happy tuesday's
É... muita preguiça, dramas vagabundos, especiarias de qualidade duvidosa e uma enorme e angustiante vontade de que exista algo que faça tudo isso valer a pena.
Me pergunto se tirassem de mim a música, a leitura e o cinema, o que sobraria.
A resposta é: o álcool, o sexo e um arco-irís de drogas adoráveis.
Mas e se até isso me fosse tirado?
Bem, sobrariam os amigos [humildemente inclua-se aí, querida], meus pais e o meu cachorro.
Dito/escrito isso, fica difícil não enxergar nas entrelinhas um significado um pouco menos obtuso do que estas sugerem.
A vida - pra mim - se resume a pequenas coisas menos ridículas do que patéticas. Na verdade pouco vale essa merda toda.
A felicidade é vendida como algo tão estupidamente utópico como o sucesso, o dinheiro ad infinitum, ou mesmo a constituição de uma família. Fugir disso nos torna idealistas? Não. Somente nos torna um pouco mais nós mesmos. Mas por favor não me pergunte o que seria isso, já que responder a meus próprios questionamentos inúteis anda bem trabalhoso ultimamente. Bem... nos últimos treze anos, para ser mais preciso.
Antes que a mediocridade nos engula a todos, preciso atestar que estou feliz e que quero mais.
Não sei o que diabos eu quero, mas suspeito que envolva música, leitura, cinema, álcool, sexo, drogas coloridas, amigos, pais e animais.
Ao resto do mundo? Espero que seja meu palco.
* * *
Um site batuta sobre literatura: Projeto Releituras.
Um blog legal que fala de hq's: Mulheres nos Quadrinhos.
Um joguinho tosco daqueles: Dangerous Dave & Brutal Bob.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 9:24 PM
Não enche!
Sábado, Maio 27, 2006
Tive uma noite de pouco mais de 7 horas de sono.
Logo, estou sóbrio.
E completamente entediado.
Pfff...
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:02 PM
Não enche!
Sexta-feira, Maio 26, 2006
Sabe o post do último sábado? Então... digamos que se aplica a hoje também. Com exceção das duas últimas linhas.
Estou estragado e meio, mas acho que tudo vai dar certo. Daqui a pouco vou pra casa, bato um rango de responsa e dou aquela cochilada pré-esbórnia.
Hoje à noite rola um meio que encontro de alguns vagabundos de uma comunidade de junkies do Orkut.
O lance vai ocorrer na Rua Augusta, provavelmente no iBotirama a partir de umas 22 horas.
Se quiser colar lá, já sabe...
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:08 PM
Não enche!
Terça-feira, Maio 23, 2006
E foi assim...
Era um sábado estranho [vide post anterior] e até as informações mais triviais pareciam ter sido retiradas de meu cerebelo.
Nada fazia sentido aparente, então resolvi me banhar com água quente saída de uma ducha qualquer.
Algumas gotas de limpa sanidade bastaram para me lembrar de que falara há pouco com o Milguêrs, e que ele e Kate iriam assistir ao show do Cordel do Fogo Encantado na praça da Sé.
Uma rápida ligação, uma roupa fedendo à esbórnia de volta àquele corpo tão seu e estava eu pronto para a caminhada rumo à Virada Cultural.
Achá-los no meio da multidão que se formava foi fácil. Difícil foi não ficar encantado com aquilo que subira ao palco, e que atentando contra todos os meus sentidos, me fez pensar em detalhes específicos que tornam a música tão importante nas trilhas que escolho.
Do início ao fim... não.
Do meio que levou ao final de todos os começos que traçei, um sonho cheio de lacunas que preenchi com tudo que porventura eu quis, e que transformou todo aquele céu no chão sob meus pés, e toda a incerteza em pequenas estrelas a cada instante mais distantes.
Não havia nota que não completasse minh'alma. Ou batida que não ensurdecesse meu coração.
Uma noite gloriosa baseada em medo, que se desfez encabulado frente a tanto sangue.
Descrever cada uma das canções não faria jus ao que senti. O que mais se aproxima disso é o poema Os Três Mal-Amados, de João Cabral de Melo Neto, a certa hora recitado por Lirinha:
"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte."
Depois, Kate, Milguêrs e eu nos perdemos em meio à envolvente cacofonia que tomava todo o centro velho de uma São Paulo tão bela quanto os loucos que inspira.
