Milguêrs, Kate e eu nos despedimos dos outros como se fosse a última vez. Enquanto eles vão rumo ao Sonic Youth, nós três nos dirigimos em direção à Luz. Ficamos há cerca de cinco metros do palco, e numa crescente expectativa, cada minuto parece demorar uma eternidade. A Juventude Sônica continua seu show baseado nos dois últimos álbuns, mas ao final resgata algumas preciosidades jurássicas e encerra com a fantástica Teen Age Riot. Pena o som estar um pouco baixo e meus pensamentos se resumirem a três letras:
NIN.
Um derradeiro aperto de mãos entre Milguêrs e eu... o tempo pára... começa o caos...
Wish - Há quase treze anos atrás eu escutava esta música pela primeira vez, e agora eu a via in loco. O primeiro verso por si só explica bastante coisa: "this is the first day of my last days"; enquanto que o refrão explica todo o resto: "wish there was something real wish there was something true. wish there was something real in this world full of you".
Sin - Era a segunda música e eu já podia morrer feliz: "you give me the reason. you give me control. i gave you my purity. my purity you stole".
The Line Begins to Blur - Um dos excelentes sons do último disco, com um baixo e bateria pesadíssimos, além de um jogos de luzes alucinantes.
March of the Pigs - O caos instalava-se novamente. Insanidade pura e simples.
Terrible Lie - Clássico absoluto. Peso absurdo. Começo a fazer as "mãos de fogo".
The Frail/The Wretched - Funciona ao vivo que é uma beleza. O teclado de Reznor dá o ar da graça e as coisas começam a fugir ao controle.
Closer - A minha predileta torna-se um karaokê estiloso para os alucinados próximos à grade.
Burn - Óbvio que novamente tive que fazer minhas mãos de fogo nas partes lentas, e agitar como um epilético cheio de anfetamina nas partes rápidas.
With Teeth - A iluminação estava legal.
Only - Mais um sonzaço do novo disco, que ao vivo consegue ser ainda melhor. É tão pop, é tão foda, dançante para cacete.
Suck - As mãos de fogo erguidas e o grito hiper-sônico: "how does it feel? suck! suck! suck!".
Hurt - Nunca conseguiria colocar em palavras o que senti nesta, mas posso dizer que algo ficou preso na minha garganta, que meu corpo parecia desistir, e que nada mais poderia dar errado.
The Hand That Feeds - A melhor música do ano transformou-se na música mais dançante dos últimos tempos. Na boa, hipnotizante.
Head Like a Hole - Chega o fim do show, e ainda que eu não tenha mais voz, que não consiga mais erguer as mãos de fogo aos céus, eu continuo cantando, pulando e agitando como um alucinado cheio de bolinhas. O último trecho que Reznor canta é: "bow down before the one you serve. you're going to get what you deserve". Traduzindo: "reverencie quem você serve. você vai receber o que merece". Ele em toda a razão.
... o tempo volta a correr...
O caminho de volta é estranho e divertido. Tem balas de ameixa japonesas (também conhecidas como Supra-Inferno); relatos de segugente urinando em urtiga; canções "nhonhonis"; giros de 360° pela Praça da Sé; outros que não sabem que o som da letra "t" ao final de uma palavra é sempre mudo; um gerente de Habib's que prova a caipirinha do freguês e que não sabe a diferença entre pastel e fogazza; um frio desgraçado; e uma sensação de orgasmo que não passa nunca.
Para fechar o post, um pequeno calso:
Um segurança baixinho chega em dois caras fumando um baseado.
- Apaga e põe aqui. - diz o pseudo-porco com a mão em concha.
- Põe aqui? Tá louco? Você quer fumar, é isso? - responde um dos garotos com olhos vermelhos.
Então, antes que a coisa assumisse outras proporções, um maluco de cabelos piolhentos e olhar perdido aparece do nada.
- Cara, isso aqui é um show de rock.
É, isso explica muita coisa.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 11:36 AM
Não enche!
Sábado, Novembro 26, 2005

RICARDO MALTA BARBEIRA - 11:35 AM
Não enche!
Quinta-feira, Novembro 24, 2005
Pero no Mucho
Fazia um tempão que não ia a um de meus sebos favoritos. Na realidade é uma banca que fica no bairro de Santana, aqui na cidade de São Paulo.
