Videodrome

 
             

   
 
 

Sexta-feira, Junho 26, 2009

 
Ódio Sagrado
[Cruz e Sousa]

Ó meu ódio, meu ódio majestoso,
Meu ódio santo e puro e benfazejo,
Unge-me a fronte com teu grande beijo,
Torna-me humilde e torna-me orgulhoso.

Humilde, com os humildes generoso,
Orgulhoso com os seres sem Desejo,
Sem Bondade, sem Fé e sem lampejo
De sol fecundador e carinhoso.

Ó meu ódio, meu lábaro bendito,
De minh'alma agitada no infinito,
Através de outros lábaros sagrados,

ódio são, ódio bom! sê meu escudo
Contra os vilões do Amor, que infamam tudo,
Das sete torres dos mortais Pecados!

RICARDO MALTA BARBEIRA - 3:52 PM

Não enche!

Terça-feira, Junho 23, 2009

 
Era uma segunda-feira no distante ano de 2003. Mais precisamente 18 de agosto. Tudo postado às 22:08hs no saudoso Mano News.

***

Definições tiradas da 'Grande Enciclopédia Larousse Cultural':

SAGA s.f. ( do escandinavo saga, tradição. ) 1. Nome genérico de um conjunto de narrativas em prosa, geralmente redigidas na Islândia, do séc. XII ao XIV - 2. P. ext História rica em incidentes.

MOD Sem registro.

MILGUÊRS 1. Hamilton - 2. Bêbado - 3. Problemas hormonais - 4. fobia de Topic - 5. Fã de Kiss e Iron Maiden.

MALTA 1. Ricardo - 2. Coletivo de desordeiro, desocupado, vagabundo; bando, grupo, súcia, corja, matula, caterva, matilha - 3. Tuna, vadiagem; gandaia - 4. Agrupamento de indivíduos para agredir alguém - 5. Bêbado - 6. Viciado em paçoquinha - 7. Fã de Elton John.

--- MANO NEWS CORPORATION, ASSOCIADO DE KRAMERICA INC., APRESENTA: ---

Eram 10 horas da manhã quando acordei.
Às 11 horas, com uma latinha de cerveja na mão, e com o Hot Rocks tocando alto, estava à frente do micro.
Quase 5 horas da tarde, e agora a caminho de encontrar um amigo, para irmos à Vila Formosa, no que ficaria sendo conhecido como...

A Saga Mod de Milguêrs e Malta

Pense nisto como um filme. Nós entramos no ônibus, aparecem os créditos iniciais e de fundo, toca 'Red Right Hand', com Nick Cave & the Bad Seeds.

Chegamos ao soturno Bar do Aranha lá pelas 18:30hs. O planejado é assistir a uma espécie de projeto, chamado Tropitralha, que teria no dia os show de Surfin' Bastards, Sunglasses e FuzzFaces, além de conhecer duas amigas de uma lista de música chamada 'Alta Fidelidade'.

Como o bar ainda estava vazio, resolvemos ir até a padaria do outro lado da rua.

Ao sair de novo para a rua, quase me quebrei, de tão frio que estava. Como o esperto aqui acha que é uma espécie de super-herói dos bêbados, pensou que cachaceiro não sente frio, quando na verdade é cú de cachaceiro que não sente frio, pois está sempre agasalhado.

Logo que entramos na padoca, nos sentamos nos bancos destinados aos tomadores de Pitú, pedimos uma cerveja e começamos a conversar:
--- Sabe, são as pequenas diferenças que chamam a atenção.
--- Como assim? - pergunta Milguêrs.
--- Por exemplo, eles tomam Conhaque, mas não chamam de Conhaque. Eles pedem um Brandy. - digo, tomando um grande gole de minha cerveja.
--- Brandy?
--- É. Tem a ver com os pubs ingleses, que tentam confundir os cérebros dos alcóolatras com informações falsas. Por exemplo, o Paul Gascoine.
--- B-r-a-n-d-y. B-b-r-r-a-a-n-n-d-d-y-y - Milguêrs tenta imitar um sotaque britânico - Ah Ah Ah. Muito bom.
--- Você sabia que em Londres, toca-se uma sineta quinze minutos antes dos pubs fecharem, para o último drink da noite?
--- Sério?
--- É. E que nos banheiros masculinos tem bidês?
--- Nojento.
--- É. - tomo outro grande gole.