Uma XV de novembro metamorfoseada em rave pela simples presença de quem ali se encontrava. Um testemunho pleno das escolhas que fazemos.
Entre as danças, a nicotina e o álcool. Entre nós, aquilo que nos faz humanos.
Digo que meu mundo parou às três da manhã de domingo, quando por um caminho de esfihas andei. Desmaiando finalmente em minha cama. Despertando somente para lamentar aquele e todo o sono que precisa ter um fim.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:20 PM
Não enche!
Sábado, Maio 20, 2006
Chega. Eu desisto.
Não. Não vou me suicidar. Apenas é o desabafo de um desgraçado que fechou os olhos por impressionantes trinta segundos durante a noite, e que neste exato momento escuta o monótono ruído do ar-condicionado do nono andar de um prédio qualquer na rua Amauri.
Sem chance. Nada de escrever coisas como "ah, nunca mais faço isso". Repetirei meus erros até atingir a perfeição.
Raios. Como eu gostaria de ter um número de telefone agora.
Misericórdia. Ainda bem que não tenho.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:51 AM
Não enche!
Terça-feira, Maio 16, 2006
Hang the Veja
Em meio a essa balbúrdia que se alastrou como um vírus de insegurança real misturado a um fatalismo exacerbado pela cidade de São Paulo, foi outro fato que chamou minha atenção nesses últimos dias, e que merece umas linhas por aqui.
A última edição de Veja uma vez mais traz denúncias monstruosas sobre o PT, em especial sobre o presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Só que dessa vez a dita revista parece ter ultrapassado seus mais torpes padrões em nome de uma perseguição sistemática, que aparentemente só terá fim com a eventual derrota de Lula nas próximas eleições (pessoalmente acredito que ela continuará essa cruzada mesmo se isto ocorrer).
Na reportagem, Marcio Aith revela contas de Lula, José Dirceu, Antonio Palocci, entre outros.
A fonte da matéria A Guerra dos Porões, segundo o jornalista, seria o banqueiro Daniel Dantas, o ex-ministro argentino José Luis Manzano e o ex-diretor da agência internacional de espionagem Kroll, Frank Holder.
Segue um trecho que demonstra claramente o tipo de trabalho da revista:
"Por todos os meios legais, VEJA tentou confirmar a veracidade do material entregue por Manzano. Submetido a uma perícia contratada pela revista, o material apresentou inúmeras inconsistências, mas nenhuma suficientemente forte para eliminar completamente a possibilidade de os papéis conterem dados verídicos. Diante de tal indefinição, e tendo em vista que o nome de Dantas voltou a aparecer na CPI, VEJA decidiu quebrar o acordo feito com o banqueiro do Opportunity e Manzano. O compromisso inicial era preservar o nome de ambos, caso se pudesse comprovar a veracidade das contas. Nada mais justo: a revelação seria um serviço prestado ao Brasil, uma vez que levaria grandes nomes da República a ter de explicar a origem do dinheiro depositado no exterior. Revelar agora que Dantas - e, por tabela, Manzano - está por trás de uma lista em que o presidente Lula aparece como dono de uma conta num paraíso fiscal viabilizará, acredita VEJA, que investigações oficiais sejam abertas. Ao mesmo tempo, isso impedirá que o banqueiro do Opportunity venha a utilizar os dados como instrumento de chantagem em que o maior prejudicado, ao final, seriam o país e suas instituições."
Para completar o olhar sobre o modus operandi da publicação, o trecho que justifica (em teoria, óbvio) a reprodução da lista das contas secretas:
"VEJA usou de todos os seus meios para comprovar a veracidade dos dados. Não foi possível chegar a nenhuma conclusão - positiva ou negativa."
Dizer/escrever que a Veja é um amontoado repugnante de papel é lugar-comum para qualquer pessoa que busque informações confiáveis.
Denúncias bradadas como verdades incontestes devem impreterivelmente ter provas reais e legais.
E isto é algo que a perseguição patológica da revista faz com que seus editores e repórteres convenientemente esqueçam.
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Acesse a Veja On Line para ler a matéria na íntegra e poder ver a tal lista de depósitos.
Utilize como senha (para compra em banca) SAPEZAL ou SINOP.
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Para ler o que um jornalista de verdade pensa a respeito disso, leia o que Alberto Dines escreveu ontem e hoje no Observatório da Imprensa.
