
As histórias do cegueta da Cozinha do Inferno continuam cada vez melhor.
Este último arco publicado, "O Rei da Cozinha do Inferno", só pra variar é uma pequena obra-prima assinada pela dupla Brian Michael Bendis e Alex Maleev.
A força, inteligência e dinamismo do roteiro, acrescido da beleza quase palpável dos desenhos, continua fazendo desta fase (Bendis) do herói, uma leitura obrigatória a todo fã de histórias em quadrinhos de alta qualidade.
O meu personagem favorito da Marvel sempre foi o Demolidor, e acho legal que no Brasil o potencial dele nunca tenha sido subestimado. Digo isso, porque pouquíssimo material regular dele deixou de ser publicado por aqui.
Ele teve quatro extraordinárias fases: Com Frank Miller (incluído aí o retorno dele com A Queda de Murdock, que conta com a arte de David Mazzuchelli); Com Ann Nocenti & John Romita Jr.; Com o cineasta Kevin Smith & Joe Quesada; E a atual com Bendis e Maleev.
Todas foram devidademente publicadas em Superaventuras Marvel (Abril), Marvel 2000 (Abril), Hulk & Demolidor (Panini) e atualmente no primeiro - e merecidíssimo - título solo do herói.
Fora os especiais como os recentes quatro volumes de Os Maiores Clássicos do Demolidor de Frank Miller - por sinal, um espetacular trabalho da Panini -, a ótima minissérie Demolidor: Amarelo, a republicação de A Queda de Murdock em formato americano (a primeira republicação da saga, que foi uma compilação em formatinho chamada Demolidor Especial # 2, foi a minha iniciação ao universo do personagem, e amor à primeira leitura), a graphic novel assinada por Frank Miller e Bill Sienkiewicz, a minissérie Demolidor: Homem Sem Medo, também roteirizada por Miller, e contando com a arte de John Romita Jr., além de vários outras edições menos essenciais.
Isto sem falar nos derivados Elektra: Saga, Elektra Assassina e Elektra Vive, mas isto já é viajar além da conta.
Claro que o cara também teve fases lamentáveis, e a principal ocorreu após a saída de Ann Nocenti do título, quando ocorreram momentos "magistrais" como Matt Murdock adotando um uniforme high tech, claramente inspirado na "inovação" tecnológica do novo Batman (A Queda do Morcego), ou a lastimável queda do Rei do Crime, numa série completamente esquecível de histórias patéticas.
Ainda assim acho que a má fase do personagem durou bem menos do que de outros de seus companheiros de Marvel Comics, e um dos principais trunfos neste aspecto foi o de dar chance a promissores talentos como eram os casos de Miller, Nocenti, Smith (oriundo do cinema) e Bendis.
Com a despedida de Bendis já marcada, fica a esperança para que o futuro continue trazendo glória ao defensor da Cozinha do Inferno, e boas histórias a nós, seus leitores.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:15 PM
Não enche!
Quinta-feira, Agosto 25, 2005
Kurt Vonnegut escreveu certa vez:
As pessoas que conheci com o passar dos anos freqüentemente me perguntavam com o que eu estava trabalhando, e eu normalmente respondia que o principal era um livro sobre Dresden.
Um dia disse isso a Harrison Starr, o cineasta. Ele ergueu as sombrancelhas e perguntou:
- É um livro de guerra?
- É - respondi - Acho que sim.
- Sabe o que digo às pessoas quando fico sabendo que elas estão escrevendo livros antiguerra?
- Não. O que é que você diz, Harrison Starr?
- Eu pergunto: "Por que você não escreve um livro antigeleiras?".
É claro que o que ele quis dizer foi que sempre haveria guerras, e que elas eram tão passíveis de serem evitadas como as geleiras. Eu também acredito nisso.
E mesmo que as guerras não continuassem existindo, como as geleiras, ainda assim haveria a boa e velha morte.
Extraído de Matadouro 5, de Kurt Vonnegut. Publicado no Brasil pela L&PM.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:54 AM
Não enche!
