Demolidor # 20
Só pra variar, mais uma edição imperdível da revista do ceguinho que protege a Cozinha do Inferno.
Apesar desta saga com a Viúva Negra não figurar entre os melhores trabalhos de Brian Michael Bendis com o Homem sem Medo, ainda assim possui os afiados diálogos tão característicos do autor, além de desenhos inspiradíssimos de Alex Maleev.
Já a mini do Mercenário não tem nada de muito especial, mas até aqui Daniel Way vem criando um clima bem legal, e que pode até chegar a render alguma coisa.
Mas é claro que o destaque é a arte de Steve Dillon, sempre competentíssimo em seu afiado realismo.
Para fechar a edição mais uma trama sem noção do Justiceiro MAX de Garth Ennis.
Vísceras à mostra, inúmeras mutilações e criminosos maus até os ossos. Ennis potencializa tudo isto e faz da série de Frank Castle um banho de sangue cheio de ação, que consegue equilibrar habilmente um certo tom realista (!!!) com os exageros do personagem.
Sangrento e desnecessário, mas extremamente divertido.
Por bastante tempo Marvel Max foi, na minha opinião, a principal revista mensal da Panini. No entanto, nos últimos meses, após a conclusão de Alias, a pausa de Poder Supremo e a inclusão de inúmeras minisséries medíocres, ela perdeu muito em qualidade, fazendo com que esta Demolidor seja o que melhor a editora tem a oferecer mensalmente nas bancas.
Crise de Identidade
Não achei grande coisa o primeiro número da minissérie, mas levando em conta o que Brad Meltzer fez com o Arqueiro Verde no ótimo DC Especial, pago pra ler (literalmente) as próximas edições.
Mas o roteirista tentar convencer o leitor de que a Sue Dibny tem alguma importância para o universo DC é uma piada de marca maior.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:13 PM
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Quinta-feira, Setembro 29, 2005
Trailer Tosco de Ghost Rider
O Omelete disponibilizou um link para um trailer não-oficial do filme Motoqueiro Fantasma, estrelado por Nicolas Cage.
Vale ressaltar que como o próprio site adverte, a qualidade do vídeo não é das melhores, e trava a cada cena.
Ainda assim, dá pra se ter uma idéia de que a produção parece ser caprichada.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 11:46 AM
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Anansi Boys de Neil Gaiman
O bom e velho Gaiman está de livro novo na gringolândia.
Segundo o próprio, Anansi Boys é um legítimo livro cômico, e como de praxe deve estar recheado de referências fantásticas e inserido no universo fantasioso e criativo de que sempre o escritor se utilizou.
Se a obra tiver metade que seja do humor do excelente Belas Maldições, escrito a quatro mãos com o sem-comentários Terry Pratchett, além de um pouco da (óbvia) inventividade do ótimo Deuses Americanos, a diversão está garantida.
Para saber mais, vá ao Omelete ou dê uma lida na entrevista que o autor deu ao SCI FI Wire.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 9:14 AM
Não enche!
Quarta-feira, Setembro 28, 2005
Crise de Identidade Literal na DC
Apesar de não ter lido ainda o primeiro número de Crise de Identidade (comprei a revista ontem, depois de uma tarde de cerveja e Santa Ifigênia), achei bastante interessante a premissa de dar uma chacoalhada no status quo dos personagens da editora, tornando o universo que eles vivem mais sombrio e menos glamouroso.
Ainda assim, partindo do princípio de que este "racha" entre os escritores da DC é verdadeiro, estou com certeza ao lado do Grant Morrison e do Mark Waid.
Afinal, convenhamos, o talento e criatividade de Greg Rucka e de Judd Winnick (principalmente este último) nem se compara ao da dupla supracitada.
Você pode ler a notícia completa em inglês na coluna de Rich Johnston no Comic Book Resources.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:34 AM
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Terça-feira, Setembro 27, 2005
Aos dezesseis anos, Johnny resolve ir embora de casa:
- Vou embora, mãe - anunciou -, vim só para dizer adeus.
Ela cobriu a cabeça com o avental e subitamente sentou-se e chorou. Ele esperou pacientemente.
