45 é o número da Besta
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:30 PM
Não enche!
Quarta-feira, Outubro 27, 2004
Kill Bill 2
No Mano News falei sobre o Volume 1 e agora falo sobre a conclusão de Kill Bill.
Algo que acabou sendo bem legal foi eu ter assistido num dia o primeiro e no dia seguinte o segundo. Isto acabou reforçando a impressão mais que certa de que se trata de uma única obra, que foi dividida em duas por causa de caprichos ($$$) do estúdio.
Neste Volume 2 os diálogos inspirados que faltaram na primeira parte dão as caras, assim como tudo que tem de bom nos trabalhos do diretor.
O banho de sangue neste é obviamente menor, e a trilha-sonora um pouco inferior, mas é um complemento maravilhoso a tudo que foi mostrado no primeiro volume.
Os destaques são o treinamento da "noiva" com direito a todo o tipo de referência a antigos filmes de artes marciais, a luta 'inteira' dela com a "caolha", e todas as aparições de Bill.
Uma Thurman e David Carradine são atores canastrões ao extremo, mas enquanto ela tem alguns bons momentos e outros nem tanto, ele está sublime em todas as vezes em que aparece como o bam-bam-bam Bill. O cara mata a pau mesmo!
Quem também arrebenta é o arroz-de-festa Michael Madsen, como um legítimo assassino-looser.
Kill Bill não chega nem perto da perfeição de Pulp Fiction, ou da fabulosa inventividade de Cães de Aluguel, mas ainda assim é um trabalho fantástico de Quentin Tarantino, que apesar de que muitos pensem o contrário, baseia-se muito mais na construção das imagens na tela, do que na excelência do roteiro.
Não que o roteiro seja deixado de lado, mas é bem menos importante do que as imagens que são passadas.
Longe disto ser um demérito, é apenas uma constatação de que Quentin Tarantino que sempre teve como força principal seus fabulosos roteiros, pode também ser excelente nos aspectos visuais, que são igualmente fundamentais às maiores obras do cinema.
24 Hour Party People
Assisti novamente ao filme no cinema, já que parece que ele nunca será lançado por aqui em vídeo ou dvd, e por isto mesmo coloco as mesmas tosqueiras que escrevi a respeito dele no Mano News, em 28 de Junho de 2003:
Sabadão de sol e eu aqui no trampo, mantendo as páginas do iG um bom lugar para se navegar. Doce ilusão! Podem me chamar de "filho-da-puta dos pop up's".
Como não tenho nada para fazer - muito provavelmente quem está lendo essas linhas neste blog também não tem -, vou falar a respeito do último filme que assisti no cinema: "A Festa Nunca Termina (24 Hour Party People)", de Michael Winterbottom.
É a saga de Tony Wilson e de algumas bandas que ele descobriu, como o Joy Division - posteriormente, o New Order - e o Happy Mondays. A história que gira em torno do próprio Wilson, de Ian Curtis - vocalista do Joy Division que suicidou-se em 1980 - e de Shaun Ryder - vocalista dos Happy Monday's que suicida-se em doses homeopáticas até hoje -, começa com a explosão do punk em 1976 e o show dos Sex Pistols em Manchester, e vai até a era "Madchester" das batidas hipnóticas, dos vocais chapados e das longas noitadas dançantes regadas a muito ecstasy.
O melhor é que não há a pretensão de se fazer um tratado sobre Manchester, ou de fazer apologia ao uso de drogas ou ao não-uso delas, e muito menos o de tornar Curtis um mártir do povo das profundezas (alguém pensou em Oliver Stone e Jim Morrison?). Contribui para isto o fato da filmagem ser um tipo de pseudo-documentário - há várias cenas reais de shows como o dos Sex Pistols e dos Buzzcocks -, do narrador Wilson falar o tempo todo com a câmera, e principalmente, o de ninguém que está na tela achar que aquilo é um filme do Ingmar Bergman. Se você começar a levar a sério toda vez que o Shaun Ryder é chamado de gênio, é melhor ir ouvir Arnaldo Antunes e começar a levar a sério esse papo de ser chato. As atuações são boas, mas destacam-se o Steve Coogan como Tony Wilson, e o Sean Harris como Ian Curtis. O Harris dá um show de "não-atuação". Parece que ele some do filme, e que você só o vê em cena com o cantodo olho. Sei que a explicação é meia-boca, então assiste o filme que depois a gente troca umas idéias.