Em algum momento, entre uma discussão sobre o que motiva anões a lutarem pelo direito de serem arremessados, e uma visão crítica da Teoria do Caos, aproxima-se um cara. O inusitado visitante já chega falando:
--- Desculpe interromper, mas notei que você tem celular. - o meu telefone celular estava sobre o balcão - É que estou tentando desde ontem, ligar pra minha namorada.
É óbvio que o primeiro pensamento foi que o mané queria meu celular emprestado pra ligar pra mina dele, e é mais óbvio ainda, que a resposta que se formava na minha mente era um misto de grunhidos e risadas. Quando já me preparava para o eventual pedido, ele recomeçou a falar:
--- Não consigo completar a ligação. Entra numa música de espera que nunca termina. Gastei cem créditos em cartão só ontem.
Então, ele conta que a fugitiva de Franco da Rocha estava em Portugal. Não sei porque diabos, mas resolvi ajudá-lo:
--- Ah, então é por isso - coloquei o copo sobre o balcão - Deve ser um problema na conexão entre um continente e outro. E quando este tipo de coisa acontece, pode levar até dias para consertar.
--- Mas é problema da operadora?
--- Não. Deve ser alguma coisa com o satélite. Você teria que ligar para a operadora, e perguntar sobre algum problema dessa ordem.
--- Mas será que volta ainda hoje? - pergunta o amante à moda antiga.
--- Pode levar quinze minutos ou quinze dias. Não dá para saber ao certo. Estas coisas são complicadas de se consertar.
Isto causa uma profunda angústia no pobre balzaquiano, que solta alguns impropérios. - Ela vai pensar que eu não liguei pra ela, mas estou tentando desde ontem.
--- É duro, cara. - tomo mais um gole de cerveja, enquanto me solidarizo à dor dele.
--- Obrigado. Desculpa pela intromissão no papo de vocês.
--- Sem problema, grande. Estamos aqui para ajudar.
Ele vai para o outro lado do balcão, e pede ao garçom uma cachaça.
--- A dor de um coração partido pode ser diferente, mas o remédio tem sempre o mesmo gosto. - digo.
--- Amém. - responde Milguêrs, e toma um gole de sua cerveja.

Ainda há tempo para trocar uma mini-idéia com os caras de uma banda, que depois descobri ser o Surfin' Bastards, de ver vários Black-Mod's ( imagine a mistura dos caras do MC5 com os do Small Faces ) e outros Mod's mais convencionais, que devem ter confundido a padaria com um brechó.

Pouco depois das 8 horas da noite, entramos no Bar do Aranha.

Está bem cheio, e a primeira banda já começou a tocar.
É claro que ignoramos a música e vamos direto para o balcão.
--- Uma cerveja. - peço ao barman.
--- Qual? - pergunta, enquanto usa um pano de prato para secar um copo.
--- A melhor.
--- Não tem Skol.
--- Bohemia, então.
--- Certo.
O gentil homem volta com a cerveja e dois copos.

Enchemos os copos, e começamos a olhar para as pessoas que estão no bar, na tentativa de descobrir quem são Monica e Viviane, as duas que combinei de encontrar.
Após uma corda do baixo quebrar, outro baixo ser requisitado, o show parar, o novo baixo ser afinado, o show voltar, e a apresentação acabar, continuamos sem encontrar as duas.
O que convenhamos, é bem difícil, já que não nos conhecemos e não combinamos algo como 'broche com uma rosa azul', ou um sinal secreto tipo 'Morte ao videodrome, vida longa à nova carne'. A idéia mais sensata que temos é a de começarmos a ir de mesa em mesa, perguntando: 'Viviane?'. Como o teor alcoólico da Bohemia não é de 1.000%, resolvemos permanecer onde estamos, segurando o balcão como autênticos indies.

--- Óculos de acrílico. - dispara sem aviso Milguêrs.
--- O quê? - berro em meio a gotículas de saliva.
--- A mina aqui.
Ele olha para uma dupla sentada numa mesa à nossa frente. Uma delas usa um óculos de acrílico, e a outra um all-star vermelho com uma roupa vermelha e branca.
--- Não sei se são elas, mas vermelho cai muito bem nela. - digo.
Um olhar de desaprovação do Milguêrs me faz parar com a viadagem.
--- Grita aí 'Alta Fidelidade'.
--- Ah, cala a boca. - respondo, e tomo um gole da cerveja.