- Eu devia ter adivinhado - ela soluçava. - Para onde? - perguntou finalmente, retirando o avental de cima da cabeça e olhando-o com um rosto crispado no qual havia uma ponta de curiosidade.
- Não sei, qualquer lugar.
Enquanto falava a árvore do outro lado da rua apareceu-lhe como uma visão luminosa em seu espírito. Parecia enconder-se debaixo das suas pálpebras e ele podia ver onde quisesse.
- E o seu emprego? - ela estremeceu.
- Não vou trabalhar nunca mais.
- Meu Deus, Johnny! - ela gemeu -, não diga isso!
O que ele tinha dito era uma blasfêmia para ela. Como a mãe que ouve seu filho amaldiçoando a Deus, a mãe de Johnny ficou chocada ao ouvir essas palavras.
- Mas o que é que entrou na sua cabeça? - ela perguntou, num falso apelo à autoridade.
- Imagens - ele respondeu. - Só imagens. Estive imaginando um bocado essa semana, sabe, e é espantoso.
- Não vejo o que isso tem a ver com as coisas - ela fungou.
Johnny sorriu pacientemente e sua mãe recebeu outro choque ao notar a persistente ausência de raiva e irritação.
- Eu explico - ele disse. - Eu vivo esgotado. E o que é que me esgota? Mover-me. Vivo me movendo desde que nasci. Estou cansado de viver me movendo, agora não vou me movimentar mais. Lembra de quando eu trabalhei na fábrica de vidros? Eu costumava amarrar trezentas dúzias por dia. Agora eu me lembro que fazia uma média de dez movimentos diferentes para cada garrafa. Isso dá trinta de seis mil movimentos por dia. Dez dias, trezentos e sessenta mil movimentos. Um mês, um milhão e oitenta mil movimentos. Deixo de fora os oitenta mil - ele falava com benevolência de um filantropo -, ficam um milhão de movimentos por mês, isto é, doze milhões de movimentos por ano.
"Na tecelagem eu me movo até duas vezes mais. Isso dá vinte e cinco milhões de movimentos por ano e eu me sinto como se vivesse me movimentando há quase mil anos.
"Bem, esta semana eu não movi nem uma palha. Durante horas não fiz sequer um gesto. E, nossa, foi magnífico ficar ali sentado horas e horas sem fazer nada. Eu nunca fui feliz antes. Nunca tive tempo algum. Vivi me movendo o tempo todo. E esse não é modo de ser feliz. Eu não vou fazer isso jamais. Só vou me deixar ficar, ficar e descansar, descansar e daí descansar um outro tanto."
Extraído do conto O Herege, que faz parte de De Vagões e Vagabundos, livro de contos auto-biográficos de Jack London. Publicado no Brasil pela L&PM.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:39 AM
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Segunda-feira, Setembro 26, 2005
Faltam dois meses...

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:39 PM
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Sábado, Setembro 24, 2005
Se eu segurar seu braço quando escurecer,
é porque tenho medo do que conheço,
e não por achar que você vá fugir,
mesmo que isto já tenha acontecido.
... mas se todos os caminhos levam a você...
... mas se o sono só vem depois de falar com você...
... mas se só sofro quando não estou com você...
... mas se não gosto de ontem porque não conhecia você...
Perdoe-me por mudar de religião...
Não me julgue por te chamar de menina...
Quando amo alguém fecho os armários...
e só vejo o que brilha mesmo no escuro.
Se não sigo outros verdes olhos,
nem penso demais neste mundo,
olhos castanhos não mudaram meus passos,
o passado é algo que te pertence.
... não me importo de onde você vem...
... não me convenceria de nenhum modo...
... nem em uma letra do Lou Reed...
... que é o que ouço quando penso...
(... em você...)
17 de Abril de 2004.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:09 AM
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Sexta-feira, Setembro 23, 2005
ressaca.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:10 PM
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Quinta-feira, Setembro 22, 2005

O selo firmeza é uma cortesia do camarada Luwig, do...

RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:01 PM
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Quarta-feira, Setembro 21, 2005
... no meu discman...