Agora falando da trilha-sonora: Puta que pariu! Não sei se é a melhor trilha de filme que existe, mas com certeza é o melhor filme que uma trilha já teve. Já começa com os Happy Monday's e a homônima "24 Hour Party People" nos créditos de abertura, e durante o restante da hora e meia vai ter Joy Division levando "Digital", "She's Lost Control" e uma versão muito 'batuta' de "Louie Louie", Buzzcocks com "Ever Fallen in Love", Sex Pistols obliterando "No Fun" dos Stooges, no que sempre achei a melhor cover já feita em todos os tempos - está certo que a versão que tem no filme é diferente da que tenho em casa, e os gritos epiléticos do Joãozinho Podre fazem toda a diferença, entre ter seu braço arrancado, e de te espancarem até a morte com ele -, New Order com a "Blue Monday" podraça e a linda "Here to Stay", além de que os Monday's voltam com "Kinky Afro" e a celestial "Hallelujah".
Chapado é pouco para um filme que faz desde os primeiros minutos, com que você tenha vontade de levantar da poltrona e sair dançando pela sala, e que ao terminar, faz bater uma nóia doida demos festejar para sempre, seja em Barbados, seja na Moóca.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:14 AM
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Quinta-feira, Outubro 21, 2004
Um conto na íntegra do velho Bukowski.
Cerveja no bar da esquina
Não sei há quantos anos foi, quinze ou vinte. Eu estava sentado em minha casa. Era uma quente noite de verão e eu me sentia embotado.
Saí pela porta e desci a rua. Passara da hora do jantar para a maioria das famílias, e elas se sentavam vendo suas TVs. Fui até o boulevard. Do outro lado da rua tinha um bar de bairro, construção antiga, com um balcão de madeira pintado de verde e branco. Entrei.
Após quase uma vida inteira passada em bares, eu perdera inteiramente o gosto por eles. Quando queria alguma coisa para beber, geralmente pegava numa loja de bebidas, levava para casa e bebia sozinho.
Entrei e encontrei um banquinho distante da turma. Não estava contrangido, apenas me sentia deslocado. Mas se queria sair, não havia nenhum outro lugar aonde ir. Em nossa sociedade, os lugares interessantes, em sua maioria, ou são ilegais ou muito caros.
Pedi uma garrafa de cerveja e acendi um cigarro. Era mais um barzinho de bairro. Todos se conheciam. Contavam piadas pesadas e viam TV. Só havia uma mulher, velha, num vestido preto, peruca ruiva. Tinha uma dúzia de colares e acendia um cigarro atrás do outro. Comecei a desejar estar de volta ao meu quarto, e decidi ir para lá depois de acabar a cerveja.
Entrou um sujeito e pegou o banquinho junto ao meu. Não ergui o olhar, não estava interessado, mas pela voz imaginei que fosse mais ou menos da minha idade. Conheciam-no no bar. O garçom do balcão chamou-o pelo nome e uns dois fregueses o cumprimentaram. Ele ficou sentado junto a mim com sua cerveja por três ou quatro minutos; depois disse:
- Oi, como vai?
- Vou indo bem.
- Novo no bairro?
- Não.
- Não vi você aqui antes.
Não respondi.
- De Los Angeles? - ele perguntou.
- Principalmente.
- Acha que os Dodgers ganham este ano?