Desde que eu e um outro amigo conhecemos o lugar, há mais ou menos 12 anos, apelidamos o dono do lugar de "Pero no Mucho". O nome do cara é Fidel e é uruguaio (se não me engano), então o apelido devido ao sotaque era uma necessidade básica nossa.
Teria que fazer inúmeros posts e uma senhora escavação em minha porca memória para lembrar todas as revistas que comprei por lá, por isso vou ficar apenas nas aquisições desta última terça-feira.
Peguei ao todo cinco hq's:
Príncipe de Aliors [The Elsewhere Prince] - Encadernado da minissérie lançada pela Globo em 1991. Tem nos roteiros Moebius e nos desenhos Eric Shanower, e dá sequência às lisérgicas viagens da Garagem Hermética;
Liberdade [Martha Washington: Give Me Liberty] - Também um encadernado de uma mini da Globo lançada em 1991, é assinado por Frank Miller e Dave Gibbons. Martha Washington é a personagem principal de uma história futurista que mostra um Estados Unidos dilacerado e à beira do caos completo. Estava atrás dessa revista há anos, mas sempre a encontrava incompleta ou a preços impraticáveis;
Marshal Law [Fear and Loathing] - Minissérie em seis edições lançada pela Abril em 1991. Escrita por Pat Mills e desenhada por Kevin O'Neil, ela é uma crítica ao super-heróis, à América, ou ao que mais possa entrar na brincadeira. Se quiser entender um pouco mais, dê uma lida aqui;
Níquel Náusea: Os Ratos Também Amam - Já havia lido este especial da criação máxima de Fernando Gonsales, mas acabei não resistindo. Acho ele um dos melhores, além de ser um dos mais regulares autores nacionais;
Justiceiro & Batman: Cavaleiros Mortíferos - Não tenho certeza se havia lido esta revista, mas como John Romita Jr. é o meu desenhista predileto, e a edição da Abril é em formato americano, não podia deixar de adquirir. Na verdade, há anos que a vejo em sebos, mas sempre acabava adiando a compra para outro dia.
Como o Pero no Mucho é muy gente fina, acabou fazendo as dez revistas (Marshal Law é em seis números) por cinquenta pilas. Pode parecer caro, mas em qualquer sebo "profissional" (leia-se "de fdp's que querem que você deixe a sua mãe por lá"), apenas Príncipe de Aliors e Liberdade saem por cerca de sessenta mangos ou mais.
Entre várias outras preciosidades baratas, há vários importados como os encadernados originas de Batman: Death in the Family, Batman: Year One e Zero Hour; muitos nacionais do Paulo Caruso, Henfil e Lourenço Muttarelli; várias edições simples e encadernados de Akira; muitas minis da série Um Conto de Batman completas; além de um gigantesco acervo de pornografia a preços módicos.
Caso você esteja nas redondezas, vale dar uma passada por lá. A banca fica na rua Duarte de Azevedo, próximo ao metrô Santana.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 9:34 AM
Não enche!
Sexta-feira, Novembro 18, 2005
Superman Returns - No site oficial do filme Superman Returns, está disponível um teaser trailer de um minuto e meio. Ele mostra rigorosamente pouca coisa, mas dá a impressão de que o Bryan Singer aprendeu mesmo a transpor os personagens de quadrinhos para a tela grande;
American Splendor - Harvey Pekar agora faz parte da linha Vertigo da DC Comics. Confira a notícia completa sobre o "anti-herói americano" no SoBReCarGa;
HQ's e as Ameaças Sociais - Um estudo que sairá na edição de dezembro da revista Political Psychology, relaciona os períodos de estabilidade por que passa os Estados Unidos com a venda de determinados títulos de quadrinhos, entre outros pontos interessantes. Você pode ler um pouco mais no Universo HQ ou no site da publicação.
V de Vingança - Achei esses dois novos cartazes bem legais, mas este, divulgado pouco antes, é o meu preferido. Óbvio que fico ressabiado com o possível resultado final, mas meio que sem motivo. Se o filme for bom, melhor pra mim, que acho a hq uma obra-prima. Se for uma droga, grande coisa, já que vou continuar achando a hq fantástica. Na real, o que deve rolar é um prejuízo na casa dos dez reais pelo preço do ingresso do cinema.