Raw Power - Lançado em 1973, este é o terceiro e último álbum do The Stooges, aqui sob a alcunha de Iggy and The Stooges.
Se você tocá-lo numa festa com gente interessante, pode ter certeza de que pouca sanidade restará no ambiente.
A música que abre esta obra-prima é Search and Destroy, simplesmente uma das melhores canções de todos os tempos.
Nas palavras do próprio Iggy Pop:
"Eu andava por Londres, pelo parque e coisa e tal, com uma jaqueta de leopardo que eu tinha, na verdade uma jaqueta de pele de cheetah - tinha uma grande cheetah nas costas - e, todos os velhos em Londres passavam por mim nos carros deles, paravam e me convidavam pra dar uma volta.
O que eu gostava de fazer era andar pelas ruas com o coração cheio de napalm. Sempre achei Heart Full of Soul (Coração Cheio de Soul) uma bela canção, por isso pensei: O meu coração está cheio de quê?
Concluí que estava basicamente cheio de napalm."¹
Agora a supra-citada estrofe inicial da letra e o refrão:
I'm a runaway son of a nuclear A-bomb
I am the world's forgotten boy
The one who searches and destroys
I am the world's forgotten boy
The one who's searchin', searchin' to destroy
And honey I'm the world's forgotten boy
The one who's searchin' only to destroy
Você não se recuperou, mas mesmo assim Gimme Danger começa:
and i'll give you a piece.
Gimme danger little stranger,
and i'll feel your disease.
There's nothing in my dreams,
just some ugly memories.
Kiss me like the ocean breeze.
Now if you will be my lover,
I will shiver and sing.
But if you can be my master,
I will do anything.
There's nothing left alive
But a pair of glassy eyes.
Raise my feelings one more time.
A seguir a infernalmente bela Your Pretty Face Is Going To Hell (Originally titled "Hard To Beat") e a agressiva luxúria sussurrante de Penetration fecham a primeira metade do álbum.
Começam então as músicas pra criançada dançar enquanto seus tímpanos se liquefazem.
A primeira é Raw Power:
Of the savage girl
Fall deep in love
In the underworld
Raw power is sure to come
Runnin' to you
Então chega I Need Somebody, e você dança coladinho naquela mina com cabelo grudado na testa e sussurra em seu ouvido:
I need somebody, too.
I need somebody, baby.
Just like you, just like you, just like you.
Shake Appeal é a música rockabilly para se mostrar aquele passinho de dança há muito aprendido e poucas vezes usado:
Shake appeal - move too fast to see
Move so fast
Move so fast
Poor little misery!
Death Trip encerra, e o pouco que sobrou de você escorre pelo chão.
[¹] - Declaração extraída de Mate-me Por Favor, de Legs McNeil & Gillian McCain. Publicado no Brasil pela L&PM.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:43 PM
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Terça-feira, Setembro 20, 2005
Franz Ferdinand
Disponibilizei nesta HD Virtual todas as faixas do novo álbum dos caras, You Could Have it So Much Better with Franz Ferdinand.
Discaço perfeito para animar festinhas.
A senha para acesso é solobonite.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:34 PM
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Segunda-feira, Setembro 19, 2005
Após ler todos os scans impressos que eu tinha perdido pela casa, não sei dizer ao certo o porque, mas me deu uma baita vontade de reler as histórias do Demolidor escritas pela Ann Nocenti.
Talvez tenha sido somente a lembrança do quão bom fora o trabalho da roteirista à frente do título, como recentemente o Luwig lembrou em seu The Pulse.
Como estava a fim de reler aquela fase em que o Demolidor sai de viagem pelo interior do estado de Nova Iorque, quando encontra o Coração Negro (filho do Mefisto), o Homem-Aranha, os Inumanos, o Blob e o Pyro, entre outros, resolvi começar a leitura pela Superaventuras Marvel # 115 (as histórias da Ann Nocenti começaram por volta número 70 da revista).
Lógico que para achar as revistas, perdi algumas boas horas em meio às milhares de hq's dispostas de uma maneira não tão organizada quanto deveria, e quando acabei localizando todas as edições, me bateu um sono e uma leseira irremediáveis, e acabei lendo apenas umas poucas.