- Não.
- Não gosta dos Dodgers?
- Não.
- De quem você gosta?
- Ninguém. Não gosto de beisebol.
- De que é que gosta?
- Boxe. Tourada.
- Tourada é cruel.
- É, tudo é cruel quando a gente perde.
- Mas o touro não tem uma chance.
- Nenhum de nós tem.
- Você é negativo pra caralho. Acredita em Deus?
- Não no seu tipo de deus.
- Que tipo?
- Não sei ao certo.
- Eu vou à igreja desde que me lembro.
Não respondi.
- Posso lhe pagar uma cerveja? - ele perguntou.
- Claro.
Vieram as cervejas.
- Leu sobre as cinquenta meninas que morreram queimadas naquele orfanato de Boston?
- Li.
- Não foi horrível?
- Acho que foi.
- Você acha que foi?
- É.
- Não sabe?
- Se eu estivesse lá, acho que teria pesadelos o resto da vida. Mas é diferente quando a gente apenas lê sobre a coisa nos jornais.
- Não sente pena das cinquenta meninas que morreram queimadas? Elas se penduravam das janelas gritando.
- Acho que foi horrível. Mas a gente vê isso apenas como uma manchete de jornal, uma matéria de jornal. Na verdade não pensei muito nisso. Virei a página.
- Quer dizer que não sentiu nada?
- Na verdade, não.
Ele ficou um momento calado e tomou um gole de sua cerveja. Depois gritou:
- Ei, aqui tem um cara que diz que não sentiu porra nenhuma quando leu sobre aquelas cinquenta órfãs que morreram queimadas em Boston!
Todos olharam para mim. Baixei o olhar para meu cigarro. Fez-se um minuto de silêncio. Então a mulher de peruca vermelha disse:
- Se eu fosse homem, chutava a bunda dela por toda a rua acima e abaixo.
- Ele também não acredita em Deus! - disse o cara junto a mim. - Odeia beisebol! Adora touradas, e gosta de ver menininhas morrerem queimadas!
Pedi outra cerveja ao garçom, para mim. Ele me empurrou a garrafa com repugnância. Dois rapazes jogavam sinuca. O mais jovem, um garotão grande de camiseta branca, largou o taco e aproximou-se de mim. Ficou atrás de mim enchendo os pulmões de ar, tentando tornar o peito maior.
- Isso aqui é um bom bar. A gente não gosta de babacas por aqui, a gente cobre eles de porrada.
Eu o sentia parado às minhas costas. Peguei a garrafa, servi no copo, bebi e acendi um cigarro. A mão perfeitamente firme. Ele ficou ali parado por algum tempo, depois acabou voltando para a mesa de sinuca. O homem sentado a meu lado desceu de seu banquinho e afastou-se.
- O filho da puta é negativo - ouvi-o dizer. - Odeia as pessoas.
- Se eu fosse homem - disse a mulher de peruca vermelha - fazia ele pedir o penico. Não suporto esses sacanas.
- É assim que falam caras tipo Hitler - disse alguém.
- Verdadeiros panacas cheios de ódio.
Tomei a cerveja, pedi outra. Os dois caras jovens continuavam jogando sinuca. Algumas pessoas saíram e os comentários sobre mim começaram a morrer, exceto no caso da mulher de peruca vermelha. Ela ficava cada vez mais bêbada.
- Canalha, canalha... você é um verdadeiro canalha. Fede como uma fossa! Aposto que odeia seu país também, não odeia? Seu pai, sua mãe e todo mundo mais. Ah, eu conheço vocês! Canalhas, canalhas covardes vulgares.
Acabou saindo lá pela uma e meia da manhã. Um dos garotos que jogavam sinuca saiu. O de camiseta branca sentou-se na ponta do balcão e falou com o cara que tinha pago a cerveja pra mim. Às cinco para as duas, eu me levantei devagar e saí.
