"Em Janeiro sentia-se cansada de Nova York e do seu inverno. Queria ir ao México ou algum outro lugar mais quente, onde pudesse ver alguma coisa verde. E então, antes que pudesse refrear-se, Sammler dissera:
- Quente? Algo verde? Ora, uma mesa de bilhar no inferno estaria bem de acordo com essa descrição."
Artur Sammler a respeito de Angela Gruner, em O Planeta do Sr. Sammler, de Saul Bellow.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:38 PM
Não enche!
Terça-feira, Junho 28, 2005
... no meu discman...
Gravei há dez dias esta coletânea com 20 músicas de 20 diferentes discos. Todos lançados em 2005.
British Sea Power - Please Stand Up - Uma daquelas baladas grandiloquentes a la Doves, só que diferentes deles, o disco inteiro [Open Season] é ótimo, e não somente duas ou três faixas.
Kaiser Chiefs - Modern Way - Um dos vários sons em que viciei ultimamente. Típico rockão do novo milênio.
Queens of the Stone Age - In My Head - Um dos melhores discos do ano. A melhor banda do mundo.
Weezer - We're All On Drugs - O recém-lançado Make Believe traz mais do mesmo, mas ainda consegue proporcionar momentos inspirados.
New Order - Hey Now What're you Doing - De cara não curti muito o novo álbum dos velhinhos, mas depois de algumas audições mais atentas, me rendi a ele.
And you will know us by the Trail of Dead - Rest Will Follow - Um dos grupos mais barulhentos do rock em vias de se tornar uma mega-banda. Sensacional!
The Subways - Oh Yeah - É novo, é inglês, som pós-punk, e muito, muito bom.
Nine Inch Nails - The Hand that Feeds - Uma música pra não-fã de Reznor se perguntar porquê ainda não o é.
System of a Down - Radio/Video - Não curtia os caras. O verbo é conjugado no passado porque o novo disco, Mesmerize, é um esporro magnífico.
Oasis - Mucky Fingers - Eles voltaram em grande estilo. Para colocar todas as "novas bandas" das capas da NME em notinhas de rodapé.
Art Brut - My Little Brother - A melhor novidade do ano. Impossível não se render à trupe.
Raveonettes - Uncertain Times - A dupla dinamarquesa parece ter encontrado o meio-termo ideal entre as guitarras ruidosas e as melodias românticas.
Bloc Party - This Modern Love - Romântica, dançante e extremamente sexy.
White Stripes - Blue Orchid - Jack White manda bem sempre. Vide o recente show no Credicard Hall.
The Kills - I Hate the Way you Love - Grata surpresa de um disco maneiríssimo.
Hellacopters - Murder on my Mind - Eles estão cada vez mais rock'n roll e menos garage, mas ainda são ótimos, ainda mais se considerarmos que estamos em tempos em que Velvet Revolver é "sinônimo" de bom hard rock.
The Bravery - Fearless - À primeira escutada um Interpol com tecladinho. Depois... bem... talvez continue sendo, mas ainda vale um tento.
Coldplay - What If - Para lavar a alma com estilo.
Tori Amos - Parasol - Para afogar a alma. Não necessariamente a sua.
The Mars Volta - The Widow - Bem, só escutando esta para entender.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:39 PM
Não enche!
Quarta-feira, Junho 22, 2005
Conversa de Refeitório
"É lindo destruir palavras. Naturalmente, o maior desperdício é nos verbos e adjetivos, mas há centenas de substantivos que podem perfeitamente ser eliminados. Não apenas os sinônimos; os antônimos também. Afinal de contas, que justificativa existe para a existência de uma palavra que é apenas o contrário de outra? Cada palavra contém em si o contrário. 'Bom', por exemplo. Se temos a palavra 'bom', para que precisamos de 'mau'? 'Imbom' faz o mesmo efeito... e melhor, porque é exatamente oposto, enquanto que 'mau' não é. Ou ainda, se queres uma palavra mais forte para dizer 'bom', para que dispor de toda uma série de vagas e inúteis palavras como 'excelente' e 'esplêndido' etc. e tal? 'Plusbom' corresponde à necessidade, ou 'dupliplusbom' se queres algo ainda mais forte. Naturalmente, já usamos essas formas, mas na versão final da Novilíngua não haverá outras. No fim, todo o conceito de bondade e maldade será descrito por seis palavras; ou melhor, uma única. Não vês que beleza, Winston? Naturalmente, foi idéia do Grande Irmão - acrescentou, à guisa de conclusão."