De qualquer modo, hoje a saga continua.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 9:13 AM
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Quinta-feira, Setembro 15, 2005
Ontem acabei de ler todas as edições de Miracleman escritas por Neil Gaiman.
Ele consegue o que eu julgava impossível, manter o nível das histórias do Alan Moore, só que dando uma cara totalmente diferente a elas.
Gaiman introduz uma certa perspectiva que não havia anteriormente, e sem descartar nada, absolutamente nada feito por Moore, ele consegue recriar tudo, e ao leitor parece que estamos visitando aquele mundo pela primeira vez.
Não lembro de já ter visto/lido um roteirista de quadrinhos dar sequência a uma história praticamente perfeita de maneira tão magistral.
Batendo no mesmo ponto pela última vez: Gaiman mantém os inúmeros alicerces criados por Moore, e a partir daí cria uma obra ainda mais majestosa que ele.
Como estou sem tempo hoje, vou tentar postar outros adjetivos sobre estes números de Miracleman amanhã.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:14 PM
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Quarta-feira, Setembro 14, 2005
Miracleman
Miracleman foi o primeiro título a que tive contato por meio de scans, e apesar de ter impresso todas as edições há mais de um ano e meio e de ter lido apenas uns poucos, somente ontem acabei de ler as histórias escritas por Alan Moore.
Moore escreveu do número 1 ao 16, e praticamente revolucionou o conceito de super-heróis em quadrinhos.
Logo na primeira edição somos lançados dentro de uma história da década de 1950, assinada por Mike Anglo, criador de Miracleman (na verdade ele criou-o com o nome de Marvelman, mas devido a problemas autorais com uma tal de Marvel, já com Moore à frente do personagem, tiveram que mudar a alcunha da revista).
É uma típica trama da Era de Ouro dos quadrinhos, com todos os cacoetes, para não dizer um plágio descarado, do Capitão Marvel (Shazam!). Que por sinal já era considerado uma despudorada cópia do Super-Homem.
Alan Moore usa o passado de Miracleman para traçar um paralelo com o presente de Mike Moran, alter-ego do herói, que em 1982 leva uma vida normal com sua esposa, sem se lembrar de suas aventuras pretéritas.
Tendo repetidos sonhos em que se vê voando, e quando acordado sofrendo de fortes dores de cabeça, Moran acaba recuperando parte da memória quando confrontado por terroristas numa situação limite.
A partir daí Moore mostra um herói hesitante, que desconfiado de seus poderes, e cheio de dúvidas existenciais, começa a interagir com o mundo, e principalmente com a Londres ao seu redor.
É complicado falar da série sem estragar várias surpresas e sacadas genias do autor, como o fato de Kid Miracleman, um de seus parceiros juvenis (o outro era Young Miracleman, e juntos formavam a Família Miracleman), ter enlouquecido, e ser o grande vilão.
Como isto é revelado logo na primeira edição, não cheguei a estragar nada de muito relevante, ainda mais que o maior mérito do roteirista no título é subverter tudo feito no gênero de super-heróis, e construir de maneira gradual e inequívoca uma mitologia riquíssima, que culmina num final até que previsível, mas não menos genial.
A possível divindade dos superseres é sugerida, assim como o seu papel na evolução da espécie humana, e tudo de um jeito que só o talento já pungente de Moore conseguiria promover.
Apesar das dezesseis edições formarem um mosaico perfeito, com começo, meio e fim bem definidos, é a de número 15 que ultrapassa todos os limites até então conhecidos nas hq's.
Londres é palco, literalmente, de uma carnificina, e é praticamente toda destruída. Chuvas de mãos e cabeças arrancadas, pessoas empaladas no Big Ben, mães e crianças mutiladas gritando por ajuda... e tudo isto feito de modo minuncioso por um único e perturbado personagem.
Na boa, essa edição é uma das coisas mais absurdamente fodas que já li em toda a minha vida.