Ninguém me seguiu. Subi o boulevard, peguei minha rua. As luzes das casas e apartamentos estavam apagadas. Havia uma cerveja na geladeira. Abri e bebi.
Depois tirei a roupa, fui ao banheiro, mijei, escovei os dentes, apaguei a luz, fui para a cama, me deitei e dormi.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 9:38 AM
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Terça-feira, Outubro 19, 2004
Grant Morrison e a Liga
O primeiro trabalho de Grant Morrison à frente da nova revista Justice League of America foi publicado por aqui nos números de 9 a 12 da saudosa Os Melhores do Mundo da Abril.
Com certeza é uma das melhores sagas da Liga que já li, se não for a melhor.
O arco é dividido em quatro partes, e cada uma delas tem o nome de um filme clássico sobre alienígenas. A primeira tem o nome de Eles!, a segunda de O Dia em que a Terra Parou, a terceira de Guerra dos Mundos e a última de Invasores de Marte
A história começa com a chegada à Terra de um grupo de alienígenas auto-denominados Hyperclan. Eles afirmam que vieram para salvar o planeta, e ao invés de simplesmente começar a caçar criminosos a torto e a direito, eles resolvem se envolver a fundo com o problema, alterando aspectos geográficos e climáticos do Deserto do Saara, além de outros problemas da humanidade, como a fome por exemplo.
Óbvio que tudo revela-se um estratagema visando a dominação do planeta.
Depois da insana e divertidíssima Liga da Justiça da dupla Keith Giffen e J.M. DeMatteis, e da horrosa fase conduzida por Dan Jurgens e pelos demais tapados que o seguiram, estava mas do que na hora dos peso-pesados da DC Comics voltarem à equipe.
É bom frisar que nos "peso-pesados" é deve ser incluído o roteirista Grant Morrison, que com esta pequena saga já mostra a que veio, tornando a revista uma campeã de vendas nos Estados Unidos.
O escritor consegue produzir uma das melhores tramas da Liga em todos os tempos. Complexa sem ser inteligível, com o tamanho exato, e com personalidades muito bem definidas para cada um dos personagens. De longe, é a melhor participação do Batman na equipe até então (o soco no Guy Gurdner não vale).
Na sequência, Morrison continua matando a pau, colocando anjos, inimigos jurássicos, e demais bizarrices de sua torpe mente escocesa regada a quilos de ervas proibidas nas histórias da Liga da Justiça.
Os Melhores do Mundo foi uma das melhores (!!!) revistas da DC já publicadas por essas terras.
Além dos astros principais, ainda havia espaço para as ótimas aventuras do Aquaman de Peter David, algumas sagas soltas como Segunda Gênese da Mulher-Maravilha, produzida por John Byrne, e as fantásticas histórias do Flash, de Mark Waid.
A lamentar é que nesta época a Abril pulava histórias às dezenas.
A fase de Waid no Flash, por exemplo, teve mais de trinta histórias puladas, enquanto que tramas meia-boca como as do Lanterna Verde/Kyle Rayner, Superboy e Mulher-Gato eram publicadas quase que na íntegra.
Não faz falta alguma no mercado de hq's de super-heróis uma editora que não dava a mínima para o leitor e fã de quadrinhos, seja na continuidade das histórias, seja nas respostas grosseiras da seção de cartas.
Que eles fiquem com Spawn, que é o que merecem.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 9:53 AM
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Segunda-feira, Outubro 18, 2004
Esta foi uma das poucas coisas que escrevi nos últimos tempos de que realmente gostei.
Um dia desses ainda faço uma música para fazer par com esta letra.
Continuo me movendo como de costume,
atrás de alguma coisa que não sei ao certo o que é.
Pode ser uma festa legal ou um barzinho bacana.
Na verdade, talvez eu esteja procurando você.