Segunda-feira, Agosto 22, 2005
Krzysztof Kieslowski
O Centro Cultural Banco do Brasil promove a partir de amanhã, 23 de agosto, até 4 de setembro, uma mostra com praticamente todos os filmes do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski.
É inegável que ele tem influência - ainda que não direta - do diretor Ingmar Bergman em seus filmes, mas isso é mero detalhe para alguém que constrói obras atemporais que em si próprias transmitem tanto uma humanidade complexa quanto uma simplicidade sufocante.
Dentre os que vi dele, são recomendadíssimos a óbvia Trilogia das Cores e Não Amarás.
Mas o que realmente chama a atenção dessa mostra é a oportunidade rara - quiçá única - de se assistir ao Decálogo completo.
O Decálogo trata-se de uma série de dez médias-metragens que o diretor produziu para a tv polonesa, e que tem como tema principal os dez mandamentos cristãos.
Inclusive dele saíram dois longas posteriores do diretor: Não Matarás e o supra-citado Não Amarás.
O Decálogo começará a ser exibido a partir de 31 de agosto.
Confira a programação completa da mostra.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:06 PM
Não enche!
Terça-feira, Agosto 16, 2005
Certa vez Hunter Thompson escutou um preocupado hell angel dizer:
"Cara, eu daria toda a erva do mundo pra arrumar a bagunça da minha cabeça".
Extraído de Hell's Angels, de Hunter S. Thompson. Publicado no Brasil pela Conrad Editora.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:10 PM
Não enche!
Sexta-feira, Agosto 12, 2005
... no meu discman...
High Time - Lançado em 1971, este é a rigor modo o segundo e último álbum do MC5.
É também um dos grandes discos da história do rock.
Ele abre com a belíssima Sister Anne, uma pauleira assinada pelo guitarrista Fred "Sonic" Smith.
Segue a primeira estrofe e o refrão:
She's a liberated woman, she's got her solution
Like a dinosaur, she's going off the wall
She's gonna make it her own crusade
She's got a heart of gold, gonna save a bitch's soul
From goin' down Satan's hot way
She can I know she can
I know she can
She's my Sister Anne
I used to say my prayers baby all night long
I'd listen to the Gospel ringing in my ears
Come on Sister Anne save me from my fears if you can
I know you can
I know you can
You're my Sister Anne
Na sequência vem mais um petardo de Smith, Baby Won't Ya, seguida da "doce" Miss X, de Wayne Kramer.
No entanto a sequência perfeita do álbum começa com o discurso político de Gotta Keep Movin':
They ridicule my wild ambitions
They say, "settle down son, live decently,
Or you'll rot in jail before your 23!"
They don't know their stuck in the past
Can't stop me now 'cause I'm movin' too fast
Presidents, priests and old ladies too
They'll swear on the Bible
what's best for you
Atom bombs, Vietnam, missiles on the moon
And they wonder why their kids are shootin'
drugs so soon
Young men fightin' for democracy
And sacrificed for mediocrity
A seguir uma simbiose perfeita entre música e letra, Future/Now. Uma das melhores canções que já ouvi.
Cortesia do vocalista Rob Tyner, esta vale colocar na íntegra:
They would have you believe the lies they shriek that all is lost
Forget their logical desperation, utilize your imagination
The future's here right now if you're willing to pay the cost
The power crazy leaders who control your very fate
They steal your will, twist your life and sell your soul away
If you're drifting or wandering lost, you're the perfect target for the double cross
Freedom's yours right now, if you rule your own destiny
Here they come, cosmopolitan auto man Here they plunder, interstellar diplomats
Some say the truth is meant to be hidden Others maintain nothing is forbidden
The key to the mystery And our _ mind explodes in a post atomic dawn
The future breaks like a tidal wave, engulfing everyone
Confusion and chaos, trauma of birth
A strange new day for the people of the Earth
Traditions, burned away by the rising sun
Mais duas obras de arte, Poison e Over e Over. Desta última a primeira estrofe e o refrão:
'Bout how we need a revolution, over and over
I was talking 'bout ecology, over and over
'Bout how we'll be saved by technology, over and over
While the cat next door spends all his time
Trying to think up new antisocial crimes
I said no, I said hang on a minute now
I set let me outta here
I said no, no, no
Chega o final do disco, e junto com ele a melhor música da banda em minha opinião, Skunk (Sonicly Speaking).