Começa o segundo show da noite, Sunglasses.
As duas garotas levantam e vão dançar na frente do palco.
Duas ou três músicas depois, a que usava óculos de acrílico vem em minha direção:
--- Você é o Malta, né?
--- Minha fama me precede.
--- O quê? - gesticulando que não ouviu.
--- Sou. E você é?
--- Monica.
--- Então, a outra só pode ser a Viviane.
--- É.
Olho para o Milguêrs, que me encara e fala:.
--- Não disse?
--- Ah, cala a boca. - respondo, e coloco o copo sobre o balcão.

Nos apresentamos, rimos do desencontro, falamos algumas besteiras, digo que não levei o Raw Power dos Stooges, o que me causa um certo arrependimento.
Em algum ponto da conversa, o show da segunda banda acaba, e começa o do Fuzz Faces. Viviane começa a dançar, eu começo a resmungar, o Milguêrs a bocejar e a Monica a cantar.

Surpreendo-me com a banda em que o Gregor, guitarrista do Laboratório SP, toca bateria e canta. Muito, mas muito boa mesmo. O som tosco, a la Chocolate WatchBand, Shadows of the Knight e Seeds, é coroado com uma bela versão de 'The Witch', dos Sonics.

Após o término de mais uma Tropitralha Night, nos sentamos e continuamos conversando por um bom tempo.
Quando nos damos conta, já são vinte para a meia-noite.
Pagamos as respectivas contas, e saímos para a rua.

Uma vez mais, o frio quase me quebra.

Nos despedimos da Viviane e da Mônica, e vamos para o ponto de ônibus, aonde temos a clara revelação de que aquele frio vai nos matar, de um jeito ou de outro.

Obviamente, nos enganamos, e o ônibus logo passa, nos acolhendo em seu quente interior. Sentamos no último banco.
Um casal sentado no banco da frente está enrolado com um lençol.
Não resisto e começo a cutucar o lençol, enquanto converso com o Milguêrs:
--- Será que o namorado da portuguesinha conseguiu falar com ela? - pergunto.
--- Por satélite?
--- É.
--- Que eu saiba, esses lances são por fibra-óticas que passam pelo fundo do mar.
--- Sério?
--- É. - responde, lacônico.
--- Pô, deve ser uma treta colocar isso lá embaixo.
--- Pior deve ser trocar quando um cabo quebra.
Concordo com a cabeça e volto a cutucar o lençol do casal. Milguêrs ri.
--- Que improvisação, hein? Eu até parecia um técnico em telefonia. - falo.
--- É, vou parar de fazer o curso, e comprar um celular.
--- Ah Ah Ah. Se conto esta história pra alguém, ninguém acredita.
--- Também.
--- Coisas que só acontecem na Vila Formosa.
--- Acho que na Moóca também poderia. - constata Milguêrs.
--- Quando tu vai no brechó comprar uns lenços para amarrar no pescoço?
--- Suicídio?
--- Não, 'Mod'.
--- Nojento.
--- É. - digo e me arrependo de não ter trazido uma latinha.

***

Em tempo:
--- O show do Surfin' Bastards foi legal, sobretudo após a parada devido à quebra da corda do baixo. Os sons instrumentais lembravam Reverend Horton Heat e eram afudê.
--- O show do Sunglasses não foi muito legal. A voz da vocalista era firmeza, mas o instrumental é meio babaca.
--- O show do Fuzz Faces já comentei aí em cima, mas não mencionei sobre o guitarrista, que é muito foda. O cara não fazia força nenhuma, e tocava para caralho.

A trilha-sonora:
--- Isto tudo, foi escrito ao som de Rolling Stones, Chemical Brothers, Johnny Cash, Chocolate WatchBand e David Bowie.

Desculpas:
--- A quem leu tudo até aqui, pensando que havia algum sentido nisto. Ou ofensas, já que quem lê o que está escrito por aqui, sabe que só a tosqueira salva.

Para finalizar:
--- Dedico todas as linhas às gente finíssimas Viviane e Monica. Que fizeram uma noite gelada de domingo tornar-se uma balada ótima.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 12:00 PM

Não enche!

Terça-feira, Junho 16, 2009

 


Eu simplesmente não consigo me afastar por muito tempo do Twitter.

"Eu, com a maior piedade, maior fervor e toda a naturalidade, acaricio esta criança negra como se branca ela fora" - Tim Tones.

"Amor é como capim: você planta, cresce, cultiva e aí vem uma vaca e acaba com tudo" - José Simão.

"Beber é uma atitude líquida que faz com que no dia seguinte meu corpo fique pastoso." - Mondo Malta.