Não sou de fazer o tipo de perdidamente apaixonado,
nem vou esconder o meu sarcasmo dos seus amigos,
mas quero ficar lesado contigo numa manhã de domingo,
acordar te abraçando, sussurrando sacanagem no teu ouvido.
Poderia te ver dançando a noite inteira,
meio hipnotizado, meio bêbado pela sua beleza.
Passando a mão pelos seus cabelos,
tentando sentir teu cheiro sem te tocar.
Continuo me movendo como de costume,
esbarrando nos muros chapiscados da minha rua.
Com um copo de conhaque nas mãos,
cuspindo seu nome depois de uma briga qualquer.
Quero olhar nos seus olhos e dizer algo que não seja babaca.
Controlar meu ódio pelo resto dos seres humanos.
E mais do que tudo, agora que encontrei você,
quero que o resto da minha vida comece.
20 de Setembro de 2004.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 12:46 PM
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Sábado, Outubro 16, 2004

Assisti ontem O Sétimo Selo.
Fazia quase um ano da última vez que o vi, e mesmo achando-o maravilhoso, não me recordava o quão sensacional ele é.
Puta que pariu! É uma hora e meia em que todos os questionamentos do homem para com deus são impiedosamente explorados. O personagem Antonius Block, interpretado magistralmente por Max Von Sydon, é de uma nobreza e angústia em suas questões, que chega a ser comovente.
Pode parecer falta do que escrever, e talvez até o seja, mas não dá para falar muito do filme. São tantas incertezas jogadas, tantos medos que se multiplicam e uma sensação de impotência que só fazem preencher o hiato entre a noite de nosso nascimento e o dia de nossa morte.
E fora tudo isto, ainda tem a magnífica Bibi Andersson como Mia, a esposa de Jof. É como ter um orgasmo sueco a cada sorriso.
Como filmes de Bergman e mulheres belíssimas sempre andam juntos, outra beleza rara é a jovem que o escudeiro Jöns salva de ser estuprada. Ao aparecer em primeiro plano, seu rosto, sem uma expressão definível, sempre se ilumina. Não tenho certeza, mas acho que o nome da atriz é Gunnel Lindblom.
Depois dessa futilidade masculina, para fechar o post com um pingo de dignidade, segue um diálogo extraído do filme:
Antonius Block: Quem é você?
Morte: Eu sou a Morte.
Antonius Block: Você veio por mim?
Morte: Eu tenho andado ao seu lado por muito tempo.
Antonius Block: Eu sei.
Morte: Você está preparado?
Antonius Block: Meu corpo está com medo, mas eu não.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:17 AM
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Sexta-feira, Outubro 15, 2004
O Sétimo Selo
Voltou a ser exibido hoje na sala Oscar Niemeyer do HSBC Belas Artes o filme do diretor Ingmar Bergman.
O Sétimo Selo é simplesmente uma obra-prima, que merece ser vista e revista até que seus olhos caiam por não merecer tamanho prazer.
A sessão é única, às 19 horas.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 12:26 PM
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Super-Homem, o Filme
Em homenagem a Christopher Reeve, morto esta semana, hoje às dez da noite, o SBT vai exibir o primeiro longa metragem da franquia Super-Homem.
Não sei se o canal manteve a mesma dublagem clássica, mas mesmo assim é imperdível.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 12:04 PM
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Mostra Internacional de Cinema
Saiu no Omelete a relação de filmes que serão exibidos na 28ª Mostra Internacional de Cinema.
Entre centenas de fitas que serão exibidas, algumas que chamaram minha atenção:
Herói (Hero), de Zhang Yimou;
Sideways, de Alexander Payne;
Casa de Areia e Névoa (House of Sand and Fog), de Valdim Perelman;
Gosto de Sangue, de Joel Cohen;
Terra da Fartura (Land of Plenty), de Win Wenders;
Steamboy (Steamboy), de Katsushiro Otomo;
Spartan, de David Mamet;
Capitão Sky e o Mundo do Amanhã (Sky Captain and the World of Tomorrow), de Kerry Conran;
A Noite Americana (Day for Night), de François Truffaut;
A Queda da Casa de Usher (The Fall of the House of Usher), de Jean Epstein;
Vera Drake, de Mike Leigh;
Os Sonhadores (The Dreamers), de Bernardo Bertolucci.
