Meus 10 Discos de 2005
[ 1 ] With Teeth - Após a pretensão desmedida do álbum duplo The Fragile, o Nine Inch Nails reaparece na cena com o lançamento mais pop de sua carreira. Dá para escutar em With Teeth vários ecos do passado, mas o que Trent Reznor fez de melhor foi olhar para o futuro sem medo de se afastar de minimalismos ridículos, temas pomposos, e demais peculiaridades que visavam uma certa soberba musical. É um disco maravilhosamente diversificado que abre com a "crescente" All the Love in the World, que conta com a agressividade de verdadeiros petardos como You Know What You Are? e Getting Smaller, e também com a porrada estilosa em que os tons graves parecem liquefazer seu cérebro, que é o particular caso de The Line Begins to Blur. A interessante nova vertente de Reznor aparece de maneira clara em The Collector e Love is Not Enough, mas extrapola todos os limites em três obras-primas: Every Day is Exactly the Same, Only e The Hand that Feeds. A primeira é de uma simplicidade e entrega absoluta, beirando o pueril. A segunda é uma belezura oitentista que não cheira a mofo. Já a terceira é a preciosidade mais pop que a banda fez, e com certeza uma das melhores canções de sua discografia. É dançante e inusitada, e resume com maestria o que este disco significa para o Nine Inch Nails: um amadurecimento musical com muita classe.
[ 2 ] Howl - Depois de dois discos fantásticos, o Black Rebel Motorcycle Club resolveu mandar às favas todas as fórmulas que porventura utilizara e realizou esta pequena obra-prima. Se no primeiro eles remetiam diretamente a Jesus & Mary Chain e no segundo se afastaram bastante dessa sonoridade, neste terceiro se recriam de maneira genial. Desde a abertura matadora de Shuffle your Feet, passando pela celestial Howl e pela beleza rural de Devil's Waitin, para terminar com a assustadora maravilha que é The Line, é em tudo um clássico moderno da música americana. Os ecos pungentes de Bob Dylan e sua The Band estão lá, assim como o fantasma de um errante Robert Johnson. Outros sons que podem te fazer chegar mais perto de deus são as óbvias Ain't No Easy Way e Gospel Song, além da profética Restless Sinner. É um disco que mais do que lavar a alma, pode ser trocado pela sua.
Em tempo: Coloquei nesta HD Virtual a música Whenever you're Ready, que foi disponibilizada recentemente no site da banda para download, em agradecimento aos fãs que tanto os apoiaram.
[ 3 ] Employment - Em minha opinião a melhor estréia do ano é a do Kaiser Chiefs. É um discaço que mais parece trilha-sonora de algum filme, de tão distintas entre si que são as músicas. E todas são ótimas. A sequência que abre já é matadora, com as fantásticas Every Day I Love You Less and Less, I Predict a Riot e Modern Way. Enquanto a primeira tem uma sonoridade The Clash por excelência, as outras duas remetem mais a The Jam e Buzzcocks. Outros sons de primeiríssima são Oh My God, Saturday Night e Na Na Na Na Naa. Enfim, um álbum fodíssimo de uma banda que promete, e que ainda tem com Ricky Wilson uma das melhores vozes deste rock do novo milênio.
[ 4 ] Mesmerize - Tá certo, System of a Down é uma banda metida a politizada e este disco não foge à regra, mas a potência dele é tão fantástica que não dá para ficar indiferente. A primeira metade dele é espetacular: Soldier Side (Intro), B.Y.O.B., Revenga, Cigaro, Radio/Video e This Cocaine Makes me Feel Like I'm On this Song. Se for para ficar em apenas um som, cito a derradeira Lost in Hollywood. Enfoque o lado político, melodioso, o ritmo pesado, ou o que preferir, não importa, já que só em escutá-lo você estará tendo uma experiência de primeira grandeza.
[ 4 e meio? ] Hypnotize - De maneira brilhante o System of a Down dá continuação ao discaço Mesmerize. De cara, abre com a porrada Attack, deixa as coisas mais melodiosas com Dreaming, retorna à ofensiva com Kill Rock'n Roll, entoa o hino Hypnotize para a seguir voltar ao massacre com Stealing Society. Já o final do álbum tenta alcançar o sublime com a romântica She's Like a Heroin, e as baladaças Lonely Day e Soldier Side. Um final digno para um ano em que a banda se tornou "gente grande".