"A liberdade do outro termina quando ele começa a ser chato" - Paulo César Pereio.

"Boa tarde e que essa seja uma semana hospíciosa!!!!!!" - Mondo Malta.

São coisas assim que me deixam completamente viciado nesse maldito.

E me fazem esquecer esse blog e mais um punhado de atividades divertidas, mas bem mais trabalhosas.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 2:59 PM

Não enche!

Sexta-feira, Maio 22, 2009

 
Batman completa 70 anos

Agora em maio o Cruzado Encapuzado chega aos 70 anos e as comemorações correm soltas mundo afora.

O Universo HQ faz a sua parte em um especial com 27 resenhas de títulos estrelados pelo Morcegão.

Eu colaboro com Batman Ilustrado por Neal Adams # 1. Edição especialíssima dedicada a um dos maiores artistas das HQ's.

Já a imagem aí ao lado é do jogo Lego Batman para Playstation, em que Batman e Robin enfrentam vários vilões pelas ruas de Gotham City.

A estrutura é idêntica a do Lego Star Wars: Original Trilogy, e apesar de ser um pouco menos inspirada que a de Luke Skywalker e companhia, rende boas horas de diversão. As inúmeras palhaçadas do Robin e a sisudez caricata do Batman são sensacionais.

E um merecido parabéns ao Cavaleiro das Trevas.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 4:11 PM

Não enche!

Quarta-feira, Maio 06, 2009

 
Dias de tanta preguiça...

Confira no Solobonite a matéria sobre o quadrinhista Claudio Seto que saiu na Folha de S. Paulo de hoje.

No Atire no Dramaturgo o que Mário Bortolotto pensa sobre a ridícula Lei Anti-Fumo.

Pop Balões de cara nova.

... enquanto isso escuto o ótimo Sounds of the Universe, novo álbum do Depeche Mode.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 3:58 PM

Não enche!

Terça-feira, Abril 28, 2009

 
Brüno estará entre nós em 31 de julho.



RICARDO MALTA BARBEIRA - 5:13 PM

Não enche!

Segunda-feira, Abril 27, 2009

 
... escape the nest...


Hoje estou corajoso.

Escutei o An End Has A Start do Editors inteirinho.

E as minhas prediletas como Bones, The Racing Rats, Smokers Outside the Hospital Doors e Escape the Nest mais de uma vez.

Desta última o refrão:

Look up
Through the trees to feel as small as you can,
You hear the clocks counting down,
The nights are longer now than ever before,
But now you see the lights from the town


Eu ia escrever que é de arrepiar, mas estaria mentindo. Isto está bem longe do que eu sinto quando a escuto. Já esta estrofe...

I'm drained and I'm empty
I've still got love in me
There's eyes in the sky tonight
Watching us lose the fight


Este trecho consegue mostrar como me sinto e o que essa maldita música significa pra mim.

É tudo uma merda...

RICARDO MALTA BARBEIRA - 6:57 PM

Não enche!

Quinta-feira, Abril 23, 2009

 
Acontece sexta-feira n'A Gruta o aniversário da super-amiga Iara Piva.

Para comemorar mais um ano divertido vencido, vai rolar uma clássica festinha com direito a show do novo projeto musical do amigo Alex Cruz, o Dharma Samu.

Como já disse aqui em outra oportunidade, eles fazem releituras de Led Zeppelin com uma mistura que engloba funk, jazz e psicodelia.

O grupo principal de parte dos músicos é o Mama Gumbo e clicando aqui dá para conferir um vídeo gravado numa das sextas sonoras organizadas pelo Centro Cultural da Juventude.

Apareça por lá amanhã para jogar um bilhar, tomar uma Cachaça do Mestre - ou uma Estação de Minas -, escutar um som batuta e ter altos papos botequianos.



RICARDO MALTA BARBEIRA - 5:00 PM

Não enche!

Quarta-feira, Abril 22, 2009

 
Cinema de Bordas

Começa hoje no Itaú Cultural a mostra Cinema de Bordas.

Entre as preciosidades cinematográficas reunidas está Rambú IV: O Clone. Segue a sinopse: "Por meio de um processo escatológico, cientista cria um soldado com as mesmas características de Rambú. Inconformado com sua situação, o clone se une ao travesti Put Laine. Os vilões partem, então, para a destruição da Amazônia."

Mas a campeã é a sinopse de Cocô Preto: "Para salvar o universo, extraterrestre precisa destruir o planeta Terra."