Apesar de considerar os X-men de Chris Claremont e John Byrne como os pioneiros nessa forma mais sombria de se ver heróis, é Miracleman que extrapola todas as escalas e abre caminho para outras obras fundamentais como O Cavaleiro das Trevas e Watchmen, além de outras mais recentes como Authority e Poder Supremo.
Chama a atenção que mesmo sendo um dos primeiros trabalhos de Alan Moore, Miracleman tem uma relevância e uma qualidade impressionantes, não devendo em nada para obras posteriores do autor.
Ainda que eu seja só elogios para o roteirista, vale também mencionar o belíssimo trabalho realizado pelos desenhistas Garry Leach, Alan Davis, Rick Veitch e John Totleben (lembrando que os dois últimos logo voltariam a trabalhar com Moore no não menos genial Monstro do Pântano).
É uma leitura formidável em todos os aspectos possíveis.
E ontem mesmo comecei a ler as edições subsequentes de Miracleman, escritas por Neil Gaiman, desenhadas por Mark Buckingham, e com capas de Dave McKean. Mas isto já é papo para um outro post...
Todos os scans a que tive acesso foi devido ao excelente site Miracleman Brasil.
Anton Arcane, auxiliado por vários outros, fez um trabalho sensacional, tanto na tradução quanto na realização das letras e demais peculiaridades das edições, como por exemplo nas notas de rodapé, que além de informativas, são extremamente espirituosas.
Um outro acesso que recomendo é o da explicativa e detalhada resenha do Sequart.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 11:23 AM
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Terça-feira, Setembro 13, 2005
LJA # 33
Se com o Joe Kelly as histórias da Liga da Justiça já não andavam grande coisa, com o "unânime" Chuck Austen é que agora o fundo do poço parece cada vez mais próximo.
Mais uma daquelas historinhas meia-boca que lemos inúmeras vezes: "Oh, não consegui salvá-lo. Eu falhei. Sou um péssimo herói".
Quando os heróis da DC se metem nesse tipo de enredo (na boa, a Marvel, e principalmente o Homem-Aranha que são ótimos nisso), quase nunca sai coisa de qualidade. Na minha opinião, uma honrosa exceção é a mini Veneno, da série Um Conto de Batman, quando o personagem falha ao salvar uma menina e acaba se viciando na droga (e que por sinal anos mais tarde seria o quitute preferido de um certo Bane).
Voltando à história da Liga, se o roteiro é uma besteira, os desenhos até que convencem, mesmo não sendo um dos melhores trabalhos de Ron Garney. Ele é um desenhista que necessariamente precisa de um arte-finalista.
O Flash de Geoff Johns, após a edição 200 (esta é a de número 208), deu uma considerável caída, e creio que isto se deve à mudança de rumo que o roteirista parece estar dando à série. Por enquanto a trama não engrenou, mas a perspectiva é que algo de bom saia daí.
A permanência de Howard Porter no título também deve render bastante, ainda que o considere muito inferior ao Scott Kollins, que a meu ver foi o artista que melhor trabalhou/entendeu o Flash/Wally West.
A metade final da revista é uma beleza, com duas histórias da Sociedade da Justiça.
A primeira é um inspiradíssimo vai-e-vem no tempo, que tenta instigar o leitor a advinhar o que acontecerá com a equipe num futuro próximo.
Geoff Johns conduz essa "viagem" magistralmente, e como tudo relacionado à SJA, o lance é tão despretensioso que torna-se espetacular a cada novo quadro, fazendo com que você esteja completamente envolvido com os personagens ao final (???) da trama.
A segunda é uma aventura que conta com a participação do Espectro/Hal Jordan, e salvo engano, me parece ter a ver, ainda que sutilmente, com a volta de Jordan à vida e ao posto de Lanterna Verde na minissérie Rebirth.
Esta é a única revista mensal DC (da Panini) que compro, e isto se deve a um nome: Geoff Johns.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:28 AM
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Quinta-feira, Setembro 08, 2005
Sopranos
O feriado foi totalmente tranquilo, no melhor estilo "jogado no sofá".
Como havia me dado de presente de aniversário a recém-lançada 2ª temporada da Família Soprano, comecei na noite de terça-feira uma maratona com 11 episódios da série (os dois primeiros já havia visto).
