Videodrome

 
             

   
 
 

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

 
De volta ao Brasil depois de duas semanas a trabalho na Argentina.

Claro que também rolou diversão...



Pena que aqui a coisa é diferente.
RICARDO MALTA BARBEIRA - 5:20 PM

Não enche!

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

 
Uma citação do Neil Gaiman que já conhecia e que reli ontem no Blog do André Forastieri.

Casa perfeitamente com o dia de hoje e com todos os outros. Os que ficaram no passado e aqueles que ainda não vieram.

“I’ve been making a list of the things they don’t teach you at school.

They don’t teach you how to love somebody.

They don’t teach you how to be famous.

They don’t teach you how to be rich or how to be poor.

They don’t teach you how to walk away from someone you don’t love any longer.

They don’t teach you how to know what’s going on in someone else’s mind.

They don’t teach you what to say to someone who’s dying.

They don’t teach you anything worth knowing.”


RICARDO MALTA BARBEIRA - 2:45 PM

Não enche!

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

 
Objeto do Desejo

E pensar que ele acreditou em você.
Contou seus estranhos segredos,
e até se entregou ao amor.

Não poderia saber quem você era.
A idéia de que alguém tão bela,
poderia botar uma arma em sua cabeça era irreal.

Você nunca se apaixonou de verdade, não é?
Só um coração morto pode ser assim.
Não existe mágoa para quem nunca amou.

De que diabos você é feita?
Parece alguma coisa infernal à procura de almas.
Algum mal ancestral encarnado.

Nada afeta sua sina de dor,
nenhum percalço inviável,
nenhuma vida que te faça pensar.

Tão vil e tão sensual,
uma força indomável,
uma criatura da luz e das trevas,
uma mulher para toda uma existência.

[18 de Outubro de 2004]


RICARDO MALTA BARBEIRA - 11:48 AM

Não enche!

Terça-feira, Setembro 15, 2009

 
Parece que vai virar tradição setembro ser um mês muito mais bizarro do que a média dos demais.

Aconteceram coisas (pessoas?) excelentes, mas também um punhado de fatos dignos de esquecimento.

Passei os 7 primeiros dias do mês me embebedando no melhor estilo Ben Sanderson. Entre dois entardeceres houve espaço para sentir algo que já parecia apenas nostalgia.

O mundo até que não parece tão ruim, mas é que é muito stress por tranqueiras que não tem a menor importância.

Já sobre a labuta... bem... por onde começar? Pelo fim. Que tal resumir em uma palavra: vagabunda?

Parece até poesia.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 4:37 PM

Não enche!

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

 
Dia horrível. Cheio de baixas expectativas. Lamentos. Rancor. Falta de vontade. Basicamente o horror.

Parafraseando (como sempre) Álvaro de Campos, o que há em mim é sobretudo cansaço. Não disto nem daquilo. Nada em especial. Um cansaço da alma e do corpo. De tudo e de todos.

Em algum momento isto tem que acabar.

[álvaro de campos - o que há em mim é sobretudo cansaço]

RICARDO MALTA BARBEIRA - 3:56 PM

Não enche!

Sexta-feira, Agosto 28, 2009

 
Desejos...

Como estou sentindo meus dedos?
Todas aquelas pequenas articulações?

Diga que não se importa comigo,
que não quer mais me ver,
que lamenta ter me conhecido,
que perdeu tempo demais com nada.

Sou a metade vazia que você temia,
aquele abismo de que falam as canções,
um verso perdido que não rima,
a mesma nota desafinada de antes.

Convença a si mesma que não presto,
sou abjeto e estrago o que toco,
um qualquer a quem você deu atenção,
um acidente que poderia ser evitado.

Foram minhas palavras aveludadas que enganaram,
meus olhos profundos e sem vida,
gestos falsos que imitavam amor,
promessas implícitas nunca ditas.

Porquê continua a achar que está enganada?
Como irá se guiar sem ter a quem odiar?

[24 de Abril de 2003]

RICARDO MALTA BARBEIRA - 6:23 PM

Não enche!

Terça-feira, Agosto 25, 2009

 
Ainda no escritório. Escutando um ao vivo do Muse enquanto espero para descer e começar uma noite de orgia alcoólica branda.

Faltam oito dias para o meu aniversário e como este ano o inferno astral ainda não deu as caras, irei aproveitar ao máximo.

Ano passado, quando ele chegou, me derrubou de uma tal maneira que só estou conseguindo me reerguer agora.