[ 5 ] Lullabies to Paralyze - O Queens of the Stone Age é daquelas bandas que dá gosto em ser fã. São quatro discos praticamente perfeitos em que o som deles vai de um rock básico e cru, a momentos lisérgicos cheio de firulas das mais viajantes. Pode parecer contraditório, mas é isto que faz da banda algo único no cenário musical atual. Neste lançamento mais recente houve uma clara queda de qualidade, visto que o baixista Nick Oliveri foi expulso pelo líder Josh Homme, mas isto não faz de Lullabies... um disco ruim (também é bom frisar que ele é o sucessor de Songs for the Deaf, que na minha opinião é disparado o melhor álbum deste novo século). São vários os momentos brilhantes, como na sequência inicial com This Lullaby, Medication e Everybody Knows That You Are Insane. Outra trinca poderosa é In My Head, Little Sister e I Never Came. Esta última uma balada primorosa com uma letra idem. E para fechar o disco mais uma trilogia de responsa: Broken Box, You've Got a Killer Scene There, Man e The Long Slow Goodbye. Isto é rock'n roll de verdade, perfeito para embalar uma noitada de chapação absoluta.
[ 6 ] Capture/Release - Outra estréia de responsa é a do The Rakes. Um álbum muito divertido e descompromissado. Alan Donohoe, assim como Ricky Wilson, tem uma voz bem longe de ser enjoativa, e leva algumas melodias sensacionais. Entre tantas canções legais, tem Open Book, Binary Love, The Guilt, T Bone e Terror. Fora essas, ainda sobra espaço para os insanos 90 segundos de 22 Grand Job. Esta é uma daquelas belezinhas que você não pode terminar o ano sem tê-la escutado.
[ 7 ] Don't Believe the Truth - Após um considerável tempo, o Oasis conseguiu lançar um álbum digno de rasgados elogios, e que não faz feio perto de seus dois primeiros. No entanto, o melhor dele é que várias músicas tem elementos que nunca foram utilizados pela banda. São cadências, levadas e tons bem diferentes daquele jeitão tão característico dos caras. Nesse aspecto dá para citar as fenomenais Mucky Fingers, The Importance of Being Idle e Keep the Dream Alive. Outro fato é que cada vez mais Noel Galagher está deixando o posto de ditador de lado, deixando que os outros integrantes mostrem suas composições. Guess God Thinks I'm Abel, Love Like a Bomb, Let there Be Love e Part of the Queue são outras pequenas maravilhas de uma banda que parece finalmente ter amadurecido.
[ 8 ] Open Season - Num ano em que o Coldplay resolveu não arriscar e lançou um disco muito do insosso, é do British Sea Power o título de "trilha-sonora-de-lavação-de-alma". São baladas harmoniosas que transbordam uma melodia e um lirismo únicos. A enxurrada começa com cinco sons em uma sequência batutíssima: It Ended On An Oily Stage, Be Gone, How Will I Ever Find My Way Home?, Like a Honeycomb e Please Stand Up. Também vale destacar a bela Oh Larsen B e o encerramento com a viajante True Adventures. Para os corações puros ou dilacerados é uma excelente pedida.
[ 9 ] Bang Bang Rock & Roll - O disco de estréia dos ingleses do Art Brut é uma grata surpresa. Apesar de uma sonoridade muito legal, que foge bastante do status quo atual de bandinhas emulando descaradamente os anos 1980, o que mais chama a atenção são as letras inspiradíssimas. O vocalista Eddie Argos parece discursar, mas tudo é muito simples e parece tão real que é difícil não viciar no negócio. As iniciais Formed a Band, My Little Brother e Emily Kane são encantandoras em sua simplicidade. Entre outras belezuras do disco dá para citar Modern Art, Moving to L.A., Bad Weekend, além da homônima Bang Bang Rock & Roll. Belo debut.
[ 10 ] Get Behind Me Satan - Fazia um tempinho que não escutava o mais recente do White Stripes, mas depois de ler o que o Eduardo escreveu sobre ele em seu Dirty Little Mummie, me deu vontade de escutá-lo, e bateu novamente a certeza que tive quando do show da dupla recentemente em São Paulo: Jack White é foda! É um disco que foge do peso extremo de seu antecessor e vai por um experimentalismo que chega a lembrar o feito pelo Black Rebel Motorcycle Club em Howl. A primeira faixa, Blue Orchid, destoa do restante do álbum. É um rockão excelente, e ainda assim o mais previsível possível. Os momentos de deleite são vários, mas cito Little Ghost, The Nurse, The Denial Twist, Instinct Blues, Take, Take, Take, além da fabuloso Red Rain. Com este disco o White Stripes deixa para trás o tempo em que era uma promessa, para se firmar definitivamente como um dos grandes em atividade.