"Por volta de 2050, ou talvez mais cedo, todo verdadeiro conhecimento da Anticlíngua terá desaparecido. A literatura do passado terá sido destruída, inteirinha. Chaucer, Shakeaspeare, Milton, Byron... só existirão em versões Novilíngua, não apenas transformados em algo diferente, como transformados em obras contraditórias do que eram. Até a literatura do Partido mudará. Mudarão as palavras de ordem. Como será possível dizer 'liberdade é escravidão', se for abolido o conceito de liberdade? Todo o mecanismo do pensamento será diferente. Com efeito, não haverá pensamento, como hoje o entendemos. Ortodoxia quer dizer não pensar... não precisar pensar. Ortodoxia é inconsciência."
"Qualquer dia, refletiu Winston, com convicção profunda e repentina, Syme será vaporizado. É inteligente demais. Vê demasiado claro e fala sem subterfúgios. O Partido não gosta de gente assim. Um dia ele desaparecerá. Está na cara."
Parágrafos não-sequenciais reproduzidos do livro 1984, de George Orwell.
Apesar de serem "não-sequenciais", os parágrafos fazem parte de uma mesma conversa entre os personagens Syme (é dele os dois primeiros) e Winston (é dele o último).
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:31 AM
Não enche!
Terça-feira, Junho 21, 2005
Uma noite ambígua, quente e fria
Um nó costumeiro na garganta
O silêncio que vem lá de fora
Medo que nada mais aconteça
A vida parece assim tão chata
Sonhos mais e mais entediantes
Promessas não cumpridas por nós mesmos
Lacunas que não podem ser preenchidas
Quero parar de pensar e de respirar
Não andar ou voar, correr ou saltar
Apenas imóvel à frente de uma sombra
Sorriso vazio e um olhar vago
Um dia claro até para minhas trevas
Dionísio parado ante o crucificado
Todas as coisas agora mais próximas
A certeza de um novo fim a cada esquina
02 de Abril de 2005. 23:18 hs.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:40 PM
Não enche!
Quinta-feira, Junho 16, 2005
Nestes últimos dias (meses?) estou com uma preguiça enorme de fazer posts elaborados, ou interessantes.
Em compensação ando lendo bastante [porcaria] e vendo um ou outro filme [tosco], além das costumeiras baladas [sangrentas].
O último livro que li foi o excelente On the Road, de Jack Kerouac, e já emendei com Hell's Angels, do Dr. Thompson.
Fora a tonelada de gibis, como Os Invisíveis, Planetary: Mundo Estranho, Preacher, Hellblazer, Livros da Magia, Hellboy: Sementes da Destruição, Monstro do Pântano: Raízes, Estranhos no Paraíso, entre outros.
Também reli algumas coisas de Sandman e todas as edições nacionais de The Authority.
É... não tenho muito mais a dizer.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:39 PM
Não enche!
Terça-feira, Junho 14, 2005
"A imprensa diária é o princípio maléfico do mundo moderno, e o tempo servirá apenas para revelar esse fato com uma clareza cada vez maior. A capacidade que o jornal possui de degenerar é ilimitada e sofisticada, uma vez que o nível de seus leitores pode sempre cair mais e mais. No fim, ela incitará toda a escória da humanidade que nenhum governo ou estado consegue controlar"
Sören Kierkegaard
The Last Years: Journals 1853-55
"Um bom repórter, se escolher a abordagem certa, consegue entender um gato ou um árabe. A escolha é o problema, e, se escolher errado, ele vai sair arranhado ou frustrado"
A.J. Liebling
*** As duas linhas de pensamento são citadas por Hunter S. Thompson no livro Hell's Angels, publicado no Brasil pela L&PM, e longe de dogmatizar o tema, conseguem fazer com que pensemos sobre o assunto com um pouco mais de seriedade. ***
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:14 AM
Não enche!
Segunda-feira, Junho 13, 2005
Reality Show?
Clique aqui e veja o primeiro Loctite Super-Bonder Reality Show.
A tosqueira nunca morre.
Mesmo.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:22 AM
Não enche!
