Videodrome

 
             

   
 
 

Terça-feira, Janeiro 31, 2006

 
Algumas Leituras de 2006



Gotham City Contra o Crime

O segundo volume de Gotham City Contra o Crime consegue ser ainda mais impressionante do que o primeiro.

Greg Rucka manda ver num roteiro inteligente, emocionante e cheio de suspense, numa trama que tem mais de detetivesco do que quase tudo feito com o Morcegão - inclusive pelo próprio Rucka - nos últimos tempos.

A arte de Michael Lark está cinematográfica e ótima, nos moldes do que fazia o igualmente bamba Michael Gaydos em Alias. Ambos fazem desenhos que não tem aquela beleza plástica que chama a atencão imediatamente, mas sim uma sutil e constante construção de pequenos e brilhantes momentos que no todo dão um ritmo alucinante à história.

Em muitos sites toscos pela net afora, revelaram certos fatos desnecessários sobre esta edição. O meu conselho é: não leia nenhum destes, vá até a banca mais próxima e compre esse belo encadernado da Panini. É um investimento que vale a pena.

WE3

Nem dá para acreditar que com pouquíssimo tempo de defasagem para os Estados Unidos, chegou por aqui a estupenda minissérie de Grant Morrison e Frank Quitely.

WE3 é com certeza a mais inusitada e também uma das melhores hq's publicadas em - chutando por alto - uns dez anos.

Resumo básico e o único possível: três bichos de estimação, um cachorro, uma gata e um coelho são transformados em máquinas de combate pelo governo norte-americano. Quando este resolve "encerrar" o projeto, os três fogem rumo à uma utópica "casa".

O preço do especial é um pouco salgado para os padrões Panini, ainda mais quando você percebe que o leu em mais ou menos meia hora (é sério!), mas o roteiro e a arte são tão absurdamente fodas, que você vai fazer questão de recomendar a todos os seus amigos. Que é exatamente o que estou fazendo.

A Balada do Mar Salgado

Chegou sábado na minha casa A Balada do Mar Salgado, de Hugo Pratt. Lançamento da novíssima editora Pixel Media. O álbum traz a primeira aventura do célebre Corto Maltese, que andava há muito afastado das gibiterias e livrarias do Brasil.

Ainda não o li na íntegra, mas a qualidade geral é impressionante. E o melhor, com um preço que não é abusivo. São 180 páginas em preto-e-branco, tamanho grande e papel especial, com valor de tabela de R$ 33,00, mas dá para encontrá-lo em lojas virtuais por até R$ 28,00.

O único senão é o fato dele não ter "orelhas", que a meu ver, dão uma maior longevidade a revistas, ainda mais aquelas ditas especiais.

No site da Pixel Media dá para fazer o download de algumas páginas, assim como conferir futuros lançamentos.

Morangos Mofados

Peguei emprestado com a minha namorada essa compilação de contos do Caio Fernando Abreu.

Eles são bem irregulares entre sim, apresentado algumas boas temáticas que são mal trabalhadas, e em outros momentos devaneios que vão de nada a lugar algum. O melhor é o conto Sargento Garcia, que mostra uma razão bem plausível para vários adolescente terem receio quanto à apresentação no serviço militar obrigatório.

Apesar de não ser uma leitura imprescindível, o ponto interessante do autor é o que percebe-se nas entrelinhas. Um ar de boca-do-lixo, com direito a drogas farináceas, álcool, nicotina, música de perdedores e sexo - quase sempre - vazio.

Detalhe: o parágrafo acima se refere mais à impressão que tive do cara que escreveu aquelas linhas do que propriamente ao teor delas. É... acho que vou me arriscar a ler mais alguma coisa dele.

Os Vagabundos Iluminados

Para muitos esta é a obra mais bem-acabada de Jack Kerouac, e talvez estes - que na verdade não faço a mínima idéia de quem sejam - estejam certos (não posso afirmar porque ainda não li todas as obras do cara).

Os Vagabundos Iluminados é menos apaixonante do que o soberbo On the Road simplesmente porque não está "vendendo paixão", e sim revelando aquela que seus personagens tem pelo mundo.

Os vagabundos do título são um bando de zen-budistas que amam a vida e tentam aproveitá-la ao máximo. Ray e Japhy, os personagens principais, se encantam com cada mísera coisa que se apresenta a eles, e graças à narrativa efusiva e precisa do autor, por vezes - e são muitas - conseguem passar ao leitor toda aquela "maravilha" que estão presenciando.

É um livro que não tenta conduzir ninguém, preocupando-se mais com o fato de que cada homem deveria fazer aquilo que lhe completa, que lhe realiza. No processo, ainda melhor se puder abrir seus olhos para tudo aquilo que os cerca.

Reações Psicóticas

Nesta coletânea de resenhas somos apresentados a um Lester Bangs que lança mão de todos os possíveis e impossíveis elogios ao disco Astral Weeks de Van Morrison, que "pensa o impensável" sobre a morte de John Lennon, que fala acerca de Elvis Presley, Jethro Tull e Kraftwerk.

