Videodrome

 
             

   
 
 

Sexta-feira, Abril 28, 2006

 
Saiu no suplemento Mais! da Folha de S. Paulo do último domingo, um interessante artigo assinado por Marcelo Leite.

Nele o colunista fala acerca das denúncias de que a indústria farmacêutica inventaria doenças com o intuito de vender seus remedinhos.

Vale a pena reproduzir uma frase do início do texto: "Dá para ganhar bilhões com pílulas como Prozac ou Viagra, os símbolos de uma época em que estar doente é pop."

Na sequência há uma matéria sobre o tal Marketing Sarado, que relaciona várias das tais "moléstias" a suas respectivas curas.

Ambos podem ser conferidos na íntegra nos links acima (para assinantes da Folha ou do UOL), ou em Solobonite.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:56 PM

Não enche!

 
HQ's... ou quase isso

* Dê uma olhada no Universo HQ qual será a moda no próximo verão norte-americano.

Curti bastante a camisa do Homem-Aranha. E se o tênis da Dark Horse fosse do Hellboy, ou até de Sin City, seria o máximo também.

* *Também Universo HQ dá para conferir qual será a bebida para os fígados de aço.

Mal posso esperar para misturar a minha com uma dose quíntupla de uma cremosa vódega.

* * * O HQ News é um blog que não conhecia, mas que curti bastante. Vale uma zoiada.

* * * * Fugindo um pouco de quadrinhos, confira no site do crítico Rober Ebert a sua lista dos 102 Filmes que Você Deve Assistir Antes de Morrer.

Não dá pra levar a sério uma lista que inclui A Lista de Schindler. Não dá, simplesmente não dá.

O Steven Spielberg é como a Rita Lee e o Fidel Castro. Morreu e esqueceram de enterrar.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:46 PM


Não enche!

Quinta-feira, Abril 27, 2006

 
Please Kill Him


Já faz um tempinho que escutei, mas somente hoje resolvi dividir esta preciosidade com os nobres leitores deste espaço.

As versões que Seu Jorge fez para canções de David Bowie, e que fazem parte da trilha-sonora de A Vida Marinha com Steve Zissou, são algumas das coisas mais bizarras a que meus tímpanos foram expostos nos últimos anos. E é bom citar que escutei o Acústico MTV - Bandas Gaúchas, o primeiro álbum da Pitty e até Jack Johnson, entre outros tranca-rua.

O Mané Galinha, digo, Seu Jorge, é podre em todas as interpretações. Poucas vezes voz e violão soaram tão assustadores.

Quanto às traduções... bem...

O refrão de Rebel Rebel:

A maquiagem vai desmanchar
Para o seu medo aparecer
Zero a zero, agora eu vou
Você deu mole então eu marco um gol

Zero a zero, você venceu
Passe amanhã e pegue o que é seu


Segue uma boa parte da letra de Rock'n Roll Suicide (o pior é que em grande parte ela está até que bem literal. Eheheh):

Você pega um cigarro
Me põe na boca
E no sentido de arriscar outro cigarro
Você não come não tem fome
Isso é verdade

Ou ou Ou
Você é um rock roll suicide

Você está velho mas vivo
E muito novo para morrer
E quanto tempo
Tá correndo na cidade
A sua chama está ardendo de saudade


O início de Five Years é horrível:

O tempo eu que eu fico
A viver pelos mares
Mergulhando profundo
Por recifes e corais
E a lição nesse mundo
Pesquisar animais
Mergulhando no escuro
Por perigos reais


Particularmente, Life on Mars é minha favorita. Repare no fabuloso refrão:

Então, vem cá me dá a sua língua
Então vem, eu quero abraçar você
Teu poder vem do sol
Minha medida
Então vem, vamos viver a vida
Então vem, senão eu vou perder quem sou
Vou querer me mudar para uma life on mars


São cinco as canções que Seu Galinha destrói: Five Years, Life on Mars, Rebel Rebel, Rock'n Roll Suicide e Starman. Esta última é praticamente idêntica a Astronauta de Mármore, cometida pelo Nenhum de Nós.

Disponibilizei todas as músicas em uma HD Virtual.

A senha de acesso é solobonite.

Clique aqui para conferir as traduções na íntegra.

Desculpem por isso, mas eu precisava compartilhar a genialidade do Mané Jorge.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:47 PM


Não enche!

Quarta-feira, Abril 26, 2006

 
Ainda sobre a festa na Mooca...

A Super Katia Aqkino colocou em seu Zói de Gato várias fotos da balada.