24 Hour Party Sampa - A partir das 14 horas de amanhã, dia 19 de novembro, a cidade de São Paulo terá uma maratona de eventos culturais que se extenderá por 24 horas. Mais detalhes dos locais aonde ocorrerão podem ser conferidas no site da Prefeitura de São Paulo, ou no Virada Cultural. A programação mais interessante é a do centro, que inclui entre vários destaques, sessão do crássico Vampyros Lesbos, dirigido por Jesus Franco, amanhã à meia-noite no Cine Olido.
Novo som do Flaming Lips - Está disponível para download no You Ain't No Picasso o videoclipe de You've Got To Hold On, nova música do Flaming Lips. Fiquei sabendo da paradinha pelo Omelete.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:13 AM
Não enche!
Quarta-feira, Novembro 16, 2005
Sedução dos Inocentes
O "especial" Seduction of the Innocent do Superdickery é insanamente legal. Todos aqueles quadrinhos de duplo, triplo, quádruplo sentido, estão por lá.
O primeiro, com o Batman pederasta, é o melhor. Mas essa abaixo, com a tia May e uma certa "substância grudenta" no quarto do Peter, é foda demais.
Para ficar rindo horas e horas.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 9:13 AM
Não enche!
Segunda-feira, Novembro 14, 2005
the flaming lips
Foi publicado no UOL Música um ótimo misto de matéria e entrevista com a banda Flaming Lips.
O guitarrista e vocalista Wayne Coyne promete centrar o repertório em álbuns mais recentes da banda, como The Soft Bulletin ou Yoshimi Battles The Pink Robots. Também anuncia que devem rolar covers, como a de War Pigs do Black Sabbath, e Bohemian Rhapsody do Queen. Esta última, um "remake" extremamente fiel da original, é belíssima, e uma das minhas canções prediletas dos últimos meses. Clique aqui para baixá-la.
Das bandas que vão se apresentar no Claro Q É Rock, com certeza The Flaming Lips é a menos conhecida, mas tenho uma leve impressão de que será a que mais irá surpreender positivamente o público. Fora o fato dos discos dos caras serem sensacionais e ecléticos entre si, o show deles é considerado um dos melhores do mundo.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:21 PM
Não enche!
Segunda-feira, Novembro 07, 2005
Links e coisas
*** O site Blue Tights disponibilizou o primeiro papel de parede do filme Superman Returns.
A imagem ficou bem legal, e apesar da produção em si não dar pinta de render algo "tão" bom assim, já aprendi a confiar no Bryan Singer. Os Suspeitos, O Aprendiz, os dois X-men, e até a série de tv House estão aí pra não me deixar falando sozinho.
*** Por outro lado notícia ruim é a licença médica de seis meses tirada por Mark Millar, que fiquei sabendo pelo Universo HQ.
Sinceramente espero que ele se recupere logo, afinal, além de ser junto com Brian Michael Bendis, o melhor escritor de quadrinhos da atualidade, pelo que li em tantos sites e blogs pela internet afora, o cara é divertidíssimo e um baladeiro de marca maior.
*** Enquanto isso na Image, uma nova revista deve mostrar o "choque" de gerações de super-heróis. Leia mais no Omelete.
Será que algum dos tapados da editora se recorda de um certo Supremo, que numa época foi magistralmente escrito por Alan Moore e praticamente esgotou o tema?
*** É sempre uma boa rever um reacionário de botequim como o Alborghetti em plena forma.
*** A Pensão do Gusmão está com inúmeros scans disponíveis. Entre eles a coleção completa de Sandman.
*** Após um tempinho o Calvin voltou a postar n'O Grito.
*** Já um que nunca pára de postar é o Eduardo no Dirty Little Mummie.
*** Antes tarde do que nunca. O BLOGZinE já voltou há um tempinho, mas eu ainda não havia postado um link por aqui.
... e acho que é isso...
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:26 AM
Não enche!
Quinta-feira, Novembro 03, 2005
Demolidor # 21
Só para variar, fiquei completamente chapado lendo a história do Demolidor.
Como diabos o Maleev consegue desenhar tão bem? Vá pro inferno! Ou melhor, pra Cozinha do Inferno (essa foi infame)!