Sábado, Junho 11, 2005

Ontem lendo a coluna do Lúcio Ribeiro na Pensata, fiquei curioso para escutar um tal de Art Brut. Principalmente devido aos trechos de letras citados pelo colunista.
Mas fiquei surpreso mesmo ao escutar a banda e perceber que ela é muito, muito melhor do que qualquer um conseguiria descrever.
Fazia bastante tempo que não escutava algo que de cara já me deixava meio pasmo, meio excitado, por achar aquilo tão foda, mas o Art Brut fez-me sentir deste jeito.
Abra agora o programa de compartilhamento de música que você tem e baixe não um som, mas o disco inteiro dos caras.
Repare nas letras, com muito, muito carinho.
E viaje. Viaje pra caralho.
Segue o trecho da coluna que fala da banda:
Pois, então. Há menos de duas semanas saiu na Inglaterra o espetacular primeiro álbum deste Art Brut, chamado "Bang Bang Rock and Roll". Aqui o negócio vai além da música punk pop tosca que rele de modo porco o som já porco dos Pistols e Buzzcocks. O Art Brut é um evento.
A banda é espelho de seu líder, o figuraça Eddie Argos, considerado por todo mundo como uma espécie de Jarvis Cocker (Pulp) moderno, por causa da sua capacidade de... conversar com a sua geração usando um microfone e letras maravilhosas. Um contador de histórias. E ele não viaja. Ele fala sobre coisas cotidianas pessoais, mas que dizem respeito à vida de qualquer moleque médio inglês. E fala muito, através suas canções, sobre a cena musical britânica. E nisso Argos lembra também o dotado do contemporâneo Mike Skinner, a mente por trás do Streets.
"Yes, this is my singing voice. It's not irony, it's not rock'n'roll. We are just talking to the kids", canta (canta?) Argos em "Formed a Band", a música que abre o album. Coisa de gênio.
A letra de "Formed a Band" é muito boa. "Formamos uma banda, formamos uma banda. Olha a gente aí. Formamos uma boa banda", começa gritando Argos. "Minha fofura, não sei como isso começou. Mas pode parar de comprar seus discos nos supermercados. Eles só vendem os que estão bem nas paradas. E o Art Brut? Bem, nós começamos só agora."
Na sequência vem "Little Brother", já bem citada aqui, a história do moleque indie que descobriu o rock. "Ele não ouve os hits. Ele me fez gravar para ele uma fita com piratas e B-sides", discursa Argos na música. E aconselha na última linha da canção: "Se afaste do crack".
É uma pedrada atrás da outra. No "hit" "Modern Art", ele vai a museus de Londres, Paris e analisa quadros. De um jeito punk.
Em "Bad Weekend", Argos zoa o semanário "New Musical Express", bíblia musical inglesa. "Faz tempo que eu não leio o 'NME'. Então não sei a que rótulo pertencemos", fala/canta, se referindo ao Art Brut.
Argos realmente pega o "NME" para Cristo, e não como "bíblia".
Tem um bootleg do Art Brut (não está no disco) que foi batizado de "NME Is My Enemy". Ele berra: "Eu não gosto do NME. Enemi é meu inimigo. Eu não quero saber se você o lê. NME é merda. Não leia o NME. NME é meu inimigo."
A ironia e o senso de diversão é a arma mais agressiva e também admirável de Argos.
E olha, vou falar: a música do Art Brut nem é tão ruim assim. Muito pelo contrário.
Tirando as músicas acima mencionadas, todas ótimas, tem a épica "Rusted Guns of Milan", um tratado sobre a maldita impotência na hora da transa e todas as encanações que isso dá. Não estou brincando: letra e música são excepcionais.
E ainda tem só a melhor canção do disco, "Emily Kane", uma das músicas mais lindas da Inglaterra desde "Fuck Forever", do Babyshambles.
É ultra-romântica. Uma declaração lascada de amor por uma namorada dos tempos de 15 anos, que, diz Argos na música, ele não vê tem 10 anos, 9 meses, 3 semanas, 4 dias, 6 horas, 13 minutos e 5 segundos. E que, dá para perceber, ele ainda é apaixonado.
"Eu ainda não entendo porque você me largou. Toda vez que eu vejo um casal se beijar, em lembro o quanto você me faz falta."
Para terminar, em inglês. "All my friends think I'm insane. I'm still in love with Emily Kane. Emily Kane, Emily Kane, Emily Kane!"