Muito disso porque me importo demais. Seja com o amor, seja com a dor.

Rumo ao bar!

RICARDO MALTA BARBEIRA - 6:44 PM

Não enche!

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

 
"Nossas guitarras são mais substitutos de clitóris do que de falos - acariciamos elas de uma maneira mais gentil e suave", Greenwood disse uma vez; quando lembro disso, ele diz que roubou a frase do Slowdive, outro grupo da região do vale do Tâmisa. "Acho que guitarras são idolatradas demais como instrumentos. Todos os guitarristas de que gostei tinham a abordagem do Bernard Sumner. É a coisa do 'não-treinamento'. Gosto do que o Tom Waits disse sobre só pegar num instrumento se ele vai compor uma música."

Trecho do livro Beijar o Céu (Conrad Editora), em que o autor e jornalista Simon Reynolds conversa com Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 2:07 PM

Não enche!

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

 
Bourbon Street Fest 2009

Rolou no último sábado no Parque do Ibirapuera a abertura da 7ª edição do Bourbon Street Fest.

Uma tarde ensolarada e maravilhosa foi o complemento perfeito para ótimos shows. E isto também colaborou para eu tomar umas 10 cervejas em duas horas e acabar fazendo um papelão, xingando a datadíssima banda que fechou o evento.

Para abrir, a banda do caminhão-palco, Dixie Square Jazz Band, levando um jazz tradicional misturado com elementos desta Terra de Santa Cruz, fora um estourado bom-humor.

Na sequência o melhor do dia, Glen David Andrews e a sua banda. Munido de seu trombone Glen David andou em meio à platéia, foi carregado pela galera e enlouqueceu todo mundo que se encontrava nos arredores. Fora ser um dos melhores frontman que já vi ao vivo, ele e a banda ainda levaram músicas de Louis Armstrong, Michael Jackson, Jimi Hendrix e uma estupenda versão de Let's Stay Together de Al Green. Apresentação incendiária.

Marcia Ball veio a seguir e diminuiu um pouco o ritmo, enquanto a noite caía de maneira suave no parque. Mas sua voz e sua banda não deixaram a qualidade cair nem um pouco. Apesar disso eu fiquei mais perambulando do que propriamente concentado no show, mas a trilha-sonora foi excelente.

Para fechar Kurt Brunus Project e a chatice típica das bandas de rythym & blues da segunda metade da década de 1970. Chato chato chato! Uma leitura quase honesta de Mercy Mercy Me/What's Goin On' (Marvin Gaye), uma de Don't Stop Believin' (Journey) em que tiveram a ousadia/covardia de omitir o refrão que encerra a música e uma cover tenebrosa de Mas Que Nada (Jorge Ben) na versão antológica de Sergio Mendes e seu Brazil 66. Péssimo.

No final das contas um sábado espetacular para se encontrar com vários amigos queridos, se esbaldar em vícios e apreciar bons sons.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 10:23 AM

Não enche!

Quinta-feira, Julho 30, 2009

 
"Profundos prazeres do vinho, quem não os conhece? Quem quer que tenha tido um remorso a aplacar, uma lembrança a evocar, uma dor a esquecer, um castelo na Espanha a construir, todos enfim já o invocaram, deus misterioso escondido nas fibras da videira. Como são grandes os espetáculos do vinho, iluminados pelo sol interior! Como é verdadeira e abrasadora esta segunda juventude que o homem dele retira! Mas como são, também, perigosas suas volúpias fulminantes e seus encantamentos enervantes. E, no entanto, digam, do fundo da alma e da consciência, juízes, legisladores, aristocratas, todos vocês a quem a felicidade torna doces, a quem a fortuna torna a virtude e a saúde fáceis, digam quem de vocês terá a coragem impiedosa de condenar o homem que bebe o gênio?

Além disto, o vinho não é sempre este terrível lutador certo de sua vitória e que jurou não ter nem piedade nem misericórdia. O vinho é como o homem: não se saberá nunca até que ponto podemos estimá-lo ou desprezá-lo, amá-lo ou odiá-lo, nem de quantos atos sublimes ou perversidades monstruosas ele é capaz. Portanto, não sejamos mais cruéis com ele do que com nós mesmos e tratemo-lo como um igual.