Já tinha assistido a todos os episódios no Sbt, mas não lembrava o quão bom era. Bom não, ótimo.
Uma coisa sensacional sobre The Sopranos, é que assim como os filmes do Stanley Kubrick ou os quadrinhos do Alan Moore, é algo que melhora a cada novo contato, por percebermos coisas que não havíamos percerbido anteriormente, o que dá uma vitalidade toda especial às obras em questão.
A lamentar somente a falta de legendas nos comentários, mas há o ponto positivo de terem incluído a dublagem original em português. Muito boa por sinal.
Igual a Tudo na Vida
Após assistir Dirigindo no Escuro tive a certeza quase plena de que Woody Allen perdeu a completa noção do ridículo.
O filme é tão patético que chegar a listar alguns de seus defeitos faz com que tenha mais mérito do que merece.
Então foi uma grata surpresa este Igual a Tudo na Vida (Anything Else).
O diretor coloca como centro de um de seus filmes gente jovem de verdade e não conquistadores neuróticos de sessenta anos (o próprio Allen por diversas vezes).
O casal principal formado pelo aqui competente Jason Biggs e pela deliciosa Cristina Ricci tem uma química fantástica, e a participação mais do que caricatural de Woody Allen também é louvável.
Um belo filme de um diretor que vinha cometendo mais erros do que acertos nos últimos anos.
Reino Sombrio
Li esta semana a minissérie em três edições que compila números de JSA e Hawkman.
O roteiro de Johns é espetacular, prendendo você do começo ao fim da trama.
Se fosse para falar de destaques, vale citar o Adão Negro, muito bem trabalhado por Johns, um certo estremecimento nas relações entre os integrantes da Sociedade da Justiça, e o melhor de tudo, a postura do Gavião Negro durante toda a saga.
Uma última menção deve ser feita às artes de capa das edições originais, todas belíssimas, feitas por John Watson.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:48 AM
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Sexta-feira, Setembro 02, 2005
Será que eu estava dopado quando te conheci?
Não segui as regras que me mantiveram vivo por tantos anos.
Esqueci de me manter afastado por algum tempo.
Entreguei mais do que deveria sem me dar conta disso.
Aonde estaria o remédio que poderia me curar?
Me levando para longe daquele vazio que um dia você iria causar.
Fazendo de mim um idiota que sabe a hora de parar,
antes de ter mais cicatrizes do que pudesse suportar.
Não quero a sua sombra de loucura sobre mim.
Estou pronto para deixar tudo que tivemos para trás.
Prefiro me perder no meio de estranhos,
a me machucar na sua presença tão comum.
Pare de gritar!
Pare de dizer que precisa disto.
Pare de inventar desculpas.
Pare de respirar por alguns minutos.
São Paulo, 20 de Fevereiro de 2005 - 13:15 - escutando QOTSA.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:15 PM
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Quinta-feira, Setembro 01, 2005
Billy Pilgrim havia acabado de ser abduzido por tralfamadorianos:
Dentro da escotilha havia duas pequenas vigias através das quais espiavam olhos amarelos. Havia um alto-falante na parede. Os tralfamadorianos não tinham cordas vocais. Eles se comunicavam telepaticamente. Conseguiram falar com Billy por meio de um computador e uma espécie de órgão elétrico que produzia todos os sons de fala terráqueos.
- Bem-vindo a bordo, Sr. Pilgrim - disse o alto-falante. - O senhor tem alguma pergunta?
Billy passou a língua pelos lábios, pensou um pouco e perguntou, afinal:
- Por que eu?
- Esta é uma pergunta muito terráquea, sr. Pilgrim. Por que você? Por que nós, se for por isso? Por que qualquer coisa? Porque este momento simplesmente é. O senhor já viu insetos presos em âmbar?
- Sim. - Billy, na verdade, tinha em seu escritório um peso de papel que era uma bolha de âmbar polido com três joaninhas dentro.
- Bem, aqui estamos, sr. Pilgrim, presos no âmbar deste momento. Não há porquê.
Extraído de Matadouro 5, de Kurt Vonnegut. Publicado no Brasil pela L&PM.