* A Emily Kane (verdadeira, tipo a Ana Júlia do Los Hermanos) apareceu no último show do Art Brut em Londres... Eles não se viam desde crianças e tal. Romântico, mas nem tanto. Ela levou o namorado ao show.
* Só mais uma. No disco tem a "Bad Weekend", mas também a "Good Weekend". Esta última é tão punk pop quanto Ramones podia ser. E, na letra, Argos tenta descolar uma nova namorada. E vai narrando as artimanhas. Até que vem a parte que ele canta, repetindo: "I've seen her naked. NAKED".
* Art Brut é muito arte bruta. O nome da banda é extremamente feliz. Que grupo eletrizante.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 11:15 AM
Não enche!
Sexta-feira, Junho 10, 2005
Os mesmos medos estão aqui.
Uma conhecida angústia.
O desejo de fugir por aí.
A certeza de estar parado.
Não há mais olhos para enxergar.
Nem um coração a bater.
Sequer uma alma à venda.
Apenas uma carcaça familiar.
A esperança surge de um lado.
A insatisfação acompanha calada.
Todo o resto parece tão tolo.
Gritos que vem de dentro.
Sonhos desconhecidos.
Dançando para sempre, para sempre...
25 de Fevereiro de 2005 - 23:00 hs.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:36 PM
Não enche!
Quinta-feira, Junho 09, 2005
Batman Begins
Já é notório que a campanha publicitária do filme é sensacional. Vide os trailers, imagens, pôsters e afins já divulgados.
Agora entre no SoBReCarGa e veja os banners "regionais" para o filme do morcegão.
Em tempo: Há um outdoor com a mesma invasão de morcegos, só que utilizando o monumento dos imigrantes, na av. Cruzeiro do Sul, aqui em São Paulo, próximo ao Shopping D.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:27 PM
Não enche!
Quarta-feira, Junho 08, 2005

A série Lost, exibida pela AXN todas as segundas-feiras às 20 (reprise da semana anterior) e 21 horas (episódio inédito), continua matando a pau no quesito "Só semana que vem? Caralho!".
É praticamente impossível não viciar na trama bem amarrada e no clima misterioso desta série que já desbancou 24 Horas (esta na verdade anda uma porcaria, mas deixemos quieto), e que disputa cabeça a cabeça com C.S.I. o posto de minha série preferida (The Shield e House estão correndo por fora).
Clique em Drive Shaft para saber mais sobre a ex-banda do rock star náufrago Charlie, e poder cantar junto (You All) Everybody.
E clique aqui para ler a revista do Flash e do Lanterna Verde, que conta com a participação de um certo urso polar.
Pena que a história não é em espanhol.
Os dois links foram despudoradamente roubados do BLOGZinE.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:45 AM
Não enche!
Segunda-feira, Junho 06, 2005
Shopping-Bunker
Na coluna de hoje do Alcino Leite Neto, publicada na Pensata, o assunto é a nova loja Daslu.
O artigo, que entre várias análises compara o formato arquitetônico e social da obra com um bunker, ficou excelente, e merece ser conferido na íntegra.
A propósito, assisti ontem ao filme A Queda! As Últimas Horas de Hitler. Espetacular! Mas falo dele outra hora.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 12:36 PM
Não enche!
White Stripes em São Paulo
Nem em meu mais bizarro sonho conseguiria imaginar que fosse tão bom.
Ainda estou meio abobado e comparando este ao show de 2003 no TIM Festival, para saber qual foi melhor.
Provavelmente nunca vou chegar a uma decisão, e a única certeza que tenho é que ambos foram inesquecíveis.
Escrevi outras bobagens no Mano News.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:37 AM
Não enche!
Quinta-feira, Junho 02, 2005
Mais um dia cheio de trampo.
Ainda bem que sábado tem show do White Stripes.
Sem muito tempo para escrever coisas pertinentes, só posso dizer que ontem assisti As Invasões Bárbaras, que mostra os personagens de O Declínio do Império Americano 18 anos depois.
Filme excelente.
Cheio de referências intelectuais interessantes, humor escancarado e discussões políticas, além de outras nuances que são abordadas de forma bem sutil, só deixando transparecer nas entrelinhas.
É tudo o que seu antecessor não é, legal de se assistir.