Parece-me às vezes ouvir o vinho falar - ele fala com sua alma, com esta voz dos espíritos que apenas os espíritos alcançam: - "Homem, meu bem-amado, quero levar até você, apesar de minha prisão de vidro e de minhas aldravas de cortiça, um canto cheio de fraternidade, um canto cheio de alegria, de luz e de esperança. Não sou ingrato; sei que lhe devo a vida. Sei o que lhe custei de trabalho e de sol sobre os ombros. Você me deu a vida, e eu o recompensarei por isso. Pagarei minha dívida com generosidade; porque sinto uma alegria extraordinária quando caio no fundo de uma garganta alterada pelo trabalho. O peito de um homem honesto é uma morada que me agrada muito mais do que as adegas melancólicas e insensíveis. É uma tumba alegre onde eu cumpro meu destino com entusiasmo. Faço no estômago do trabalhador um grande rebuliço e daí, em escadas invisíveis, subo ao seu cérebro onde executo minha dança suprema.

Ouve agitar-se em mim e ressoar os poderosos refrãos dos tempos passados, os cantos de amor e de glória? Sou a alma da pátria, sou metade galante, metade militar. Sou a esperança dos domingos. O trabalho torna prósperos os dias, o vinho torna felizes os domingos. Os cotovelos sobre a mesa da casa e as mangas arregaçadas, assim você me glorificará orgulhosamente e ficará verdadeiramente contente.

Iluminarei os olhos de sua velha mulher, a velha companheira de suas tristezas cotidianas e de suas mais velhas esperanças. Abrandarei o seu olhar e porei no fundo de suas pupilas o brilho da juventude. E seu caro menino, branquelo, este pobre burrinho atado à mesma fadiga que o cavalo, a ele devolverei as belas cores de seu berço e serei para este novo atleta da vida a óleo que fortifica os músculos dos velhos combatentes.

Cairei no fundo de seu peito como uma ambrosia vegetal. Serei o grão que fertiliza o solo dolorosamente escavado. Nossa íntima reunião criará a poesia. Para nós dois faremos um Deus e flutuaremos ao infinito, como os pássaros, as borboletas, os filhos da Virgem, os perfumes e todas as coisas aladas."

Eis o que canta o vinho em sua linguagem misteriosa. Maldito seja aquele cujo coração egoísta e insensível às dores de seus irmãos nunca escutou esta canção!
"

>>> Trecho de Do Vinho e Do Haxixe, de Charles Baudelaire <<<

RICARDO MALTA BARBEIRA - 6:48 PM

Não enche!

Terça-feira, Julho 28, 2009

 
Sei que estou sumido, mas em breve voltaremos a nossas atividades normais.

Julho foi um mês desgraçado no bom e no mal sentido.

Teve mudança de cargo, museu do futebol, alguns filmes, soco na mesa, shows, pneumonia, traíragem, caldo verde, friaca na praia, falência hepática, gibis aos montes, baião de dois e muitos vinhos.

Enquanto isso acesse o Twitter.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 5:17 PM

Não enche!

Sexta-feira, Junho 26, 2009

 
Ódio Sagrado
[Cruz e Sousa]

Ó meu ódio, meu ódio majestoso,
Meu ódio santo e puro e benfazejo,
Unge-me a fronte com teu grande beijo,
Torna-me humilde e torna-me orgulhoso.

Humilde, com os humildes generoso,
Orgulhoso com os seres sem Desejo,
Sem Bondade, sem Fé e sem lampejo
De sol fecundador e carinhoso.

Ó meu ódio, meu lábaro bendito,
De minh'alma agitada no infinito,
Através de outros lábaros sagrados,

ódio são, ódio bom! sê meu escudo
Contra os vilões do Amor, que infamam tudo,
Das sete torres dos mortais Pecados!

RICARDO MALTA BARBEIRA - 3:52 PM

Não enche!

Terça-feira, Junho 23, 2009

 
Era uma segunda-feira no distante ano de 2003. Mais precisamente 18 de agosto. Tudo postado às 22:08hs no saudoso Mano News.

***

Definições tiradas da 'Grande Enciclopédia Larousse Cultural':

SAGA s.f. ( do escandinavo saga, tradição. ) 1. Nome genérico de um conjunto de narrativas em prosa, geralmente redigidas na Islândia, do séc. XII ao XIV - 2. P. ext História rica em incidentes.

MOD Sem registro.

MILGUÊRS 1. Hamilton - 2. Bêbado - 3. Problemas hormonais - 4. fobia de Topic - 5. Fã de Kiss e Iron Maiden.