Algo que gosto muito na arte dele é o background dos quadros, como por exemplo nas lutas no telhado, em que mostra prédios com detalhes simples, impressionantes, e incrivelmente reais.
E o colorista Dan Brown também é espetacular, chegando a dividir minha predileção com o bamba Richard Isanove (para ficar nos atuais que admiro).
Quanto à história... bem... é Brian Michael Bendis em grande estilo. Se for para ter um destaque, é o personagem Quinn, que é sensacional e meio.
Voltando à arte, fiquei pensando com meus botões que como o Maleev irá deixar o título junto com o Bendis, e já que o roteirista tem exclusividade com a Marvel, bem que o desenhista poderia assinar algum título do Batman.
Não consigo nem imaginar o quão bom seria.
Na terceira parte da minissérie do Mercenário, baixou o Garth Ennis no Daniel Way.
A sequência na Nicarágua é algo que o irlandês louco faria na boa (talvez com alguns litros a mais de sangue), e as sacadinhas como no confronto entre o Mercenário e o Justiceiro estão perfeitas.
Enquanto lia a história, por vezes me deixava levar pela arte do Steve Dillon, e me sentia numa trama típica do Justiceiro do Ennis.
Taí uma minissérie que elevou e muito a qualidade da revista, que sofria com as porcarias protagonizadas pela Elektra.
O primeiro arco do Justiceiro MAX foi ótimo, mas este "Inferno Irlandês" está conseguindo ser ainda melhor.
A caracterização de Nova Iorque, o mote em torno do IRA e da comunidade irlandesa, além da própria caracterização dos personagens é excelente em todos os aspectos.
Ennis parece estar mostrando o que esperar de seu "novo" Justiceiro, e tudo leva a crer que somente coisa boa, com direito à guerrilhas urbanas e a tudo mais que tenha direito.
Já o artista Leandro Fernandez é um cara que eu não conhecia, mas que também está fazendo um trabalho estupendo.
É impressionante como o Justiceiro tem um desenhista novo a cada arco, e mesmo com estilos diferentes entre eles, todos conseguem segurar o tranco com estilo.
Todo mês Demolidor é uma das últimas revistas mensais que compro, e é sempre aquela que me dá maior satisfação pelo dinheiro gasto.
The Pulse
Também aproveitei o feriado de meio de semana para ler as cinco primeiras edições de The Pulse, que formam o arco Ar Rarefeito.
Pelo sangue de Stan Lee! É das coisas mais legais que li neste ano. Li tudo de uma tacada só, e a cada novo fato parecia que meu coração iria sair pela boca.
Eu sinceramente não achava que o Bendis pudesse superar a perfeição que alcançou com Alias, mas ele ao invés de tentar superá-la, mudou absolutamente todo o contexto da série e até da própria Jessica Jones, e realizou uma das melhores aventuras dos últimos anos.
Até os desenhos do Mark Bagley, que é um cara que não suporto, não me incomodaram, e por vezes, principalmente quando o Duende Verde aparecia, me agradaram bastante.
Todas as sequências são fodíssimas, mas as minhas preferidas são duas: Uma é o papo que o Homem-Aranha leva com o Ben Urich no alto do Clarim Diário. A sagacidade dos diálogos é uma coisa maravilhosa; A outra é quando a polícia vai à Oscorp prender Norman Osborn. Esta se inicia no número 4 e vai até o final do 5, e é uma montanha-russa de ação desenfreada.
Durante o tempo em que li as revistas, me senti uma criança que pela primeira vez lia uma história do Amigão da Vizinhança.
Sem exagero, estou abobado até agora.
Quero dizer... mais do que o normal.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:24 PM
Não enche!
Terça-feira, Novembro 01, 2005
Estou vivo e quero continuar assim...
apesar de questionar os caminhos,
nada parece tão certo
quanto me culpar o tempo todo.
Se parece que estou completo,
é porque estou em paz,
mas preciso de algum drama,
para trazer emoção para a história.
As mentiras ficaram para trás,
junto com os antigos retratos.
Não sei o que virá a seguir,
e pouco me importa.
Posso arriscar tudo que prezo,
e mesmo que eu perca,
ficarei com a vitória...
porque nada mais existe.
E ainda que não ache você,
me sentirei bem até o fim.
Talvez esperando um brilho de sol,
uma luz reservada para mim.
"00:56hs - 26/07/03"