Outros 10 que merecem uma chance:
[ 11 ] Road to Rouen - Supergrass
[ 12 ] Frances the Mute - The Mars Volta
[ 13 ] Playing the Angel - Depeche Mode
[ 14 ] A Bigger Bang - The Rolling Stones
[ 15 ] Man-Made - Teenage FanClub
[ 16 ] Ok Cowboy - Vitalic
[ 17 ] The Cosmic Game - Thievery Corporation
[ 18 ] Love Kraft - Super Furry Animals
[ 19 ] Generation - Audiobullys
[ 20 ] Dare I Say - Hermano
Meus 5 shows de 2005:
[ 1 ] Nine Inch Nails
[ 2 ] The White Stripes
[ 3 ] Iggy and The Stooges
[ 4 ] MC5
[ 5 ] Arcade Fire
Acho que foi isso o de melhor com que tive contato na música este ano.
Se posso citar algo mais, foram as aquisições - já comentadas em outro post - do Box Set Singles 90/98 do Massive Attack, e do box duplo do New Order que contém a coletânea A Collection e o documentário Story.
Na boa, foram doze meses que mantiveram uma ótima média.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:49 AM
Não enche!
Quarta-feira, Dezembro 28, 2005
Amanhã coloco por aqui a lista de meus dez - ou quase isso - discos preferidos de 2005.
Já hoje... bem... nada.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:25 PM
Não enche!
Segunda-feira, Dezembro 26, 2005
Fim de Ano
Os últimos dias foram mais divertidos do que o normal.
Quarta passada rolou o tradicional rodízio de pizza e breja com a galera do Universo HQ. Nerdices, fofocas sobre o mundinho das editoras tupiniquins e demais besteiras. Parada batutíssima.
Sexta foi a vez de uma brejada bem legal no Aldino, que fica próximo ao Datafolha. Entre tantos presentes por lá, Alex, Silvana, Zé Mário, Kate, Erica, Joab, Maria, Renato, Lu, Iara, Tiago, Milguêrs, e vários mais. Firmeza.
Já a véspera de Natal foi em casa. Apareceram por lá Joyce, Milguêrs, Kate, Joab, Érica, Tiago, Kico, Solange e Tati. Entre cervejas, drinkinhos e raspas amarelas, ainda deu para assistir zilhões de episódios dos Simpsons, trocentos clipes do New Order, e aos shows do Sonic Youth, Iggy Pop e do Nine Inch Nails no Claro Q É Rock. Também rolaram altos papos, toscas danças e variados rangos. Horrorshow.
E o bom foi que em nenhum deles eu tive PT. Acho que meu fígado auto-limpante está funcionando a toda.
Falando da parte mais "consumista", adquiri um item que há muito tempo ambicionava: a caixa de singles do Massive Attack. São todos os singles da banda até 1998, dentro de uma caixa térmica que muda de cor dependendo da temperatura ambiente.
Outra coisa que comprei foi o dvd A Collection do New Order. A verão importada tem dois discos. O segundo é um documentário de mais de duas horas traçando a trajetória da banda desde os tempos de Joy Division.
E finalmente chegou à minha casa a 5ª temporada dos Simpsons (a que fiquei assistindo no Natal), que entre tantos clássicos, tem o antológico A Ameaça, que satiriza o sem-comentários Cabo do Medo, de Martin Scorcese.
Para terminar de falar do capitalismo insano, ganhei da minha namorada o livro Minha Vida, do Robert Crumb. Mais um trabalho maravilhoso da Conrad.
É, poderia ser pior.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 12:36 PM
Não enche!
Quarta-feira, Dezembro 21, 2005
2 Mil Reviews
O Universo HQ ultrapassou a marca das duas mil resenhas, e para celebrar o fato preparou um especial com a maior parte de seus colaboradores analisando histórias em quadrinhos consideradas especiais para cada um deles.
Nessa empreitada resolvi resenhar o magnífico MAUS - A História de um Sobrevivente.
Claro que a minha análise não chega a arranhar nem de leve o que é a obra máxima de Art Spielgelman, mas ao menos pode fazer alguém se interessar a lê-la.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 9:16 AM
Não enche!
Quinta-feira, Dezembro 15, 2005
Hoje rola a festa de fim de ano da agência. A paradinha vai ser no Notre Dame Bar, que fica na Hélio Pelegrino.
Nunca fui no lugar, até porque não é o tipo de local que gosto de frequentar. Curto mesmo é parar num boteco sujo, pedir um suco de laranja com vodka, tomar litros de cerveja, e começar a inventar drinks depois da terceira hora de bebedeira.
De qualquer modo, como o lance é "de grátis", é claro que irei me esbaldar com todas as bebidas pederastas que conseguir.