É um esporro de quatro minutos que começa com uma percussão fantástica, e que mantém uma linha de baixo e bateria que parece um chamado à revolução.
Fora que a melodia dela é de uma beleza assustadora.
Ideal para fechar um post que teve inúmeros trechos de letra e quase nenhum texto de minha parte. Também... o MC5 in loco é muito mais eloquente do eu jamais conseguiria ser explicando o por que dos caras serem tão bons.
I cried and scream when I saw my dream / It was dancing all around the room
Oh baby , I sing my song / I just couldn't wait for you
Energy, energy, played its trick / And I knew what I had to do
Baby baby that's no lie
Baby baby don't ask me why
Take it, bake it, break it up / Build it back together again
I'm trying to drive you / Tying it off, then take where it's never been
Sing it lewd, Try it in the nude, Try it standing on your head
Shake it, Fake it, crash it off / Now bring it on home to bed
Baby baby that's no lie
You sure find friends when your friends find time
Flying, soaring, topping it off / Riding on the crest of a wave
Power abounding as the music surrounds you / Sonically lighting your way
Oh baby, off we go / Heading for a brand new place
The song's been sung, the deed's been done / Staring you right in the face
Baby, baby watch your step
You know you really ain't seen nothing yet
Em tempo: O MC5, com os remanescentes Wayne Kramer (guitarra), Michael Davis (baixo) e Dennis Thompson (bateria), toca amanhã em São Paulo, no festival Campari Rock.
Desnecessário dizer que estarei lá.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 9:01 AM
Não enche!
Quarta-feira, Agosto 10, 2005
Se alguém se deu ao trabalho de ler o meu post de ontem, bem... ontem (!!!), vai perceber que alterei algumas coisas nele.
Entre as alterações está o óbvio título e o link para o artigo do SoBReCarGa.
Isto se deve ao fato do Artur Vecchi, responsável pelo site, prontamente ter me dado um feedback, além de ter retirado o artigo do ar.
Além de mencionar a atitude séria dele, vale também registrar um agradecimento ao Sidney Gusman, editor do Universo HQ, por intermediar o processo.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:05 AM
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Terça-feira, Agosto 09, 2005
Marvel MAX Especial em Dose Dupla
Navegando hoje por sites de quadrinhos, me deparo no SoBReCarGa com um artigo de Edvaldo Filho sobre a revista Marvel MAX Especial, que contém as últimas cinco edições do título Alias.
Lendo a bagaça, percebo várias semelhanças do artigo com uma resenha que escrevi sobre a mesma revista para o Universo HQ, e que foi publicada na última sexta-feira, 5 de agosto.
A bem da verdade, a parte boa é que - ao que parece - alguém lê minhas toscas resenhas.
Reproduzo abaixo alguns trechos, deixando as partes mais "parecidas" do artigo em negrito:
Parte do artigo: "A partir daí, os leitores de HQs eram mensalmente presenteados com histórias envolventes e extremamente empolgantes que divergiam de tudo que é ligado ao conceito de super-herói, concentrando a trama nos conflitos e nos casos da ex-super-heroína e agora detetive Jessica Jones, uma mulher ímpar nas HQs: desbocada, mal-humorada, cínica e, ao mesmo tempo, apaixonante por ser companheira, inteligente e humana. Ao longo da série, vimos as agruras que fizeram a personagem decidir que a vida de super-heroína não é para ela. Observamos a transição da doce e virginal jovem, que outrora atendia pelo codinome de Safira, para a mulher Jessica Jones que conhecemos e amamos."