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E não custa lembrar que hoje é dia de Observatório da Imprensa na TV.
Em São Paulo ele é transmitido pela TV Cultura, às 23 horas.
Para outras cidades, clique aqui.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 7:41 PM
Não enche!
Sábado, Maio 13, 2006
Ah, a primeira balada da casa nova. Que satisfação.
Hoje tem festa (não no meu apê, que fique claro).
Logo, amanhã é dia de acordar dentro de um útero.
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Para quem ficou interessado nos tais bootlegs de que falei no último post, grande parte deles foi pego na Bootlegs-To a Fan from Another.
A comunidade criada e constantemente atualizada pelo Wagner é excelente: Queens of the Stone Age, Slayer, Primal Scream, David Bowie, New Order, Metallica, Black Sabbath, Sugarcubes, Verve, Manic Street Preachers, Radiohead, Depeche Mode, Monster Magnet, PJ Harvey, Queen, Deep Purple, The Cure, Libertines, White Stripes, Led Zeppelin, Tori Amos... são apenas alguns dos inúmeros shows disponíveis.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:13 PM
Não enche!
Terça-feira, Maio 09, 2006
A mudança finalmente acabou, mas a minha preguiça e quase que total falta de inspiração não.
Apesar disso, vou me esforçar um pouco mais do que o usual, já que além de querer atualizar esse espaço para seus nobres leitores (alguém?), também quero tentar matar as tediosas horas que me restam aqui no trabalho.
Bem... por onde começo? Hum... vou falar de algo que consome um certo tempo de minha vida: música. Mais precisamente, o que ando ouvindo fora aquelas costumeiras vozes que me pedem para destruir o capitalismo.
Nas últimas semanas o disco mais recorrente tanto em casa quanto em trânsito é o 10,000 Days, do Tool. Não vou dar uma de crítico musical inglês (aqueles caras com dentes tortos e pretos, bafo de peixe com fritas e que escrevem em semanários tendenciosos que não devem em nada à 'nossa' Veja) e cravar que é o lançamento do ano, mas é com certeza um álbum que impregnou como poucos na minha pele.
Um que consegui escutar apenas hoje é o novíssimo Rather Ripped, do Sonic Youth. Bem melhor do que eu esperava. Altamente recomendável.
No trampo prefiro uma enxurrada de "ao vivos", os chamados bootlegs. Entre meus prediletos estão um Jesus & Mary Chain em 1992, um Kyuss de 95, um New Order de 98 e um fodíssimo Queens of the Stone Age do ano passado.
Neste exato momento estou escutando o No Sunset, Just Silence, do Manic Street Preachers. É um bootleg que contém trechos de apresentações de 93, 94 e 96. O interessante é escutar faixas do então inédito The Holy Bible no Glastonbury 94 e a seguir conferir a banda após o desaparecimento/suicídio do Richey com outras músicas desse discaço.
Claro que tem muitas outras coisas passando pelos meus ouvidos como Birthday Party, Eagles of Death Metal, Captain Beefheart, Ministry, Black Grape, Chocolate Watchband, a trilha de Walk the Line e o onipresente Robertão, mas o prazer de redigir essas linhas desapareceu completamente e está chegando o aguardado momento de ir embora.
O triste é que tudo recomeça amanhã.
E além...
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:56 PM
Não enche!
Quinta-feira, Maio 04, 2006
Preguiça, preguiça, preguiça.
Pela primeira - e possivelmente última - vez passo por aqui esta semana.
Fora as besteiras com mudanças e afins, além do trabalho que se acumulou com um dia a mais de folga, estou sem nenhuma inspiração.
O bom é que hoje é noite de cachaça em frente à tv com tela verde.
Enquanto isso, deixo o link para a entrevista (na íntegra) que o ombudsman da Folha de S. Paulo, Marcelo Beraba, deu ao Observatório da Imprensa na TV.
Se eu fosse um jornalista, iria querer ser um Ombudsman. Além do trabalho ser bacana e classudo, parece nome de super-herói. O único "senão" é que o poder dele parece ser um bocado pederasta.
Já se você não está com a mínima paciência para ler uma entrevista que provavelmente não acrescentará nada de novo em sua vida, visite The Wonderful World of Larry Carlson.
Um aviso: NÃO ENTRE CHAPADO.