No entanto a melhor parte do livro é a entrevista/bebedeira com Lou Reed. É sensacional ler/presenciar Bangs entrevistando seu maior ídolo/herói da música. Parece que estamos presenciando uma luta até a morte entre dois gladiadores tão estúpidos que sequer percebem o propósito daquilo tudo.

Depois de ler este livro, fica difícil escrever qualquer coisa que seja sobre música. Tudo fica insosso, carente de energia e de vitalidade.

Também é digno de nota a iniciativa da Conrad em lançar a coleção iê iê iê, que pretende fazer um belo apanhado de textos dos mais incensados críticos musicais.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:48 PM


Não enche!

Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

 
Álcool e Coltrane

A melodia vai grudando na cabeça.
Um sussurro acompanha sutilmente,
entre uma e outra dose de vodka.

Os dedilhados perfeitos de um piano.
Um trompete que teima em humilhar.
Baquetas que parecem deslizar.

A mente num vazio que nada tem de mal.
Somente uma música que cresce mais e mais,
dando uma noção diferente do que é a perfeição.

Uma eternidade que dura poucos minutos.
Vidas resumidas em sua intensidade.
Passagens que transbordam aquilo que você anseia.

Uma derradeira estrofe antes do fim.
Sentimentos inacabados,
e a conclusão de algo que só pode ser alegria.

São Paulo, 20 de Fevereiro de 2005
(Escutando John Coltrane com Afro Blue)

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:31 PM


Não enche!

Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

 
Sony Reader

Eu tinha lido a matéria semana passada, mas só lembrei de postar por aqui agora.

Acesse o Universo HQ e dê uma conferida no Sony Reader. Ele é uma espécie de leitor em tamanho natural de e-books, com uma qualidade superior ao dos programas normalmente utilizados para os mesmos fins.

É impressão minha ou parece um visualisador de scans com alta definição?

Promete.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:17 PM


Não enche!

Quarta-feira, Janeiro 11, 2006

 
J A R H E A D

Assisti no último sábado a Soldado Anônimo, dirigido por Sam Mendes, e estrelado por Jake Gyllenhaal, Jamie Foxx e Peter Sarsgaard.

Depois do excelente Beleza Americana e do fraquinho Estrada para a Perdição, Mendes mostra uma competente visão sobre a Guerra do Golfo, norteada pelos relatos de Anthony Swofford.

Ele começa emulando - propositalmente - o início de Nascido para Matar (Full Metal Jacket), de Stanley Kubrick, e não pára mais de fazer referências ou mesmo de inserir em seu contexto outras grandes obras calcadas em guerras, como Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, e O Franco-Atirador (The Deer-Hunter), de Michael Cimino.

Vale citar que as passagens que literalmente mostram estes dois filmes são excelentes. Hilariantes e tristes ao mesmo tempo. Outra curiosidade é o pôster reproduzido no post, que é praticamente idêntico ao de outra fita sobre guerra, o fenomenal M.A.S.H., de Robert Altman.

Falando da história, não é uma fita que vanglorie a violência ou exalte qualquer banalidade associada a isto. É mais do que tudo um olhar sincero e demasiadamente normal sobre fatos sórdidos e de relutante aceitação para qualquer um que se sujeite a analisá-los profundamente.

É notório e bastante claro que o motivo principal da Guerra do Golfo foi o petróleo do Kuwait. Assim como ele era primordial para os Estados Unidos, também o era para o Iraque. Afinal, aquele papo do Saddam Hussein sobre "antigos territórios" que pertenceriam por direito aos iraquianos é conversa fiada para curdo queimar.

O interessante é que Soldado Anônimo não tem praticamente sangue algum, confrontos viscerais (dependendo do ponto de vista), ou sequer muitas mortes. O que é mostrado na tela é basicamente a rotina entediante e angustiante de jovens que não sabem ao certo porque estão no meio daquele deserto, mas que também não fazem muita idéia de seu papel no mundo.

Outro fator que deixa o filme ainda mais instigante é a belíssima fotografia, que tem um momento sublime ao mostrar poços de petróleo pegando fogo.

Quanto aos atores, a interação da dupla Gyllenhaal e Foxx é ótima, assim como as performances individuais de cada um deles. Gyllenhaal demonstra ser um promessa de futuro, e Foxx - depois de Colateral e Ray - parece ter atestado de vez seu rótulo de "fodão".

Uma coisa que chama a atenção no elenco é o grande número de desconhecidos, mas que não decepcionam em nenhum momento. Destaque para o excelente Peter Sarsgaard, que interpreta Troy.

Também dá para curtir excelentes momentos com a trilha-sonora ajeitada, que conta com gente de responsa como Naughty By Nature, T. Rex, Nirvana, Tom Waits, Public Enemy, The Doors e até com Bobby McFerrin (isso aí. Rola Don't Worry, Be Happy).

Um formidável filme que vale muito a pena conferir.

Yo recomendo.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 9:34 AM


Não enche!

