requiem
Para um ano que foi bem legal, este finalzinho está sendo deplorável.
Há pouco mais de um mês comecei num novo trabalho, ainda na área de internet, só que com um pouco mais de tranquilidade e bem menos trairagem.
A parte ruim disso é que tive que abdicar das minhas férias, que venceriam agora em dezembro. Logo, minha namorada foi pra Bahia passar um mês com uns parentes e eu fiquei aqui com as mãos abanando (literalmente, se é que você me entende).
Quando chegou o Natal, pensei que ao menos as coisas seriam realmente divertidas e por um tempo foram. Na antevéspera fui à minha primeira Rave, e acabei dançando na lama, completamente alucinado, por quase dez horas. A véspera também foi razoável, só que no dia seguinte fiquei tão mal do estômago que acordei correndo para o banheiro e abraçando a privada. Passei o resto do dia deitado no sofá, com cólicas absurdas, ânsia de vômito e mal-estar, tentando assistir à maratona d'O Senhor dos Anéis, que passava na Warner.
O pior de tudo é que já se passaram quatro dias e continuo me sentindo mal. Assim que acabo de comer algo, passam-se poucos minutos, sinto um certo mal-estar, às vezes maior, outras vezes bem sutil, mas de qualquer modo sempre presente. Não é de se estranhar que meu primeiro projeto para o ano que vem seja uma endoscopia (na verdade, isto chega a ser um fetiche antigo, que por uma ironia muito da safada pode-se tornar uma realidade bem perversa).
Hoje à noite vou para a casa de um amigo na praia. Algo bem tranquilo, com poucas opções de esbórnia, ou ao menos com opções menos ofensivas ao meu debilitado organismo.
Dito isso, deixo aqui umas poucas palavras de Oscar Wilde, retiradas de seu De Profundis:
"O amor é alimentado pela imaginação e, por meio dele, tornamo-nos mais sábios do que nos sabemos, melhores do que nos sentimos, mais nobres do que somos; por meio dele podemos ver a Vida como um todo; por meio dele e apenas por meio dele, somos capazes de compreender os outros nas suas relações reais e ideais. Só aquilo que é excelente, e excelentemente concebido, pode alimentar o amor"
Até 2007.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 11:04 AM
Não enche!
Quinta-feira, Dezembro 28, 2006
A galera d'O Grito, Calvin, Mozart, Fernando, Rafaella e JP, publicaram hoje uma ótima relação dos melhores do ano na música.
A parada tem como foco principal os melhores álbuns deste ano que acaba, e a diversidade entre as listas é o que há de mais interessante.
Entre as nobres personas que tem suas listas reproduzidas, está este que vos escreve.
Também vale citar que semana passada eles fizeram uma outra relação, só que das melhores hq's publicadas durante ano.
Não sei porque cargas d'água não coloquei nenhum dos encadernados de Sandman no meu top 10. Vai entender!
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:39 PM
Não enche!
Sexta-feira, Dezembro 15, 2006
Há certas músicas que parecem ter sido feitas exclusivamente para tocar naquele instante exato em que precisamos de algo genuinamente substancioso para preencher um tipo de vácuo, que em progressão geométrica, ameaça dominar tudo aquilo que entendemos como alma.
Se parar para pensar por algum tempo, primeiro lembrará de uma, depois duas, chegará a três, e se tiver muita sorte talvez complete uma dezena de boas sensações relacionadas àquelas determinadas canções.
Claro que quando digo isto, me refiro a uma pessoa que gosta de música de um modo normal, e não a alguém que vive em função dela como se fosse a trilha-sonora de seu próprio Show de Truman.
Não creio que seja possível precisar se é a batida um pouco mais forte, a voz hipnótica ou a letra sacana e esperta, mas o fato é que quando você é pego no meio dessa espiral, não conseguirá sair dela se debatendo. O único jeito é se entregar e torcer pelo melhor.
Tudo isso escrito até agora foi só para justificar a letra de Snakedriver, do The Jesus & Mary Chain, reproduzida abaixo.
I've got syphilitic hetro friends in every part of town
I don't hate them but I know them...
I don't want them hanging around
I won't roll my bones for every little girl who gets on down
I got space and space got me...
I should be selling it by the pound
Ever since I heard the voice I thought...
I had no choice but then I kissed her
I don't mind if I get broken I don't mind if I get fixed
I don't mind if I'm not spoken I don't mind if I get kicks
If I wake up dead I'll wake up just like any other day
And the photographs of god I bought...
have almost fade away
Everything just passes by I thought...
it always would but then I kissed her
RICARDO MALTA BARBEIRA - 3:08 PM
Não enche!
Quarta-feira, Dezembro 13, 2006
Porque relembrar é viver - e também porque não ando nem um pouco inspirado para escrever coisa alguma -, republico um post originalmente feito para o finado Mano News.
Ele é de um tempo em que... bem... eu fazia as mesmas tosqueiras que faço hoje. A grande diferença é que atualmente sou mais fotogênico.
Ainda que com atraso, vou contar como foi...
O MEU SÁBADO.
Lá estava eu na rua Pamplona, tomando uma cerveja num boteco, fumando um cancerígeno e assistindo ao jogo do Palmeiras, enquanto esperava algumas amigas, para entrarmos no DJ Club.
Isto foi o que aconteceu de melhor na noite. Agora vem o drama.