Confira e prestigie a nossa fotógrafa designada.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:01 PM


Não enche!

Terça-feira, Abril 25, 2006

 
Burning Down the Mooca

Na última quinta-feira, véspera de feriado de Tiradentes, rolou na Mooca a festa de inauguração do novo
cafofo dos irmãos Erica e Tiago Franco.

A dita casa fica na Tobias Barreto, próxima ao Sesc Belenzinho, e além de dois quartos amplos e ambíguos, tem um quintal na parte dos fundos que segundo Zé Mário e outros presentes, transforma-se em tempos mais calorentos numa típica piscina junkie.

Fora os irmãos anfitriões e o já citado Zé, estiveram por lá Iara, Marcão, Joyce, Nílsão, Kate, Milguêrs, Fernanda, Nil, Julie, Alex, Maria, Renato, Lu, Marcio, Cacá, Sergio, Katita, Mauricio, Ana, Edu, Rosely, Marcelo, Paula, Cássio, Michele e mais um sem-número de malucos, pederastas e assassinos.

A fuzarca transcorreu na mais completa e absoluta falta de noção, como já é praxe, e assim demonstrou uma vez mais que a esbórnia é o caminho mais agradável - e porque não, saudável - para almas inquietas que não vêem a hora do próximo "chacoalhar".

Drinks de várias estirpes passaram pelos festeiros, assim como momentos psicodélicos de estalação elétrica. Claro que as cervejas predominaram, e nem o clima frio que gelava até o rêgo (mas não de todos, que fique bem claro) impediu que este esnobe escriba bebesse litros e litros da doce cevada fermentada. Resultado: no dia seguinte parecia que eu havia engolido três gatos e uma Nair Belo.

Para espantar o frio cortante da noite, fora as bebidas e o papo descontraído, o melhor mesmo era dançar até começar a ver borrões que nada mais eram do que as notas das músicas se fazendo visíveis.

Entre inúmeros sons, deu para colocar a coletânea que fiz exclusivamente para a farra - que por acaso leva o nome do post -, assim como uma outra de nome V de Valeska (uma tosca homenagem ao fodíssimo filme baseado na HQ de Alan Moore e David Lloyd). A pedidos rolaram alguns trance, mas estes foram tão insignificantes quanto a palavra de um José Serra da vida.

Exagerei na dose em um ignorado momento da noite, e consegui ser mais chato do que alguma composição do Jorge Vercilo, mas nada que não tenha ocorrido antes em maior escala.

Deixei a casa com o dia claro. A hora me é desconhecida. Os sobreviventes eram raros.

Toda a providência é pouco para os caríssimos Erica e Tiago.

Que se tornem ainda mais felizes em terras mooquenses.

Trilha-sonora: Tool, com o novíssimo álbum 10,000 Days.

O Doggma disponibilizou em dois arquivos zipados o disco completo.

No entanto, como a música 10,000 Days (Wings Pt 2) estava incompleta, subi o primeiro arquivo novamente, agora com este som na íntegra.

Seguem os links para baixar aquele que já é um dos grandes discos do ano:

10,000 Days - Parte 1
10,000 Days - Parte 2

Escute-o sem responsabilidade alguma.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:23 PM


Não enche!

Segunda-feira, Abril 24, 2006

 
Vari(G)erald

No último 18 de abril, na seção Tendências/Debates da Folha de S. Paulo, saiu um texto em defesa de uma ajuda estatal à Varig assinado pelo nosso idiota teatral em tempo integral Gerald Thomas.

O artigo que pode ser lido no link acima ou em Solobonite, utiliza artíficios e justificativas já manjadas como a besteira de chamar a companhia aérea de "patrimônio nacional". Só faltou citar o velho jingle: "Varig, Varig, Varig... Cruzeiro."

Na defesa "altruísta" do diretor, em nenhum momento é citado que a dita empresa patrocina vários eventos culturais - entre estes alguns teatrais - e que o interesse próprio mais uma vez é superior a uma desejada sinceridade para com o público/leitor.

Como disse certa vez nosso bom Gerald num momento de inspiração quase que divina: "Eu não tenho nenhum compromisso com a verdade. Eu sou um artista de teatro".

Que as cortinas se fechem então.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:30 AM


Não enche!

Segunda-feira, Abril 17, 2006

 
B. R. M. C.


Os mais recentes boatos tanto no Laboratório Pop quanto no site da Dynamite dão conta do Black Rebel Motorcycle Club e do Arctic Monkeys como atrações para a edição 2006 do Curitiba Rock Festival, que deve ocorrer nos dias 20 e 21 de maio.