Quinta-feira, Janeiro 05, 2006

 
Pixel Media e Corto Maltese

Grande notícia. Uma parceria entre Ediouro (Criaturas da Noite, Arthur - Uma Epopéia Celta...) e a Futuro Comunicação resulta na Pixel Media.

A nova editora já começa com o pé direito relançando A Balada do Mar Salgado, a primeira aventura de Corto Maltese, o intrépido personagem criado por Hugo Pratt. Para completar, a edição terá formato 21 x 28 cm, 176 páginas em preto-e-branco, papel couché, a R$ 33,00.

O preço está excelente, e se a qualidade da edição seguir o padrão habitual da Ediouro, tudo leva a crer que será um deleite para os amantes de quadrinhos.

Entre os próximos lançamentos anunciados, estão álbuns de Milo Manara, Paul Dini, o Madman de Mike Allred, e vários outros.

Matéria completa no Universo HQ.

Odair Braz Junior, da própria editora, também assina um artigo a respeito no site da HERÓI.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:44 AM


Não enche!

Quarta-feira, Janeiro 04, 2006

 
Zumbis - Acaba de sair para locação Rejeitados pelo Diabo, o primeiro filme escrito e dirigido por Rob Zombie.

Na boa, a bagaça deve ser horrorshow.

Soube pelo Omelete.

Dio x Ozzy - Que o Ozzy é um velho decréptico e gagá de dar pena, isso todo mundo sabe, mas o "grande" Ronnie James Dio não quis nem saber e lascou variadas sobre o Palhaço das Trevas.

Em suas palavras: "Se ser um artista é cambalear pelo palco, então ele é um artista. Ele virou uma caricatura de si mesmo, as pessoas querem ver se ele vai cair do palco, tropeçar ou jogar garrafinhas de água no público".

Me recordo que há não muito tempo atrás o Doggma postou sobre a treta que rolou entre Ozzy, sua esposa Sharon, e o Bruce Dickinson do Iron Maiden. Na época, ele levantou a mesma discussão sobre a grande piada que o ex-vocalista do Black Sabbath se tornou.

Como diz aquele ditado, morreu e esqueceram de enterrar.

A matéria completa pode ser conferida no iG Pop.

Nooooooooooo! - O Zarko postou n'A Arca sua relação dos piores filmes do ano que passou.

O legal é que ele foi um dos únicos a citar o que considerei a pior cena do cinema nos últimos anos: o grito "noooooooooooooooo", que marca o despertar de Darth Vader em Guerra nas Estrelas - Episódio III: A Vingança dos Sith.

Como diz aquele outro ditado jedi, deviam ter enterrado o George Lucas ainda vivo.

Yessssssssss! - Ainda falando em Guerra nas Estrelas, vale a pena dar uma navegada no site Leia's Metal Bikini.

Entre coisas realmente toscas e bacanas, há a categoria "Fans in Costume", que como o próprio nome atesta, mostra as nerds aficcionadas pela saga espacial trajadas com o famoso bíquini da princesa Leia. Aquele mesmo que fez o Jabba se melar todo.

Ah, você também pode encomendar um bíquini.

O dia dos namorados pode estar longe, mas o st. valentine's day está logo aí.

War-vel - Graças ao Érico Assis e sua coluna Lá Fora, tive contato com alguns dos piores diálogos jamais feitos.

As falas a seguir são do Capitão América em America Supports You # 2, que é a segunda revista da Marvel a ser produzida exclusivamente para os soldados americanos e seus familiares:

"O verdadeiro heroísmo está em entrar na zona de batalha pensando na sua família, no seu lar / Heroísmo é ir onde você é mandado, por mais que você não goste / É entender o todo sem entender as partes / Onde quer que você seja enviado, você vai porque acredita na sua casa / E tudo que nossas tropas podem esperar é que sua casa acredite neles".

Pelo que entendi, as frases são não-sequenciais, mas seriam horríveis em praticamente qualquer contexto. Procurei na net pela capa da revista e por mais dados, mas não encontrei nada.

Parece que finalmente conseguiram superar - e com sobras - o H-O-R-R-Í-V-E-L especial do Homem-Aranha para o 11 de setembro.

Camelot 3000 - A Mythos acaba de lançar o encadernado com a famosa minissérie de Mike W. Barr e Brian Bolland. O preço? Módicos R$ 59,00 (!!!!!).

Tudo bem que a revista tem mais de 300 páginas, mas este preço é uma piada que beira o surreal. Ainda mais se lembrarmos do material de "altíssima qualidade" que a editora ocasionalmente lança, como por exemplo o encadernado tosco de Rising Stars.

Como disse um cara no Orkut, a Mythos deve estar pensando que é a Conrad. Só pode.

HQ's em Janeiro - Confira no Universo HQ um checklist com os principais lançamentos de quadrinhos para este mês de janeiro.

Fora as revistas mensais, há pouquíssima coisa digna de nota. O destaque vai para Fugitivos # 1, da Coleção Pocket Panini.

 

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"i'm paranoid, but i'm not an android"