Poucos dias antes do vento começar,
a levar toda a dor para bem longe,
só haviam lágrimas,
aonde agora estamos pisando.
Não foi o melhor dos tempos,
não tinhamos nove anos e nem era verão,
mas também não parecia ser o fim,
e sim um mero infortúnio.
Viver era respirar com os pulmões de outra pessoa.
Sonhar com o abraço apertado,
junto a quem nos acalentava até dormir.
Este era o único tipo de vida que existia.
Os olhos podiam lacrimejar,
e o gosto do sal permancer por muito tempo,
e ainda assim nada podia nos quebrar ao meio.
Nas pontas dos dedos o calor da pele do outro,
a fragilidade casual de um coração,
uma voz sussurrando pequenos segredos,
e a triste vontade de que o tempo parasse para sempre.
16 de Setembro de 2004.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 11:49 AM
Não enche!
Sábado, Janeiro 29, 2005
Sábado e a Preguiça
Estou aqui no trampo, só de boa escutando um sonzinho, pensando em ir embora e esquematizar as baladas para a noite.
Uma parada já garantida é o show da banda de uns camaradas no Bar do Lê. Por enquanto eles estão tocando somente covers de bandas brasucas dos anos 80, e apesar do set list ser grande demais, é bem legal.
Ultimamente tenho lido a revista LJA: Liga da Justiça da Panini, já que esperei completar a coleção das edições que não tinha para ler todas em ordem cronológica. O melhor dela são as histórias do Flash de Geoff Johns e Scott Kollins, e a Liga do Joe Kelly e do Doug Mahnke. Os desenhos do Kollins são absurdos de tão bons. Sensacionais mesmo. Já os roteiros do Johns (a Sociedade da Justiça dele é legal, mas o Flash é muito superior) conseguem ser ainda melhores do que a fantástica fase do Mark Waid à frente do ligeirinho. Na Liga, os desenhos do Mahnke são ótimos, e lembram um pouco o Frank Quitely. A Mulher-Maravilha dele, por exemplo, é maravilhosa. Quanto aos roteiros, Joe Kelly é bom, e a saga Era Obsidiana: À Procura de Aquaman é interessante e muito bem conduzida, mas convenhamos que ele não chega perto dos seus antecessores Mark Waid e Grant Morrison. A fase deste último então, é a melhor coisa que li com o grupo de super-heróis mais poderosos da DC. Não tem uma história que não seja no mínimo destruidora.
De música tenho escutado muito dois discos do Manic Street Preachers, o Everything Must Go e o Lipstick Traces (eu já tinha o primeiro em "genérico", mas agora ganhei o original europeu de uma tia que sequer conheço).
Everything Must Go é o primeiro disco dos Manics após o aparente suicídio (é que ele sumiu próximo a um rio que é um notório ponto de suicídios) do guitarrista/letrista Richey James. Como o próprio título sugere, é o "seguir em frente" de uma banda ainda abalada pela perda. Baladas como A Design for Life, No Surface All Feeling e Small Black Flowers that Grown in the Sky, e porradas como Kevin Carter, The Girl Who Wanted to be God e Enola/Alone. Perfeição.
Lipstick Traces é uma coletânea dupla. No primeiro cd somente lados b, com destaque para Prologue to History, Socialist Serenade, Judge Yourself, Democracy Coma, Sepia e Bored out of my Mind. No segundo cd somente covers, com versões quase celestiais para Out of Time dos Rolling Stones, Rock'n Roll Music do Chuck Berry, It's so Easy do Guns'n Roses, Train in Vain do The Clash, Been a Son do Nirvana, Wrote for Luck do Happy Monday's, Raindrops Keep Falling on My Head de Burt Bacharach, Take The Skinheads Bowling do Camper Van Beethoven, e várias outras. Perfeição ao quadrado.
Quadrinhos e música. Minha vida tem se resumido a isso. Claro que também tem o álcool e as drogas controladas, mas isto é assunto para um outro post. Claro, se eu sobreviver a mais um final de semana.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:45 AM
Não enche!
Quinta-feira, Janeiro 27, 2005
Mesmo com vários lances a comentar, como filmes e shows que assisti em dvd, ou quadrinhos que li, estou com uma preguiça dos infernos, e para ajudar, o micro aqui do trampo está um lixo. Lento como o governo Lula.
Apesar disso, consegui postar algumas coisas no indefectível Mano News.