Uma novidade: O média-metragem A Queda da Casa de Usher, de 1928, terá o acompanhamento de um dj em suas exibições.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 11:43 AM
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Quinta-feira, Outubro 14, 2004
... no meu discman...
--- Evil Heat --- O último albúm de estúdio do Primal Scream continua o massacre sonoro iniciado por seu antecessor, Xtrmntr.
Entenda-se "massacre sonoro" como uma mistura fenomenal entre rock sessentista lisérgico e setentista progressivo, algo das primeiras guitar bands dos anos oitenta, e muita música eletrônica, com ênfase para um lado mais epilético, típico do tecno da segunda metade da década de noventa.
Essa viagem referencial do último parágrafo pode ser exemplificado com coisas como Syd Barrett, 13th Floor Elevators, Rolling Stones, Yes, New Order, Jesus & Mary Chain, My Bloody Valentine, M.A.R.R.S. e Chemical Brothers.
O porrâ-loca Bobby Gillespie faz de seu Primal Scream uma banda que não tem fases e sim discos. Cada um diferente de todos os anteriores, ainda que com certos elementos recorrentes.
Não há como deixar de se surpreender a cada novo trabalho do grupo.
Falando especificamente deste Evil Heat, temos pequenas viagens como Deep Hit of Morning Sun, grandes viagens como Autobahn 66, A Skanner Darkly, Some Velvet Morning e Space Blues #2.
As maravilhas do disco são Miss Lucifer, com a tradicional levada neurótica da banda, Detroit, que conta com o vocal de Jim Reid, e a soberba Lord is my Shotgun.
Esta última tem na gaita (harmonica se preferir) a participação do sem-comentários Robert Plant. Uma barulheira infernal que com certeza não agradará fãs xiitas de Led Zeppelin.
O melhor de tudo é que logo eles estarão por estas terras, fazendo shows com repertório baseado em sua coletânea Dirty Hits, lançada no ano passado.
É esperar a noite chegar, tomar um ácido e ouvir a revolução explodir seu cérebro em pequenos hemisférios de insanidade.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:49 AM
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Quarta-feira, Outubro 13, 2004
Você pode olhar para todos os lados,
guardar seus segredos, colocar as mãos nos bolsos,
sorrir docemente para a pessoa a seu lado,
e ainda assim não ser nada para ninguém em qualquer parte do mundo.
Os rostos cada vez mais turvos na memória,
dias iguais confundindo-se na mediocridade,
sensações que não se confirmam reais,
medos absolutos que envergonham a alma.
Quadras e quadras percorridas de cabeça baixa,
olhando para pés que se movem por hábito,
que de tão castigados já não sangram mais,
apenas permanecem como uma brincadeira terrível.
Todas as vidas que fizeram parte destas linhas,
quaisquer pensamentos perdidos antes de uma vírgula,
um verso que não rima e uma palavra que não descansa,
a certeza de um fim e a dúvida do porquê.
São Paulo, 10 de Outubro de 2004.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 1:30 PM
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Segunda-feira, Outubro 11, 2004
Sabe aquela luz branca que comprei ontem?
Ela ficou negra e me levou junto.
Meu cérebro ficou perdido nas trevas,
e a alegria pareceu mais distante.
Enchi meus bolsos com luz branca,
e hoje à tarde comecei a pensar,
numa maneira de não parar,
e me vi estatelado no chão da cozinha.
A luz branca me envolveu por completo,
enquanto o calor dela me secava.
Tudo pareceu incrivelmente perfeito,
por um tempo longo demais.