MALTA 1. Ricardo - 2. Coletivo de desordeiro, desocupado, vagabundo; bando, grupo, súcia, corja, matula, caterva, matilha - 3. Tuna, vadiagem; gandaia - 4. Agrupamento de indivíduos para agredir alguém - 5. Bêbado - 6. Viciado em paçoquinha - 7. Fã de Elton John.

--- MANO NEWS CORPORATION, ASSOCIADO DE KRAMERICA INC., APRESENTA: ---

Eram 10 horas da manhã quando acordei.
Às 11 horas, com uma latinha de cerveja na mão, e com o Hot Rocks tocando alto, estava à frente do micro.
Quase 5 horas da tarde, e agora a caminho de encontrar um amigo, para irmos à Vila Formosa, no que ficaria sendo conhecido como...

A Saga Mod de Milguêrs e Malta

Pense nisto como um filme. Nós entramos no ônibus, aparecem os créditos iniciais e de fundo, toca 'Red Right Hand', com Nick Cave & the Bad Seeds.

Chegamos ao soturno Bar do Aranha lá pelas 18:30hs. O planejado é assistir a uma espécie de projeto, chamado Tropitralha, que teria no dia os show de Surfin' Bastards, Sunglasses e FuzzFaces, além de conhecer duas amigas de uma lista de música chamada 'Alta Fidelidade'.

Como o bar ainda estava vazio, resolvemos ir até a padaria do outro lado da rua.

Ao sair de novo para a rua, quase me quebrei, de tão frio que estava. Como o esperto aqui acha que é uma espécie de super-herói dos bêbados, pensou que cachaceiro não sente frio, quando na verdade é cú de cachaceiro que não sente frio, pois está sempre agasalhado.

Logo que entramos na padoca, nos sentamos nos bancos destinados aos tomadores de Pitú, pedimos uma cerveja e começamos a conversar:
--- Sabe, são as pequenas diferenças que chamam a atenção.
--- Como assim? - pergunta Milguêrs.
--- Por exemplo, eles tomam Conhaque, mas não chamam de Conhaque. Eles pedem um Brandy. - digo, tomando um grande gole de minha cerveja.
--- Brandy?
--- É. Tem a ver com os pubs ingleses, que tentam confundir os cérebros dos alcóolatras com informações falsas. Por exemplo, o Paul Gascoine.
--- B-r-a-n-d-y. B-b-r-r-a-a-n-n-d-d-y-y - Milguêrs tenta imitar um sotaque britânico - Ah Ah Ah. Muito bom.
--- Você sabia que em Londres, toca-se uma sineta quinze minutos antes dos pubs fecharem, para o último drink da noite?
--- Sério?
--- É. E que nos banheiros masculinos tem bidês?
--- Nojento.
--- É. - tomo outro grande gole.

Em algum momento, entre uma discussão sobre o que motiva anões a lutarem pelo direito de serem arremessados, e uma visão crítica da Teoria do Caos, aproxima-se um cara. O inusitado visitante já chega falando:
--- Desculpe interromper, mas notei que você tem celular. - o meu telefone celular estava sobre o balcão - É que estou tentando desde ontem, ligar pra minha namorada.
É óbvio que o primeiro pensamento foi que o mané queria meu celular emprestado pra ligar pra mina dele, e é mais óbvio ainda, que a resposta que se formava na minha mente era um misto de grunhidos e risadas. Quando já me preparava para o eventual pedido, ele recomeçou a falar:
--- Não consigo completar a ligação. Entra numa música de espera que nunca termina. Gastei cem créditos em cartão só ontem.
Então, ele conta que a fugitiva de Franco da Rocha estava em Portugal. Não sei porque diabos, mas resolvi ajudá-lo:
--- Ah, então é por isso - coloquei o copo sobre o balcão - Deve ser um problema na conexão entre um continente e outro. E quando este tipo de coisa acontece, pode levar até dias para consertar.
--- Mas é problema da operadora?
--- Não. Deve ser alguma coisa com o satélite. Você teria que ligar para a operadora, e perguntar sobre algum problema dessa ordem.
--- Mas será que volta ainda hoje? - pergunta o amante à moda antiga.
--- Pode levar quinze minutos ou quinze dias. Não dá para saber ao certo. Estas coisas são complicadas de se consertar.
Isto causa uma profunda angústia no pobre balzaquiano, que solta alguns impropérios. - Ela vai pensar que eu não liguei pra ela, mas estou tentando desde ontem.
--- É duro, cara. - tomo mais um gole de cerveja, enquanto me solidarizo à dor dele.
--- Obrigado. Desculpa pela intromissão no papo de vocês.
--- Sem problema, grande. Estamos aqui para ajudar.
Ele vai para o outro lado do balcão, e pede ao garçom uma cachaça.
--- A dor de um coração partido pode ser diferente, mas o remédio tem sempre o mesmo gosto. - digo.
--- Amém. - responde Milguêrs, e toma um gole de sua cerveja.