Nada de sensacional, mas quem espera isso de um blog, não deve ter expectativas das mais altas.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:12 PM
Não enche!
Quarta-feira, Janeiro 26, 2005
Pornochanchada na cabeça
O site no mínimo publicou uma ótima matéria sobre a pornochanchada.
Nela há detalhes do documentário a ser dirigido por Nathaniel Leclery, e um bom, ainda que curto, apanhado sobre as obras do gênero cinematográfico brasileiro mais assistido em todos os tempos.
Clique aqui para ler a matéria.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 12:42 PM
Não enche!
Sexta-feira, Janeiro 21, 2005
Requiem para uma HQ
Deu no Omelete que Darren Aronofsky, o diretor do ótimo PI e do maravilhoso Requiem para um Sonho, está escrevendo sua primeira história em quadrinhos para o selo Vertigo, da DC Comics.
A história será uma adaptação de seu novo longa-metragem, The fountain, que ainda não tem data de estréia.
Sabe-se lá o que o cara vai aprontar, já que mesmo a trama do filme é mantida num quase total segredo, mas que ele tem crédito depois do que me proporcionou no cinema, isto ele tem.
Para ler a matéria completa, clique aqui.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 12:45 PM
Não enche!
Quinta-feira, Janeiro 20, 2005
Assisti ontem no cinema...
Código 46.
O filme gira em torno do casal interpretado por Tim Robbins (O Jogador, Sobre Meninos e Lobos...) e Samantha Morton (Poucas e Boas, Minority Report...), e tem como pano de fundo uma espécie de mundo futurista, que ao mesmo tempo tem certas nuances pós-apocalípticas.
A impressão que tive quanto ao mundo mostrado é que ocorreu uma grande guerra, que pode ter sido nuclear, devido a como as pessoas nas áreas mais áridas se vestem e ao seu medo de um contato direto com os raios solares (!!!), ou viral, que é o mais provável. A possibilidade desta última é bem mais evidente devido a vários vírus que são citados durante o filme, e mesmo à importância que é dada a alguns deles para o desenrolar da trama.
Agora falando da história...
Imagine os personagens do Jim Carrey e da Kate Winslet em Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças se encontrando na Tóquio de Encontros e Desencontros. Imaginou? Agora tire todas as qualidades que fizeram destes filmes duas pequenas obras-primas. Tirou? Acrescente algumas tomadas áreas inspiradas, um visual pós-apocalíptico no estilo Mad Max e várias referências a Admirável Mundo Novo. Acrescentou? Pois bem, isto é Código 46.
Há outras similaridades com Brilho Eterno... e Encontros e Desencontros. Do primeiro vem a inevitabilidade, aquela coisa de predestinação que faz um casal se conhecer, e também uma edição menos rigorosa das imagens, no sentido de que a trama, apesar de linear, nem sempre aparenta sê-lo. Do segundo, além da fotografia que mostra uma Xangai nos mesmos moldes de Tóquio, inclusive com direito a ida a karaokê, há também o tipo do relacionamento entre ambos, que apesar de ter que acontecer, também terá que ter um fim. No entanto neste, o fim não é uma opção do casal, mas sim uma imposição de terceiros (Grande Irmão?).
O quesito trilha-sonora também aproxima Encontros... e Código 46. Ambas são excelentes e neste tem até um bônus que é a participação de Mick Jones do The Clash cantando Should I Stay or Should I Go. A alusão da letra à situação do personagem do Tim Robbins naquele instante em particular é bem óbvia, mas não é de toda má. Os dois filmes também terminam com baladaças. Um com Just Like Honey do Jesus & Mary Chain, o outro com A Warning Sign do Coldplay. Músicas diferentes mas com um mesmo objetivo, recorrente e já citado aqui: Alusão explícita (até demais) da letra com o momento pelo qual passa o personagem.
Dito isso...
Apesar de tentar mostrar uma trama romântica um pouco diferente do usual, ou ao menos ambientada de maneira mais original, é o mesmo tipo de baboseira que já vimos dezenas (seriam centenas?) de vezes no cinema. A diferença para com os outros filmes aqui citados, no mesmo tema, é que falta carisma aos personagens. Eles não conseguem te passar o que sentem, e quando conseguem, não há naturalidade em tais sentimentos.