Fui abandonado num canto escuro,
aonde sequer a luz do sol bate.
Procurei em todos os bolsos e nada.
Não havia luz branca alguma para mim.
Encostei minha cabeça no travesseiro.
Fechei os olhos por alguns instantes.
Cruzei os braços sobre meu peito.
Sonhei com a luz branca pela última vez.
24 de Abril de 2004.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 2:09 PM
Não enche!
Quarta-feira, Outubro 06, 2004
Documentário sobre Alan Moore
Saiu no Omelete uma ótima matéria sobre o documentário The mindscape of Alan Moore.
Pela detalhada descrição de Joaquim Ghirotti, o filme parece ser excelente.
No final do texto ainda há lugar para a "esperança" de que ele seja exibido na 28ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre agora no final de Outubro.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:01 AM
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Terça-feira, Outubro 05, 2004
Novos Titãs
Começava em Novos Titãs # 78, da Editora Abril, a 'assim chamada' Saga dos Titãs Contra os Gnus.
O já conhecido inimigo do grupo, que até então pensava-se ser um único indíviduo, na verdade era uma grande organização com inúmeros membros, que diferenciavam-se pelos números em suas luvas.
Tudo começa (ou nos é levado a crer) com um plano de vingança dos Gnus contra os Titãs. Eles sequestram praticamente toda a equipe, e os únicos que podem descobrir seu paradeiro são Steve Dayton, ex-Mento e pai do titã Mutano, e o Exterminador, pai do também titã Jericó.
Com direito a vários membros mortos, vários outros acrescidos às fileiras do grupo, e a revelação de um já 'previsível' traidor, foi a maior saga dos Novos Titãs, extendendo-se até o número 92 da revista.
Não vou descrever com maiores detalhes a história, exatamente para não tirar o prazer de seus possíveis novos leitores. No entanto posso dizer, que juntando elementos de grandes sagas dos Titãs como O Contrato de Judas e A Saga de Trigon, esta saga dos Gnus mostrou-se instigante, mantendo um clima de mistério e de "tudo pode acontecer" até a última edição.
Após o fim dela muitos leitores reclamaram do espírito "Joselito" de Marv Wolfman, que matou trocentos personagens, virando o grupo de ponta cabeça. Não acho que este tenha sido um erro do roteirista. Na minha opinião o erro do autor foi 'achar' que poderia a partir daí renovar os Titãs, quando claramente era a hora dele dar no pé e deixar algum outro assumir o título.
Apesar de depois desta saga ainda haver tempo para a razoável Caos Total (Novos Titãs # 96 a 100), a saga dos Gnus foi claramente o canto de cisne do roteirista Marv Wolfman. Depois dela só vieram histórias ridículas, como o Cyborg sendo incorporado a uma espécie de planeta tecnológico sapiente, ou o patético casamento de Asa Noturna e Estelar.
Quando chegou a desprezível maxi-saga Zero Hora, ninguém mais se importava com os Titãs, e depois de anos no ostracismo da DC, com alguma tentativa de volta (todas horríveis) vez ou outra, parece que atualmente nas mãos de Geoff Johns, os jovens heróis podem retomar seu lugar ao sol.
Nesta nova revista dos Novos Titãs, da Panini, tenho preferido as histórias dos Renegados, com Asa Noturna e Arsenal, às histórias dos Titãs, mas que elas prometem melhorar com o tempo, isto prometem.
De um modo ou de outro, dar uma relida nas antigas histórias dos Titãs é sempre uma otima pedida, ainda mais nesta fase, que foi a primeira do grupo que li e que numa época de vacas magras dos X-men (era a interminável saga em que toda a equipe ou morreu ou passou pelo 'Portal do Destino', deixando somente o Wolverine na parada) era a melhor coisa que eu lia, e que me fez gostar mesmo da DC, já que até então somente o Batman me chamava a atenção para a editora.