanto no teatro.

Entre uma e outra, e em alguns outros momentos, pude dar um quinhão da minha discotecagem.

Um pouco do que rolou foi isso aí:

These Boots Are Made For Walking - Nancy Sinatra
For Your Love - The Yardbirds
Heroes and Villains - The Beach Boys
Happiness is a Warm Gun - The Beatles

Um pouco de peso na moringa:

Supernaut - Black Sabbath
Born to Hula - Queens of the Stone Age
Janie Jones - The Clash
Supa Scoopa Mighty Scoop - Kyuss
Damaged Goods - Gang of Four

Back to basics:

You Really Got Me - The Kinks
Don't Let Me Be Misunderstood - The Animals
20th Century Boy - T. Rex
Dancing Days - Led Zeppelin

A hora do soul, do black e do groove:

I wanna Take You Higher - Sly & The Family Stone
Flashlight - Parliament Funkadelic
It's A Man's Man's Man's World - James Brown
I Heard it Through the Grapevine - Marvin Gaye
My World is Empty Withou You - The Supremes
Standing in the Shadow of Love - Four Tops

Voltando ao presente... mais ou menos:

This is Not a Test - Radio 4
Like Eating Glass - Bloc Party
Whoo! Alright. Yeah...Uh Huh - The Rapture
Remedy - The Black Crowes
Sam's Town - The Killers
Munich - Editors
Bang Bang You're Dead - Dirty Pretty Things
Every Day I Love You Less and Less - Kaiser Chiefs
Like a Bad Girl Should - The Cramps
Bohemian Like You - Dandy Warhols

Pra fechar o caixão:

Burning Down the House - The Talking Heads
Temptation - New Order
That's Good - Devo
Superstition - Stevie Wonder
Dr. Feelgood - James Brown

Antes, um pouco de Brasil:

Mas que Nada - Sergio Mendes & Brazil 66'
Eu Sou Terrível - Roberto Carlos
Não Vá Se Perder Por Aí - Mutantes
Bolo de Ameixa - Mundo Livre S/A
Samba do Lado - Chico Science & Nação Zumbi
Take It Easy My Brother Charlie - Jorge Ben
Nem Vem Que Não Tem - Wilson Simonal
Minha Menina - Mutantes
Bebete Vãobora - Jorge Ben
Macô - Chico Science & Nação Zumbi
País Tropical - Jorge Ben
Ando Meio Desligado - Mutantes (pulou)
Preciso Me Encontrar - Cartola
A Banda do Zé Pretinho - Jorge Ben
Gostava Tanto de Você - Tim Maia


Devem ter rolado outras, mas sei lá.

O que realmente valeu a pena foi o inspiradíssimo show do Mama Gumbo, os ótimos improvisos do Grupo Oba e a galerinha firmeza que embebecia todos os sentidos e que é a verdadeira razão de qualquer balada funcionar.

Ah, o título do post é uma referência à discotecagem que teve como homenageado Mr. Dynamite, vulgo James Brown.

This is a man's world, this is a man's world
But it wouldn't be nothing, nothing without a woman or a girl


RICARDO MALTA BARBEIRA - 5:59 PM


Não enche!

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

 
Mama Gumbo no JukeJoint

Todas as quintas de janeiro (dias 4, 11, 18, 25) a partir das 19:00hs, rola show do Mama Gumbo no JukeJoint.

Junto com a banda, também irá se apresentar o grupo Oba, com o espetáculo Plastixidade.

Pra completar, rola discotecagem com Dj's convidados. E um dos convidas de hoje será este que vos escreve.

Apareça por lá pra tomar uma vódega com sopa de alguma fruta qualquer, enquanto mantém seus sentidos a mil por hora.

JUKE JOINT
Rua Frei Caneca, 304, Bela Vista - SP
Entrada - R$ 5,00

RICARDO MALTA BARBEIRA - 2:20 PM


Não enche!
 

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