Para ter uma ideia melhor do que irá encontrar, confira o trailer de O Assassinato da Mulher Mental.

A mostra tem entrada gratuita e vai de hoje a domingo, com sessões às 17hs e às 20hs na avenida Paulista.

Imperdível!

RICARDO MALTA BARBEIRA - 6:26 PM

Não enche!

Segunda-feira, Abril 20, 2009

 
The Line
[Black Rebel Motorcycle Club]

I am the line, I hold you near,
There is no burden left to bear, I can see clear,
You're in suspension, you know no love,
There is no story left to tell, You have no wisdom to pass on,
I am the soul of absolution, No man can hurt his own illusion,
My hands are crippled from the pain, You are the splinter in my vein,
You put your head between your hands, and understand, Nothing it is,
I feel the answers keep you scared, I've put the harm inside myself.

I am the line, I hold you near,
There is no burden left to bear, I can see clear,
I am perfected, I know no void,
I have no conscience to keep clear, I understand there's nothing more,
You try to kid yourself with questions, Pleading in time for some correction,
I found you tied onto the cross, with judgement on your every thought,
You know my words all mean the same, you've buried here to isolate,
And in this prison in your mind, Well you were born without a spine.

When did you stop caring?
When did you stop caring?
Where did you stop caring?
Where did you stop caring?

RICARDO MALTA BARBEIRA - 3:29 PM

Não enche!

Sexta-feira, Abril 17, 2009

 
Passei a Páscoa nesta casinha aí da foto. Ela fica na praia de Itanema, que tem aproximadamente 200 metros de extensão. Paraíso é um nome bom como qualquer outro.



Disponibilizei todas as fotos da viagem no Orkut e uma primeira parte destas no Flickr.



O time de colaboradores do Universo HQ agora também marca presença no Twitter.

Eu estou como @ricardomalta. Para ver quem mais está lá, confira no Blog do UHQ.

Tenho que confessar que o microblogging é a minha fonte favorita de diversão dos últimos tempos.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 4:37 PM

Não enche!

Quarta-feira, Abril 08, 2009

 
Boa Páscoa a todos que se importam e um ótimo feriado a todos que usufruem dele.

Estou indo para o Paraíso, também conhecido como Itanema.

Até a volta.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 6:46 PM

Não enche!

Quarta-feira, Abril 01, 2009

 
O show do Radiohead continua rendendo por aqui. Agora pela desastrosa atuação das empresas Planmusic, Brasil 1 Entretenimento e MCT Brasil Produções.

O amigo e jornalista Eduardo Nasi entrou com uma reclamação no Ministério Público que foi mencionada há pouco no Último Segundo por Mauricio Stycer.

O tratamento dado às 30 mil pessoas que foram à Chácara do Jóquei foi digno de gado sendo conduzido pelo pasto. Os muitos cavalos que já passaram por lá devem ter sido muito melhor tratados do que as pessoas que ali estavam.

Na descida, cumprimentei um por um os seguranças que estavam no lado direito da rampa. Agradecia a ótima organização, aquela descida tranquila e agradável junto ao resto do rebanho, dizia também para agradecerem aos superiores e responsáveis. Desejava uma boa noite e bons sonhos. Para um ainda mencionei que ele também era parte de todo aquele desrespeito.

Fiz isso e em nenhum momento, ninguém, repito, ninguém sequer se manifestou ou me apoiou. Não acho que somente reclamar depois resolva. Ás vezes é necessário sujar as mãos, ainda que levemente. Não era preciso matar um deles para fazer isso, e nem digo que o que fiz foi algo relevante, mas mesmo um ato de protesto inócuo denota um pouco mais do que a passividade bovina. Mas também sei que cada um lida com uma situação do seu próprio jeito.

Para não ficar somente em coisas ruins, o mesmo Stycer escreveu sobre algo sensacional que o Radiohead fez no show em Buenos Aires. Confira aqui.

Os dias andam tão acizentados desde aquele domingo.

RICARDO MALTA BARBEIRA - 6:52 PM

Não enche!

Segunda-feira, Março 23, 2009

 
Radiohead

Domingo fui com alguns amigos à Chácara do Jóquei.

Tenho o privilégio de ter vários bons amigos, e neste dia tive a sorte de ter podido contar com a companhia de boa parte deles no que foi o espetáculo mais delirante e maravilhoso que presenciei até hoje.

