Primeiro poema tosco pós-carnaval.
***
Sonhando
Por que espero não cometer os mesmos erros novamente?
Odeio esta esperança que chacoalha minha razão.
Minhas certezas acabam ruindo como sempre acontece.
E uma vez mais me encontro miseravelmente só.
Pode ser a última vez que teimo em acreditar,
mas uma parte de mim sabe que é mais uma mentira.
Ainda que demore o dobro do tempo,
em algum momento irei fraquejar.
Posso confrontar tudo aquilo em que ponho os olhos,
e mesmo assim não vejo os tons de cinza que destróem.
E quando me sinto tolo por não enxergar o óbvio,
descubro que passei a vida me lamentando.
Cedo ou tarde, toco as feridas já cicatrizadas,
e sinto que nem tudo está perdido.
Estas marcas são fortes por si só,
e me lembram de onde vim.
Estes dias são velhos demais para mim,
e também não servem para os céticos.
Alguma doença poderia me levar,
para qualquer lugar longe daqui.
Tudo está acontecendo da mesma maneira,
e não há nada que eu possa fazer para impedir.
Agora resta sentar e assistir,
todos os pequenos detalhes que estão por vir.
E se meu coração provou estar errado,
enquanto minha mente sempre à frente,
resta o consolo de ter sonhado,
ainda que tenha acordado antes do final.
São Paulo, 8 de Fevereiro de 2004.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:43 AM
Não enche!
Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004
Última parte desta tosca trilogia.
Triste Mentira ( 3ª Parte )
Você pode me tratar do jeito que quiser.
Não é a primeira vez que sou chamado de bastardo.
Acharei meu próprio caminho nem que seja à força.
Chega de ouvir seus lamurientos pedidos.
Sua compaixão na verdade é pena de si mesma.
Pare de tentar justificar seus erros.
Pare de escutar somente as palavras que quer.
Estou rindo de sua inevitável desgraça.
Achou que podia levantar-se facilmente?
Mas não é a fé que nos torna fortes.
Pensou que a verdade te levaria a algum lugar?
Ficar sozinho não é passar uma noite em claro.
Não há liberdade quando a prisão não tem muros.
Somos tão fracos e cheios de medo,
que não vemos onde realmente vivemos.
Nosso próprio mundo é uma ruína.
Anos passam e continuamos morrendo,
cheios de orgulho, sedentos de esperança.
Beijamos nossa tristeza em meio a lágrimas,
e sentimos que a mentira é nossa verdadeira vergonha.
São Paulo, 2 de Setembro de 2000.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:40 AM
Não enche!
Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004
Orgulho da Manhã ( 2ª Parte )
Não consigo parar de olhar os quadros que pintei.
Os dramas coloridos que insisto em colecionar.
Pequenas chamas que continuo mantendo acesas.
Não quero que me queimem, mas quero seu calor.
Eu sei que o passado são as lembraças que levamos,
mas não serão essas glórias que me farão morrer.
Antes, quero um beijo cheio de amor e ódio, quase perfeito.
Mesmo sabendo que ele seria o fim de todos os sonhos.
Continuo mentindo sem dar-me conta do motivo.
Estou perdido, e não tenho respostas.
Pediria ajuda, mas o orgulho é minha vergonha.
Como eu deveria me sentir?
Afundo em um lago cheio de esperança.
Vou na desgraça me prendendo pouco a pouco.
Meu coração continua batendo, mas logo vai parar.
Como eu deveria me sentir?
Não posso esperar por uma salvação.
Gostaria de viver uma vez mais.
Com o sol da manhã vem um grito de dor.
Como eu deveria me sentir?
São Paulo, 1º de Setembro de 2000.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 11:51 AM
Não enche!
Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004
Essa é a primeira parte de uma trilogia de poemas bem da vagabunda.
Mesmo assim, acho que é uma tosqueira que vale um qualquer.
Beijo da Morte ( 1ª parte )
Sinto um medo que obscurece a razão,
e não são suas palavras que irão me consolar.
Sinto um frio que preenche meu coração,
e seu carinho desta vez não vai adiantar.
Eu posso ver os sonhos que realizei,
e percebo as vidas que destruí.
Não tenho remorso dos erros que cometi,
mas choro pelos amores que deixei de conhecer.
Gostaria de beijar seu rosto e esquecer tudo.
Com você em meus braços não haveria passado.
Poderia até ignorar minha dor,
mas sua morte é algo que me faz sorrir.
Ladrões como nós, não merecem uma despedida.
Somos ratos deixando o navio que afunda,
somos sombras que se passam por seres humanos.
Tratados como iguais, deixamos que a ilusão seja a redenção.
Como me sinto ao saber que isso é o fim?
Olho pra você, porque preciso amaldiçoar alguém.
Como me sinto em relação a você?
Não é só a mim que a morte vai beijar.
São Paulo, 31 de Agosto de 2000.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:47 AM
Não enche!
Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004
Um poema do ano passado.
... O Fim...
Agora que a tristeza escolheu um lado,
posso ser eu mesmo finalmente.
Como já disse em algum momento,
a liberdade um dia vai ser minha.
Volto meus olhos para o presente,
mas não faço a mínima questão.
Talvez tenha desejado esses dias,
em alguma brincadeira inocente.
E se no primeiro instante vacilei...
tenho o cair da noite para me redimir...
enquanto um aviso perde o sentido...
e todas as coisas parecem simples...
hesitantes em si mesmas...
quando as lágrimas escorrem...
pelo rosto de meu mundo...
manchando os sonhos que um dia tive.
Depois de andar pelas estradas de sempre,
percebo que não tenho ninguém a meu lado.
Estou livre para criar minha prisão,
com muros mais altos do que meu terror.
Rezando sem saber ao certo como fazer,
pecando sem dar o devido valor,
buscando um Deus que não está em lugar nenhum,
me afogando nas preces em que acredito.
Penso que chegou o momento de fazer...
aquilo que adormece pelos cantos.
Um abraço que me enche de coragem,
lembrando do homem que já fui.
Algum destino que não escolhi,
escrito para me destruir...
acendendo chamas que não conhecia...
apresentando casas cheias de ódio...
e conheço os amigos que foram negados,
pedindo que seja um deles...
desejando meus mesquinhos segredos...
beijando as cicatrizes que escondo,
e que nada pedem em troca...
despertando meu mais aveludado ódio,
abrindo meus olhos para o passado,
enquanto me aproximo do fim...
e amaldiçoo aquilo que conheço...
escalando meus próprios tormentos...
rastejando com a cabeça erguida...
e um sorriso final para concluir...
a destruição de todo carbono que consigo distinguir,
e continuarei a gritar o que por último escolhi...
... odeio tantos, mãe.
... odeio tantos, pai.
... odeio todos, mãe,
pelas promessas que não conseguiram cumprir.
... e morrerei levando tantos...
pintando quadros de minha vingança,
vendo os tolos ajoelhados pedindo perdão,
e seus braços em torno de mim...
e cantarei a canção de meu próprio Deus,
que está em tudo que acredito...
... eu estava certo, mãe...
... eu estava certo, pai...
... eu estava certo sempre...
... e agora posso descansar em paz.
"São Paulo, 14 de Abril de 2003 - 03:42hs"
RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:25 AM
Não enche!
Terça-feira, Fevereiro 03, 2004