Ainda há tempo para trocar uma mini-idéia com os caras de uma banda, que depois descobri ser o Surfin' Bastards, de ver vários Black-Mod's ( imagine a mistura dos caras do MC5 com os do Small Faces ) e outros Mod's mais convencionais, que devem ter confundido a padaria com um brechó.

Pouco depois das 8 horas da noite, entramos no Bar do Aranha.

Está bem cheio, e a primeira banda já começou a tocar.
É claro que ignoramos a música e vamos direto para o balcão.
--- Uma cerveja. - peço ao barman.
--- Qual? - pergunta, enquanto usa um pano de prato para secar um copo.
--- A melhor.
--- Não tem Skol.
--- Bohemia, então.
--- Certo.
O gentil homem volta com a cerveja e dois copos.

Enchemos os copos, e começamos a olhar para as pessoas que estão no bar, na tentativa de descobrir quem são Monica e Viviane, as duas que combinei de encontrar.
Após uma corda do baixo quebrar, outro baixo ser requisitado, o show parar, o novo baixo ser afinado, o show voltar, e a apresentação acabar, continuamos sem encontrar as duas.
O que convenhamos, é bem difícil, já que não nos conhecemos e não combinamos algo como 'broche com uma rosa azul', ou um sinal secreto tipo 'Morte ao videodrome, vida longa à nova carne'. A idéia mais sensata que temos é a de começarmos a ir de mesa em mesa, perguntando: 'Viviane?'. Como o teor alcoólico da Bohemia não é de 1.000%, resolvemos permanecer onde estamos, segurando o balcão como autênticos indies.

--- Óculos de acrílico. - dispara sem aviso Milguêrs.
--- O quê? - berro em meio a gotículas de saliva.
--- A mina aqui.
Ele olha para uma dupla sentada numa mesa à nossa frente. Uma delas usa um óculos de acrílico, e a outra um all-star vermelho com uma roupa vermelha e branca.
--- Não sei se são elas, mas vermelho cai muito bem nela. - digo.
Um olhar de desaprovação do Milguêrs me faz parar com a viadagem.
--- Grita aí 'Alta Fidelidade'.
--- Ah, cala a boca. - respondo, e tomo um gole da cerveja.

Começa o segundo show da noite, Sunglasses.
As duas garotas levantam e vão dançar na frente do palco.
Duas ou três músicas depois, a que usava óculos de acrílico vem em minha direção:
--- Você é o Malta, né?
--- Minha fama me precede.
--- O quê? - gesticulando que não ouviu.
--- Sou. E você é?
--- Monica.
--- Então, a outra só pode ser a Viviane.
--- É.
Olho para o Milguêrs, que me encara e fala:.
--- Não disse?
--- Ah, cala a boca. - respondo, e coloco o copo sobre o balcão.

Nos apresentamos, rimos do desencontro, falamos algumas besteiras, digo que não levei o Raw Power dos Stooges, o que me causa um certo arrependimento.
Em algum ponto da conversa, o show da segunda banda acaba, e começa o do Fuzz Faces. Viviane começa a dançar, eu começo a resmungar, o Milguêrs a bocejar e a Monica a cantar.

Surpreendo-me com a banda em que o Gregor, guitarrista do Laboratório SP, toca bateria e canta. Muito, mas muito boa mesmo. O som tosco, a la Chocolate WatchBand, Shadows of the Knight e Seeds, é coroado com uma bela versão de 'The Witch', dos Sonics.

Após o término de mais uma Tropitralha Night, nos sentamos e continuamos conversando por um bom tempo.
Quando nos damos conta, já são vinte para a meia-noite.
Pagamos as respectivas contas, e saímos para a rua.

Uma vez mais, o frio quase me quebra.

Nos despedimos da Viviane e da Mônica, e vamos para o ponto de ônibus, aonde temos a clara revelação de que aquele frio vai nos matar, de um jeito ou de outro.