Ou seja, amanhã será só por deus.
Ah, hoje à tarde também devo fazer uma tatoo. Mais um presente de Natal que estou me dando. Realmente sou um católico de merda.
Não estou no espírito de escrever mais do que isso. Fica pra próxima.
Bem... se você se deu ao trabalho de ler tudo isto, clique aqui para assistir a uma fodíssima propaganda da Honda.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 9:23 AM
Não enche!
Quarta-feira, Dezembro 14, 2005
Calma que tudo vai passar agora
Tenha bons sonhos que te protejo
Se já pensou em confiar em mim, esta é a hora
Pois nada mais importa, e tudo que vejo
tem o agradável eco de sua beleza
Que me traz à mente o mais intenso desejo
Nascido com uma definida leveza
Crescendo exponencialmente até este momento
Imerso em pura e inconteste certeza
De que não haverá dor ou tormento
Mas sim uma entrega absoluta
Como em troca pelo amor que acalento
e que imediatamente e de forma resoluta
nos transmutará num só espírito
Cheio de paixão e vontade justa
Conduzirá nossas almas ao infinito
Que com a visão do paraíso nos brinda
Trazendo a constatação do mito
Inerente àquilo que chamamos de vida
"04 de outubro de 2005. 23:34 hs."
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:25 AM
Não enche!
Terça-feira, Dezembro 06, 2005
Postei no Mano News...
Os 10 Sons + Batutas de 2005.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:33 PM
Não enche!
Segunda-feira, Dezembro 05, 2005
X-men 3
Entre no site do jornal USA Today e dê uma olhada nas primeiras imagens oficiais da mais nova empreitada mutante nos cinemas.
O Fera ficou muito legal, enquanto que o Anjo é um personagem que nunca teve a mínima graça nem nos quadrinhos. A única época em que ele prestou pra algo foi quando sofreu o upgrade do Apocalipse, tranformando-se no Arcanjo (também conhecido como Wolverine de asas).
Fiquei sabendo pelo Omelete.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:21 PM
Não enche!
Sexta-feira, Dezembro 02, 2005
The Authority 2.0
Finalmente li Natividade, o primeiro arco de Mark Millar à frente do título.
Provavelmente compartilho da opinião de todo mundo que já leu a série, quando digo que o início com Warren Ellis é ótimo, mas a sequência com Mark Millar inacreditavelmente beira a perfeição.
O caminho escolhido pela equipe lembra um pouco o trilhado por Ozzymandias em Watchmen, com a diferença de que eles não querem esconder nada que ocorre da população mundial, e realizam suas ações às claras. O ponto de semelhança é a vontade em "não ser um super-herói de gibi" que luta contra um inimigo diferente a cada semana, e sim alguém que tem a perfeita noção da responsabilidade que o seu dom lhe dá, e que resolve usá-lo para melhorar a condição de vida das pessoas.
Claro que falando isso tudo, a coisa parece muito nobre e tal, mas antes de qualquer coisa, o roteiro de Millar é divertido e instigante para cacete. Eu reli quase todas as páginas duas vezes; primeiro para me certificar do diálogo insano (e são inúmeros) ou para rever uma imagem alucinante; e em segundo porque não queria que aquela história acabasse logo.
A arte de Frank Quitely é outro fator que faz desse arco algo brilhante. Além de ter uma arte limpa, detalhista e de uma rara beleza, ele consegue ser muito sucinto, colocando uma grande quantidade de informação nas imagens. Diz muito com pouco.
Até agora citei apenas as características mais - digamos - filosófica do The Authority de Millar e Quitely, sem entrar nas curiosidades do arco em si, como o fato da equipe "do mau" que eles combatem ser uma versão hardcore dos Vingadores (o Capitão América metido a gostosão deles é demais), ou da saga inteira brincar com todos os grandes astros da Casa das Idéias. Por exemplo, Meia-Noite enfrenta os "X-men", Jack Hawksmoor o grupo formado por "Nick Fury e o Comando Selvagem", enquanto que A Maquinista encara o "Quarteto Fantástico". Tudo ridicularizado com aquele estilo etílico e debochado tão peculiar do roteirista.
O grande vilão da saga, parece ser um misto de Stan Lee com Jack Kirby, já que há várias referências óbvias até demais ao escritor, mas a aparência e o "charuto" remetem diretamente ao Rei.
Como toda boa história em quadrinhos, esta é uma daquelas que assim que acaba te dá vontade de mais. Ainda bem que tenho outras edições pra ler.
*** Escrito ao som de Tool. Ao vivo na turnê de Undertow. ***