Se o BRMC realmente vier, serei obrigado a ir para a capital paranaense ter orgasmos múltiplos diante da banda que fez do novo século o seu playground particular.

Os álbuns B.R.M.C., Take Them On, On Your Own e o recente Howl estão aí para não me deixar mentindo.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:25 PM

Não enche!

 
Paixão de Cristo ganha versão 'britpop' em Manchester

Sensacional!

Clique aqui e confira a parada.

Como cantava Shaun Ryder: "... Twenty four hour party jesus plastic face 'carn't' smile the white out
With the twenty four hour party jesus plastic face 'carn't' smile the white out...
"

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:23 PM


Não enche!

Quinta-feira, Abril 13, 2006

 
sister ray

Não fazia muito sentido, mas aquela música era importante para ele.

Fora a primeira que fizera com a banda já formada, e de certa maneira representava tudo - ainda que superficialmente - aquilo com que se importava no mundo.

Entre o momento em que a melodia surgiu em sua cabeça até o instante em que ligou o amplificador, foram menos de sessenta segundos. E nesse meio tempo ainda conseguiu pensar no verso que iniciaria a letra: "não posso me forçar a nada".

Ele poderia ter sorrido ao lembrar-se disso, mas o agora era mais cheio de angústia do que o passado havia sido inspirador.

Não conseguia entender porque a maldita canção não combinava com nada.

Julgava estar andando há horas, apenas parando vez ou outra em algum bar por simples conveniência hepática, e mesmo assim nenhuma nota se encaixava.

Havia aumentado o volume, mudado a equalização para tons mais graves, mexido nos fones de ouvido repetidas vezes, e nada. Por um segundo chegou a suspeitar do próprio discman, mas os pensamentos acabaram por levá-lo a outro lugar.

Pensava que lá encontraria alguma memória esquecida em meio a um monte de porcaria, que poria tudo novamente nos eixos, mas não. A música que tocara até fazer parte de seus sonhos como um arquétipo de segunda categoria - Freud veio à cabeça e sorriu levemente - e de seu corpo como uma tatuagem mal-feita, não era nada além de notas indiferentes que ignoravam seu coração.

Meio que sem querer se encostou numa parede e acendeu um cigarro.

A fumaça de pouco adiantava, mas servia para uma breve pausa naquela caminhada inútil.

Olhou para o céu e notou que escurecia rapidamente e em seguida reparou na escadaria atrás de si. Desceu sem se importar com os motivos, e tampouco retribuiu o cumprimento que um casal que subia lhe dirigiu.

Continuou andando por vinte minutos, sem dar bola ao cd que continuava tocando, e quando viu o túnel à sua frente, teve de imediato a epifania maluca que havia buscado por toda a sua vida.

As luzes refletiam todos os seus defeitos, inclusive aqueles que mais pareciam manias de qualquer pessoa normal.

Como que por mágica, aquilo que entrava por seus ouvidos voltou a fazer sentido. Toda a confusão, a ausência de sentimento, desaparecera.

Uma piada sobre um gran finale formou-se em seus lábios, enquanto uma aconchegante mudez o envolvia.

Não sentiu coisa alguma ao fechar seus olhos, e caiu ao chão exatamente quando a pilha acabou, pondo um fim àquela cacofonia amarga.

O som agudo de uma freada brusca quebrou o silêncio, fazendo sua mochila voar para um lado e seu corpo para o outro.

Um coro de poucos gritos era apropriado, mas o astro não fazia a reverência adequada.

A camisa branca ficara levemente ensanguentada, mas os dizeres com o nome de sua banda ainda podiam ser lidos: sister ray.

Não se pode ter certeza dessas coisas, mas Marcus parecia feliz.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:40 PM


Não enche!

Terça-feira, Abril 11, 2006

 
Há exatos 80 anos era publicada uma tira de Krazy Kat no jornal Los Angeles Examiner.

Confira no Solobonite.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:47 PM

Não enche!

 
Como prometido...


O álbum Rio Grande Blood, do Ministry, está disponível numa HD Virtual.

A senha de acesso é solobonite.

Fora as faixas que já destaquei ontem, posso acrescentar as ótimas Ass Clown, com participação mais do que especial do porra-lôca Jello Biafra, e Lieslieslies.

Quanto ao Death by Sexy, do Eagles of Death Metal, coloquei o disco inteiro num arquivo único no Rapidshare.

