Videodrome

 
             

   
 
 

Sábado, Janeiro 24, 2004

 
Estes são os primeiros poemas que escrevi em minha vida.
São a ponta de um iceberg muito do tosco.

Existir

Para ti que me condena,
dou meu amor sincero,
que age como perdão,
e acabo com sua presunção.

O que resta é somente a sensação,
de ter sido amado por alguém,
a quem dei meu coração.

De forma tão bem grata,
por paixão de chamas mil,
que agora se apagam,
como se nunca tivessem existido.

***

Barreiras

Por pouco não te conheci,
mas por sorte consegui,
o amor de seus olhos,
que a mim nada falavam,
e somente eram fitados,
pois neles encontrava...
o que em mim faltava.
Felicidade pura e constante,
que em mim se esconde,
por detrás de crostas,
tão duras quanto espessas,
que a ti nada interessam.

( entre o dia 1º e 6 de Setembro de 1993 - Não tenho certeza de qual foi o "primeiro primeiro", mas acho que foi o Barreiras )

RICARDO MALTA BARBEIRA - 11:36 AM


Não enche!

Sábado, Janeiro 17, 2004

 
Este poema fecha uma compilação que fiz há muito tempo atrás, e é literalmente em memória de um colega do primeiro ano de faculdade que se suicidou.

Guardo até hoje as letras originais e traduzidas de The Celebration of Lizard do Doors, que ele me deu.
Mas o que mais lembro, é da última vez que o vi, em que compartilhei com ele uma certa substância ilícita.

Pode parecer besta, mas se a vida não passa de um apanhado de momentos, aquele com certeza foi um momento legal, então que eu fique com a lembrança dele por mais algum tempo.

Em memória

Tanta coisa aconteceu e nada realmente me surpreendeu.
Ao meu redor continua uma crosta de estranhos sentimentos.
Cada vez mais, sinto que estou perdendo o controle,
e o pouco de lucidez que ainda me acompanha.

Amigos vem e às vezes vão,
e não adianta chorar ou idolatrar.
Somente resta aos vivos enterrar seus mortos,
entre orações várias e calorosas lembranças.
Não é a incerteza de uma espécie de loucura,
ou a indignação por um irremediável ato,
mas sim um sentir vazio, com a falta de algo bom,
mesmo sendo questionável em demasia.

Queria poder não dedicar estas linhas a ninguém,
mas fazemos o que devemos, e nem sempre o que podemos.
É meio que mesquinho escrever estas palavras,
ausentes de um real conteúdo e de um verdadeiro sentimento.
Contudo, creio que continuamos a andar,
rumo a um amanhecer ou algum outro sofrer,
cheio de pétalas de rosas e lágrimas pelo chão,
por mais que sejamos humanos e não cães.

São Paulo, 17 de Maio de 1997.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:44 AM


Não enche!

Quinta-feira, Janeiro 08, 2004

 
Kick Up the Fire, and Let the Flames Break Loose - The Cooper Temple Clause

Comprei a algum tempo o disco do Cooper Temple Clause, mas confesso que não tinha curtido muito na primeira escutada.

Bem, tudo mudou numa manhã de Natal...

"The Same Mistakes" já abre o disco com aquela cara de CTC, que é aquele tipo de canção que começa na maior humildade e vai subindo, subindo, subindo, até que explode e você acha por bem abaixar o volume, mas acaba por tascar um 'foda-se' e resolve colocar o som no talo. A letra e a melodia dela são maravilhosas. Quando você se dá conta, está escutando uma baladaça que possivelmente te faz pensar: "cacete, é a música do ano". Tá certo, confesso que pensei isto na hora, mas antes que eu me decidisse, começa "Promises Promises", que é uma porrada do começo ao fim. Muita microfonia, riffs de guitarra que somente eles - e o Jack White - conseguem fazer, e já começo a achar que quando escutei o cd pela primeira vez, coloquei ele ao contrário, só pode.

a terceira faixa é "New Toys", que é uma balada que começa a ousar um pouco mais no experimentalismo, mas não muito, depois tem a pesada "Talking to a Brick Wall", com um comecinho a la "Atmospheres" da trilha de 2001 e uns sons estranhos aqui e outro ali, e na sequência vem "Into My Arms", que começa como uma balada, tem uns vocais à capela maravilhosos no meio, e uma barulheira desgraçada no final. A palavra que veio à minha cabeça foi cacofonia das boas.