O diretor Michael Winterbottom, o mesmo de 24 Hour Party People e Bem-vindo a Sarajevo, conseguiu fazer um filme medíocre, que nada mais aparenta do ser um apanhado de virtudes de outros filmes. Pode não ter sido intencional, mas que parece uma colcha de retalhos muito da vagabunda, parece.
Outros Pontos de Vista: Tem uma resenha bem interessante no Terra. Clique aqui para lê-la. Vale avisar para quem ainda não assistiu, que o autor revela em sua análise boa parte do que acontece no filme.
Em tempo: Quando saí do cinema, tinha achado o filme muito, mas muito pior. Mas devido às cervejas e Domecq que se seguiram, assim como ao papo com os amigos, e a uma dor de cabeça pontual no instante em que escrevo estas linhas, até que ele não parece tão podre agora. Ruim sim, mas nenhum Moulin Rouge da vida.
*** Parte deste post foi feito ao som de Little Sister, música do novo disco do fantástico Queens of the Stone Age ***
RICARDO MALTA BARBEIRA - 11:24 AM
Não enche!
Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
... no meu discman...
Electronic - Este é o primeiro álbum do projeto homônimo da dupla Bernard Sumner e Johnny Marr, oriundos do New Order e do Smiths, respectivamente.
Lançado em 1991, o projeto na época foi definido pela revista Bizz como "o super-grupo para acabar com todos os outros". Não sei se isto foi alcançado, e sequer se era o pretendido, mas que resultou em discos sensacionais, isto resultou.
A sonoridade lembra New Order, mas tem diferenças fundamentais, como o vocal de Sumner que está mais limpo e melodioso, o baixo menos presente, e o principal, arranjos de guitarra inspiradíssimos e com uma verve roqueira de primeira, que tudo leva a crer que foram feitos em sua maioria por Johnny Marr.
Alguns ótimos sons são Reality, Get the Message, Tighten Up, Gangster e Idiot Country.
O disco também conta com a participação de Chris Lowe e Neil Tennant, os Pet Shop Boys, nas faixas Patience of a Saint e Getting Away With It. Esta última por sinal é provavelmente a música mais conhecida do Electronic.
Um álbum que mostra com precisão que a mistura de rock com sintetizadores e sons eletrônicos pode resultar em pequenas maravilhas.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:35 AM
Não enche!
Terça-feira, Janeiro 11, 2005
Liga da Justiça: Ano Um
Continuando a minha insana meta de reler todos as grandes histórias em quadrinhos que tenho, acabei ontem de ler todas as edições de Os Melhores do Mundo, da Abril.
Entre as que li de um mês para cá está Os Melhores do Mundo # 21 (ao lado), aonde começa Liga da Justiça: Ano Um.
É uma minissérie em doze capítulos, escrita por Mark Waid e Brian Augustyn, e desenhada por Barry Kitson. Ela foi publicada em cinco edições da revista, concluindo no número 25 (abaixo).
É uma trama que mostra o primeiro ano da equipe composta por Flash/Barry Allen, Lanterna Verde/Hal Jordan, Aquaman, Ajax e Canário Negro.
Invasões alienígenas, a arrogância de Jordan, a imprensa pegando no pé, um Flash gente finíssima e um puta líder, vários vilões toscos, e o melhor, diálogos e mais diálogos sensacionais. Inúmeras vezes assim que acaba de ler um, você é obrigado a relê-lo, só para ter a mesma boa sensação novamente.
Na época da publicação, lembro que fiquei puto, porque para publicar esta minissérie, deram um tempo nas histórias do Grant Morrison à frente da Liga. Hoje em dia, agradeço que a Abril não tenha pulado esta mini, como já havia pulado, e continuaria pulando, tanta coisa boa (alguém sussurrou Flash do Mark Waid?).
Estas cinco edições, assim como a maioria de Os Melhores do Mundo, podem ser facilmente achadas em sebos, a um preço bem razoável.
Em tempo: Vale lembrar que a dupla Mark Waid e Barry Kitson atualmente está reunida no novo título Legion of Super-Heroes. Ainda não li nada, mas promete ser muito bom.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:57 AM
Não enche!
Quinta-feira, Janeiro 06, 2005
Em memória
Will Eisner morreu, e como não poderia ser de outro modo, o Universo HQ publicou a melhor matéria sobre a vida e obra deste inigualável mestre dos quadrinhos.
Clique aqui para começar a viagem.