Para quem não conhece a banda - ou apenas sabe que Josh Homme (Queens of the Stone Age) é o baterista - é uma ótima oportunidade para curtir uma diversão de primeiríssima em treze músicas que duram pouco mais de meia hora.

É um som no melhor estilo "rock de festa", que dá vontade de pular e de chapar completamente o globo antes que a polícia chegue.

Enjoy.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:15 PM


Não enche!

Segunda-feira, Abril 10, 2006

 
Até pensei em postar uns lances hoje, mas como a semana é curta, acabei adiantando uns trabalhos enquanto escutava altos sons.

Entre inúmeros passeios pelo fantástico mundo de John Coltrane, escutei dois lançamentos hiper-fodíssimos.

O primeiro é Rio Grande Blood do Ministry. Parece que a banda reencontrou com muita propriedade a - violenta - sonoridade do clássico Psalm 69.

O álbum é conceitual e simplesmente detona o presidente George W. Bush e toda a política belicista norte-americana em cada uma das 11 faixas.

Rio Grande Blood e Senor Peligro, que abrem o disco, são desde já sérias candidatas a melhores do ano.

O segundo e igualmente excelente é Death By Sexy, do Eagles of Death Metal.

Rockão até a maldita medula.

Som desencanado para apreciadores de cerveja.

Se tudo correr bem, disponibilizo ambos para download ainda esta semana.

Outro que finalmente escutei na íntegra foi o First Impressions of Earth dos Strokes.

Pfffff... nada de mais. Juicebox é uma baita música. O resto é tão sem graça quanto pastel de carne.

E agora estou ouvindo Clap Your Hands Say Yeah. Até aqui bem legal.

Acho que é isso.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:06 PM


Não enche!

Quinta-feira, Abril 06, 2006

 
Indignação!

Indignação não é a mais apropriada, mas é a mais próxima do sentimento meio torpe que me irrita neste exato momento.

Raramente - para não dizer nunca - falo de política por aqui. Não porque não aprecie o assunto, mas por julgar a maneira como escrevo inapropriada para isso.

Traduzindo: gosto muito de discutir o tema, mas prefiro mil vezes uma mesa de bar com interlocutores de razoável nível intelectual a uma tela morta que aceita qualquer besteira que eu porventura possa digitar.

Várias vezes durante o último ano, e mesmo no corrente, tive vontade de gastar dezenas, talvez centenas de linhas, discorrendo a respeito dos crimes (isso mesmo, nada de "escândalo" ou sinônimos atenuantes) cometidos por personagens hoje conhecidos - ao menos os nomes - dos brasileiros, como Delúbio Soares, Silvio "Land Rover" Pereira e Marcos Valério, além daqueles eleitos por nós próprios, e que portanto já deveriam ser conhecidos há um considerável tempo.

Quanto aos segundos, aqui vai a lista para mais fácil identificação:

Ex-deputado José Dirceu de Oliveira [CASSADO]
Corrupção ativa, art. 333 do Código Penal

Ex-deputado Valdemar da Costa Neto [RENUNCIOU]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Ex-deputado Roberto Jefferson [CASSADO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Ex-deputado Carlos Rodrigues (PL) [RENUNCIOU]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. José Janene (PP) [AGUARDANDO VOTAÇÃO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. Pedro Corrêa (PP) [CASSADO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. Pedro Henry (PP) [ABSOLVIDO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. Sandro Mabel (PL) [ABSOLVIDO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. João Magno (PT) [ABSOLVIDO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. João Paulo Cunha (PT) [ABSOLVIDO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. José Borba (PMDB) [RENUNCIOU]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. José Mentor (PT) [AGUARDANDO VOTAÇÃO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. Josias Gomes (PT) [AGUARDANDO VOTAÇÃO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. Paulo Rocha (PT) [RENUNCIOU]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. Professor Luizinho (PT) [ABSOLVIDO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. Romeu Ferreira Queiroz (PTB) [ABSOLVIDO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. Vadão Gomes (PP) [AGUARDANDO VOTAÇÃO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. Roberto Brant (PFL) [ABSOLVIDO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

Dep. Vanderval Santos (PL) [ABSOLVIDO]
Crime eleitoral e de sonegação fiscal

É mais do que óbvio que o que inspirou essa repentina "consciência política" de minha parte, foi a absolvição do ex-presidente da Câmara dos Deputados, o deputado João Paulo Cunha, do PT de São Paulo.