a segunda metade do album abre com mais uma de foder, "Blind Pilots". Tudo que o Placebo tentou este ano com o Sleeping with Ghosts e não conseguiu: Soar diferente de tudo que havia feito sem perder em qualidade sonora. Se tem um som que pode fazer o mais tosco dos indies curtir o som deles, é exatamente este. Para quem já escutou o CTC, sabe que a voz do Ben Gautrey lembra bastante a do Liam Galagher, e nesta em particular, chega ao ápice da similaridade. Depois vem "A.I.M." e "Music Box". As duas seguem o mantra 'Experimentalismo, sequenciadores e uma puta fuzarca sonora'. A primeira é mais rápida, mais pesada, e tem uma letra firmeza, com frases românticas de responsa como: "Oh my Sweet Love, My Beautiful Disease the Bullet to my Knees". Já a segunda, também tem uma boa letra, um caminhão de efeitos legais, além de belos riffs de guitarra. Estas duas canções, tem um lance, que é o que mais gosto na banda, um estilão trágico, apoteótico, e barulhento para caralho, e que acho que diferencia o CTC das demais bandas de rock "da hora". É como se no mundo bizarro, houvesse uma banda que misturasse o melhor do Queen, do Sonic Youth e do Jesus & Mary Chain. Bom? Imagine!

a faixa nove, "In Your Prime", é uma baladinha fraquinha que passa despercebida depois de tanta coisa boa.

se para abrir, mostraram a "cara" deles, para fechar, fazem o mesmo, com "Written Apology". Dez minutos de: "humildade, porrada, humildade, gentileza, porrada, chute na lombar, tiro na nuca, humildade, letargia, coma, espasmos, distúrbios mentais, objetos voando pelo quarto, cabeças explodindo na sala de espera, pânico, metadona na veia, gelatina, queijo branco, humildade, últimas palavras, aparelhos sendo desligados". Entendeu? Não? Então escuta a música, e se você passar pelos "distúrbios mentais", a gente troca umas idéias.

já havia feito minha lista de melhores discos de 2003, mas com certeza vou ter que colocar o disco do Cooper Temple Clause ao lado dos do Black Rebel Motorcycle Club, Kings of Leon e White Stripes.

sem problema, lista de melhores é que nem a pasta de mp3 do seu computador, sempre cabe uma tosqueira a mais.

assino em baixo o que é dito na letra de "The Same Mistakes": "and a chance to make up for all those mistakes, but please don't get me wrong, cos everything was honest, true and from the heart".

RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:54 AM

Não enche!

 
É o único poema que decorei em toda a minha vida, e tem um significado todo especial.
A bichice é tamanha, que nem vale falar nada a respeito.

Canto de Amor

Pra ti, formosa, o meu sonhar de louco.
E o dom fatal, que desde o berço é meu.
Mas se os cantos da lira achares pouco,
pede-me a vida, por que tudo é teu.

Se queres culto - como um crente adoro,
se preito queres - eu te caio aos pés.
Se rires - rio, se chorares - choro,
e bebo o pranto que banhar-te a tez.

( Casimiro de Abreu )

RICARDO MALTA BARBEIRA - 7:58 AM


Não enche!

Segunda-feira, Janeiro 05, 2004

 
O primeiro do ano.

Ainda um covarde

E foi quando meu sangue escorreu.
Tanta raiva em minhas mãos,
mas quando nosso medo levantou,
meus olhos cheios de ódio,
saltados quando dei por mim.
E quanta satisfação em saber enfim,
que quando precisei de paz,
quanto mais desgraça, melhor...
Sonhando ou quando acordado,
entorpecido com quanta farmácia pudesse...
Distorcido quando sóbrio deveria,
e destruído com um quanto de lágrimas.

Tentando desaparecer...
caso um dia tivesse existido.
Me despedindo...
se alguém tivesse me conhecido.

... e poderia fechar meus olhos,
sem nunca ter estado aqui.
Descansando finalmente...
sem merecer entretanto.

São Paulo, 09 de Junho de 2001 - 01:08 hs - "Kid A"

* Nem preciso comentar o quão chapado eu estava, certo?

RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:04 AM


Não enche!
 

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"i'm paranoid, but i'm not an android"