As duas, Renata e Izabelle, chegaram. Passamos então pelo DJ Club, que ainda não estava aberto, e mesmo sendo quase meia-noite, haviam poucas pessoas na fila. Comentou-se que o irmão da Renata havia ido a uma balada gótica em Santana e que ela teria que buscá-lo mais tarde. Sabe-se lá que diabos passou pela cabeça deste traste que vos escreve, que teve a brilhante idéia de desligar o dispositivo que filtra o que vem do cérebro antes de sair pela boca, e solta essa: 'Ué? Por que não vamos pra lá agora?'. Antes que eu pudesse gritar 'D'ooooooh', já estávamos na rua da tal balada.
Chegamos e nos ancoramos num boteco até que simpático (todo boteco é simpático até que você descobre que não vende Skol, o que não foi o caso desta vez), pedi a tradicionalíssima e sentei, esperando a tempestade. Haviam os usuais tipos de 'roupa-preta-desbotada-de-sol-e-cândida', com carvão nos olhos e minancora na cara, mas nada que infringisse o bom-senso, ou sequer as leis da natureza. A exceção era um tipinho que usava uma blusa totalmente transparente, a la Glenn Danzig, mas voltaremos a este peculiar ser da noite mais tarde.
A única bizarrice de estilo que rolou no boteco, foi quando começou a tocar um som, que a Renata diagnosticou como sendo 'Lacrimosa', e começaram a entrar vários góticuzinhos. Eles olhavam fixamente para algum lugar acima da minha cabeça. Quando achei que alguns começariam a gritar 'Master!', estilo Tom Waits no 'Drácula', olhando para a minha figura imponente, e reconhecendo em mim seu deus, os desgraçados apontam para o alto, marcando o ritmo, e começam a cantar. Não tentem imaginar a cena, pois machuca.
Após duas cervejas, um vinho, a chegada do Renan, irmão da Renata, e de um amigo dele, resolvemos entrar na tal 'C-a-s-a G-ó-t-i-c-a'.
Lá dentro até que era legal, com um clima meio 'Mad Max e a Cúpula do Trovão'. Só faltava o óbvio: 'Dois homens entram, um homem sai!'. Haviam pouquíssimos espécimes, a aparelhagem de som era um lixo, e as músicas também não ajudavam muito. Quando vou olhar qual caixa está estourada e fazendo aquela chiadeira, o figura a la Glenn Danzig estava lá, dançando a dança da vergonha à frente dela. Almas gêmeas!
Após algumas cervejas, um comentário espirituoso aqui, outro ali (imagina!), subimos ao segundo andar, aonde havia a 'Dark Room' (--- pausa para risos ---). Sentamos num banco acolchoado, Renata, Izabelle, Renan, o amigo 'cara-pintada' dele, e eu. Conversa vai, conversa vem, começa a subir a cachaça na cabeça, e do nada, surge aquela figura com blusa a la Glenn Danzig. O cara fica ciscando por lá, e num momento qualquer solta um: 'Não querendo interromper, mas no Madame Satã...'. Bastava um 'Quem te chamou na conversa, seu filho-da-puta?' para espantar o cara, mas nestes tempos politicamente correto, aonde devemos respeitar o ser-humano do jeito que ele é, a compreensão falou mais alto.
Não vou citar todos os detalhes da conversa de nosso intrépido convidado, mas o ápice foi: 'Ah, vários caras já me confundiram com mina'. Como diria o saudoso mano Gordo: 'Vai lavar esse cú, seu viado!' (sic). Eu lembro que falei algumas merdas, mas como não lembro de nenhuma, vou deixar quieto. Pouco depois, eu deitei no chão, e tirei uma boa pestana lá, tentando arrumar o cérebro, que tentava fugir pelo fígado. O que provocava uma dor terrível.
Quando levantei e voltei à pista, a Izabelle e a Renata dançavam, o Renan e o amigo dele seguravam a parede, e o 'Garoto-Garota' ia de um em um, enchendo o saco de todos. Não vi muito mais depois disso, pois continuava com um sono animal, e acabei cochilando. Acordei a tempo de ver a Izabelle fazendo um molde pra aula de prótese, e na sequência fomos embora.
Chegando em casa, tive que fazer uma desintoxicação com biscoitos waffles de chocolate, água mineral e o Raw Power dos Stooges. Nunca falha.
Depois de lerem sobre o ocorrido, devem estar achando que não foi tão ruim assim, certo? Isto, porque não foi com vocês.
--- Como estou escrevendo ao som do 'Turn on the Bright Lights', do Interpol, talvez a qualidade musical destes, tenha feito com que eu romanceasse um pouco demais os fatos, ou melhor dizendo, deixasse as coisas menos feias do que realmente foram. ---
RICARDO MALTA BARBEIRA - 12:03 PM
Não enche!
Quinta-feira, Dezembro 07, 2006
Se um disco pudesse ser convertido em palavras, que história ele contaria?
Com essa instigante proposta, a Mojo Books lançou a escritores diversos a tarefa de colocar em prosa tudo aquilo que sentiram - ou sentem - ao escutar aquele disco especial que de algum modo fez - faz - parte de suas vidas.
No início deste mês colocaram para download as quatro primeiras obras do projeto. São elas:
#1 Record, do Big Star, por Luiz Cesar Pimentel.
Black Celebration, do Depeche Mode, por Danilo Corci.
In It for the Money, do Supergrass, por Delfin.
Acessando o Speculum, pode-se ler uma entrevista com os quatro autores.
Já em Mojo Books, após um pequeno cadastro, dá para baixar os arquivos.