Ele foi acusado devido ao saque de R$ 50 mil, realizado por sua esposa Márcia Regina Cunha, de uma conta de Marcos Valério no Banco Rural.

Primeiro o ilustríssimo deputado afirmou que sua mulher havia ido até o prédio (aonde ficava o banco) efetuar o pagamento de uma conta de tv a cabo. Depois, quando comprovado o saque, disse que pensava se tratar de uma conta do PT, e que a retirada havia sido autorizada pelo ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares. O dinheiro, segundo Cunha, teria sido destinado à campanha do Partido dos Trabalhadores na cidade Osasco (SP), nas eleições de 2004.

Outro agravante é o fato de que no período, João Paulo Cunha era a autoridade máxima da Câmara dos Deputados.

Com este último fato em mente, é clara a intenção da grande maioria dos parlamentares que fazem parte da Câmara, a de enviar a seguinte mensagem ao povo brasileiro, e principalmente aos eleitores: qualquer ato de um membro da Casa é justificável com a simples palavra do acusado, mesmo que para isto as evidências tenham que ser refutadas ou as testemunhas desacreditadas.

Outro fato que está claro há ainda mais tempo, mais precisamente desde as primeiras absolvições dos chamados "mensaleiros", é que o corporativismo desprovido do mais remoto rincão de ética e as sórdidas negociatas políticas dão o tom.

Ficaria fácil escrever aqui que "político é tudo igual" ou "todos roubam quando chegam lá", mas o que quero acima de tudo é tirar um pouco dessa angústia - tola, por sinal - que ainda que insista em não me deixar, tampouco me permite rotular a todos como ladrões ou algum outro lugar-comum de pessoas que preferem enterrar a cabeça na areia a discutir utilizando argumentos relevantes.

Não acho que as eleições em outubro para presidente, governador e principalmente para senador e deputado, resolvam todos os problemas nem respondam todas as questões, mas se existiu um momento em tempos recentes para se sentir enganado, magoado e exageradamente indignado, o momento é este.

A culpa é deles, mas a responsabilidade é nossa.

* * *


Defendi nas últimas eleições para prefeito o voto na petista Marta Suplicy ao invés do tucano José Serra, e sem querer me achar o dono da verdade ou algo que o valha, a renúncia deste último para concorrer a governador prova a utilização meramente política da cidade aonde vivo, que por sinal é a maior e mais importante do país.

Mas não hesitaria em assumir meu erro em dar crédito a um determinado político - ou qualquer outro ser involuído - e depois acabar sendo ludibriado moralmente pelo mesmo.

Como disse sabiamente o Macaco Simão repetidas vezes na Folha de S. Paulo, "não tem virgem na zona".

* * *


Este texto confuso e escrito nesta manhã de quinta-feira tem como razão de ser o próprio título e nada além disso.

* * *


Ricardo A. Setti escreve sobre a chance - ainda que remota - de redenção para o Congresso em matéria do No Mínimo.

* * *


Leia mais sobre política também no UOL.

* * *


O Observatório da Imprensa é uma outra ótima pedida.

* * *


É do blog de Ricardo Noblat a frase da semana, quiçá do mês, que reproduzo a seguir:

"Sabe quem dançou hoje? O povo brasileiro."

(Cézar Schimer, relator do pedido de cassação do deputado João Paulo Cunha absolvido pela Câmara)

* * *


Antes que me esqueça, os próximos que terão suas cassações votadas em plenário são Josias Gomes (PT) e Vadão Gomes (PP).

Outros dois que estão na fila são os deputados José Janene (PP) e José Mentor (PT).

* * *


Trilha-sonora: John Coltrane, com o disco Africa Brass.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:58 AM


Não enche!

Quarta-feira, Abril 05, 2006

 
etc... e tal

Muito legal a linha de títulos clássicos da editora Penguin que está sendo relançada.

O grande diferencial é que as capas são feitas por quadrinhistas de primeiríssima linha.

Minhas prediletas, além de A Filosofia na Alcova, dos irmãos Asaf Hanuka e Tomer Hanuka (que ilustra o post), são: The New York Trilogy, de Art Spielgelman; The Portable Dorothy Parker, do norte-americano Seth; e Os Vagabundos Iluminados, do norueguês Jason.

A relação completa pode ser conferida no Omelete.

O site também preparou um interessante Especial V de Vingança.

Tem uma biografia de Alan Moore, uma entrevista com o ator Hugo Weaving, protagonista do filme, além de outras bobagens.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:24 PM


Não enche!
 

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