Obviamente, nos enganamos, e o ônibus logo passa, nos acolhendo em seu quente interior. Sentamos no último banco.
Um casal sentado no banco da frente está enrolado com um lençol.
Não resisto e começo a cutucar o lençol, enquanto converso com o Milguêrs:
--- Será que o namorado da portuguesinha conseguiu falar com ela? - pergunto.
--- Por satélite?
--- É.
--- Que eu saiba, esses lances são por fibra-óticas que passam pelo fundo do mar.
--- Sério?
--- É. - responde, lacônico.
--- Pô, deve ser uma treta colocar isso lá embaixo.
--- Pior deve ser trocar quando um cabo quebra.
Concordo com a cabeça e volto a cutucar o lençol do casal. Milguêrs ri.
--- Que improvisação, hein? Eu até parecia um técnico em telefonia. - falo.
--- É, vou parar de fazer o curso, e comprar um celular.
--- Ah Ah Ah. Se conto esta história pra alguém, ninguém acredita.
--- Também.
--- Coisas que só acontecem na Vila Formosa.
--- Acho que na Moóca também poderia. - constata Milguêrs.
--- Quando tu vai no brechó comprar uns lenços para amarrar no pescoço?
--- Suicídio?
--- Não, 'Mod'.
--- Nojento.
--- É. - digo e me arrependo de não ter trazido uma latinha.

***

Em tempo:
--- O show do Surfin' Bastards foi legal, sobretudo após a parada devido à quebra da corda do baixo. Os sons instrumentais lembravam Reverend Horton Heat e eram afudê.
--- O show do Sunglasses não foi muito legal. A voz da vocalista era firmeza, mas o instrumental é meio babaca.
--- O show do Fuzz Faces já comentei aí em cima, mas não mencionei sobre o guitarrista, que é muito foda. O cara não fazia força nenhuma, e tocava para caralho.

A trilha-sonora:
--- Isto tudo, foi escrito ao som de Rolling Stones, Chemical Brothers, Johnny Cash, Chocolate WatchBand e David Bowie.

Desculpas:
--- A quem leu tudo até aqui, pensando que havia algum sentido nisto. Ou ofensas, já que quem lê o que está escrito por aqui, sabe que só a tosqueira salva.

Para finalizar:
--- Dedico todas as linhas às gente finíssimas Viviane e Monica. Que fizeram uma noite gelada de domingo tornar-se uma balada ótima.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 12:00 PM

Não enche!

Terça-feira, Junho 16, 2009

 


Eu simplesmente não consigo me afastar por muito tempo do Twitter.

"Eu, com a maior piedade, maior fervor e toda a naturalidade, acaricio esta criança negra como se branca ela fora" - Tim Tones.

"Amor é como capim: você planta, cresce, cultiva e aí vem uma vaca e acaba com tudo" - José Simão.

"Beber é uma atitude líquida que faz com que no dia seguinte meu corpo fique pastoso." - Mondo Malta.

"A liberdade do outro termina quando ele começa a ser chato" - Paulo César Pereio.

"Boa tarde e que essa seja uma semana hospíciosa!!!!!!" - Mondo Malta.

São coisas assim que me deixam completamente viciado nesse maldito.

E me fazem esquecer esse blog e mais um punhado de atividades divertidas, mas bem mais trabalhosas.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 2:59 PM

Não enche!

Sexta-feira, Maio 22, 2009

 
Batman completa 70 anos

Agora em maio o Cruzado Encapuzado chega aos 70 anos e as comemorações correm soltas mundo afora.

O Universo HQ faz a sua parte em um especial com 27 resenhas de títulos estrelados pelo Morcegão.

Eu colaboro com Batman Ilustrado por Neal Adams # 1. Edição especialíssima dedicada a um dos maiores artistas das HQ's.

Já a imagem aí ao lado é do jogo Lego Batman para Playstation, em que Batman e Robin enfrentam vários vilões pelas ruas de Gotham City.

A estrutura é idêntica a do Lego Star Wars: Original Trilogy, e apesar de ser um pouco menos inspirada que a de Luke Skywalker e companhia, rende boas horas de diversão. As inúmeras palhaçadas do Robin e a sisudez caricata do Batman são sensacionais.

E um merecido parabéns ao Cavaleiro das Trevas.

 

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"i'm paranoid, but i'm not an android"