Páragrafos não-sequenciais da minha resenha: "Ela é cínica, desbocada e mal-humorada, mas também é companheira, inteligente e apaixonante. Em suma, humana, demasiadamente humana.
Bagley desenha as aventuras da jovem Jessica Jones, quando atendia pela alcunha de Safira, e é de saltar aos olhos quando o heroísmo pueril de seus desenhos transforma-se no realismo inevitável de Gaydos.
Percebe-se instantaneamente que a doce garota virginal se fora, e com o rosto, corpo e cabelo mudados, vê-se a Jessica Jones que conhecemos e amamos emergir."
Outra parte do artigo:"Terminada a leitura de Marvel Max Especial 1, é mais apropriado dizer que estas foram as cinco últimas e melhores declarações de amor de Brian Bendis, Michael Gaydos e David Mack à Jessica Jones. A arte de Gaydos está sensacional, atingindo o seu auge na impressionante arte envolvendo o personagem Scott Lang, nas páginas 94 e 95. Gaydos entrosa bem com o ótimo Mark Bagley, desenhista especialmente convidado para ilustrar as cenas em flashbacks que mostram Safira em ação. Outro ponto alto é a utilização da metalinguagem, de uma forma um tanto quanto ambígua, por parte de Bendis. Tão genial quanto inusitada, faz com que aquele que está lendo a revista não tenha certeza se o personagem Homem-Púrpura, aqui revelado como importante elemento responsável pelas mudanças de Jessica, está conversando com o leitor do gibi em questão ou se está apenas sendo louco. Tudo é tão magistralmente apresentado que é fácil achar que Bendis tinha esta conclusão desde que iniciou a série."
Mais páragrafos não-sequenciais da minha resenha: "Michael Gaydos está sensacional em cada quadro, e tem seu ápice ao realizar uma arte assustadora, real e magnífica envolvendo o Homem-Formiga, nas páginas 94 e 95.
Entre inúmeros pontos altos deste último arco, um deles é Bendis utilizar-se de metalinguagem, mas de uma maneira um tanto quanto ambígua, fazendo com que aquele que lê a revista não tenha certeza se o Homem-Púrpura está conversando com ele, leitor, ou se está apenas 'sendo louco'.
Tudo é amarrado de maneira tão segura, tão correta, que fica difícil não achar que o roteirista tinha essa conclusão em mente desde o início da série."
O final do artigo: "Valeu cada centavo dos R$13,90 gastos com a aquisição da revista. ¤"
O final da minha resenha: "Pelo preço da revista esperava-se um trabalho mais cuidadoso por parte da editora."
Acessando o Universo HQ, dá para ler a minha resenha na íntegra.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:09 PM
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Sábado, Agosto 06, 2005
Deus Ex Machina
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:55 AM
Não enche!
Sexta-feira, Agosto 05, 2005
Maratona Seinfeld
No mês de agosto, o canal Sony promove todos os sábados, a partir das 16 horas, uma maratona com doze episódios seguidos de Seinfeld.
Cada dia será temático, sendo o primeiro sobre o trabalho, o segundo focado em relacionamentos, o terceiro com pessoas extravagantes e o último com os 10 melhores episódios, seguido do especial The Seinfeld Story.
Entre os episódios imperdíveis, estão The Bizarro Jerry, The Engagement, The Millenium, The Soup Nazi, The Junk Mail, The Marine Bliologist, The Yada Yada, The Opposite e The Contest.
A programação completa pode ser conferida no SoBReCarGa ou no site da Sony.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:58 AM
Não enche!
Quinta-feira, Agosto 04, 2005
Bob Quine, ex-guitarrista de Richard Hell & the Voidoids:
Nunca me tornei um junkie porque estava sempre assistindo "Dragnet" - e sabia que, se você fumasse um cigarro de marijuana, estaria assaltando bancos em duas ou três semanas.
Extraído de Mate-me Por Favor, de Legs McNeil & Gillian McCain. Publicado no Brasil pela L&PM.