Eu poderia falar do ótimo show do Kraftwerk, mas simplesmente não consigo. Na verdade pouca coisa sobrou dele na minha memória.

15 Step abriu o show. Ótimo. Era somente o início e eu não queria algo que me fizesse perder o controle logo de cara. Não adiantou muito... eles emendaram com There There...

... Just 'cause you feel it, Doesn't mean it's there... (... apenas porque você sente, não significa que esteja lá...)

... e me vi obrigado a cantar embriagado...

... We are accidents Waiting... waiting... to happen... (... nós somos acidentes... esperando... esperando... para acontecer...)

Não precisava escutar nenhuma outra música. Nem a minha predileta de todos os tempos. Mas tinha mais.

A introdução de rádio brazuca antes do jazz ruidoso e virulento de The National Anthem, que ao vivo é uma monstruosidade dançante. Então chega All I Need...

... I am all the days that you choose to ignore... (... Eu sou todos aqueles dias que você optou por ignorar...)

e por pouco o choro não vem, por mais razões do que me permito explicar...

... You're all I need. I'm in the middle of your picture. Lying in the reeds... (... Você é tudo de que preciso. Estou no meio do seu retrato. Deitado na grama... )

De um disco cheio de equívocos eles tiram a preciosa Pyramid Song. E na sequência Karma Police com um coro de milhares de vozes...

... For a minute there, I lost myself, I lost myself... (... por um minuto, eu me perdi...)

Mas a minha parte predileta é outra e anterior...

... This is what you get, when you mess with us... (... Isto é o que você ganha quando mexe com a gente...)

E o meu delírio era completo. Abraçado aos amigos, bebendo e me regozijando como se estivesse na presença de algo sagrado. Não sagrado de um modo obtuso, mas sim como uma celebração por simplesmente existir.

E fazendo jus ao nome In Rainbows, o jogo de luzes era qualquer coisa de sublime. Um caleidoscópio que hipnotizava de uma maneira bela e assustadora. Era tão perfeito que tinha que haver algo errado com aquilo.

Nude, Weird Fishes/Arpeggi, a terrível simetria de The Gloaming, a bela e surpreendente Talk Show Host e a volta ao caos com a poderosa Optimistic...

... If you try the best you can. The best you can is good enough ... (... Se você tentar fazer o melhor que pode. O melhor que você pode fazer é bom o bastante...)

Tranquilidade com Faust Arp. Uma versão ao vivo ainda mais vibrante para Jigsaw Falling Into Place.

Idioteque = catarse

Show de rock, rave, culto, matadouro... tudo era estranho... dançante... bizarro... irresistível... inexplicável...

... This is really happening, happening... (... Isto está realmente acontecendo, acontecendo...)

Mais Ok Computer com a dobradinha de Climbing Up the Walls e Exit Music (For a Film). Na primeira me faltou voz para acompanhar a linda letra, mas o senhor Yorke tinha de sobra. Já na segunda o seu começo praticamente sussurrado, quase à capela, com uma guitarra baixíssima, foi quase estragado por alguns desavisados que achavam que bater palmas numa música silenciosa é algo legal. Uma bronca e tudo volta aos eixos...

... We hope that you choke, that you choke... (... Nós esperamos que você sufoque, que você sufoque...).

Bodysnatchers fecha com violência o setlist normal e o bis se agiganta.

Começa Videotape. Belíssima. E então Paranoid Android. A música que me fez gostar daquela banda esquisita. Um clip que me fez sonhar com drogas que não se compram. Uma letra que me encontrou...

... I may be paranoid, but not an android... (... Eu posso ser paranóico, mas não sou um andróide...)

Faltou chover, faltou o pânico, faltou o vômito, mas Deus realmente ama seus filhos e de maneira incondicional. Um agnóstico como eu no Paraíso.

A seguir Fake Plastic Trees e aquele crescente espetacular. Os turistas agradeceram. Lembraram do Carlinhos. Mas não de ajudar a AACD.

O suspiro inicial de Lucky e o mais belo refrão de uma banda que não costuma utilizá-los...

... Pull me out of the aircrash, Pull me out of the lake, Cause I'm your superhero, we are standing on the edge... (... Me tire do acidente aéreo, Me tire do lago, Porque eu sou seu super-herói, Nós permanecemos no limite ...).

Reckoner fecha o segundo bis e eu não sei mais se quero que o show termine ou continue. O medo de não sobreviver àquilo é tão grande quanto o desejo de olhar diretamente em direção ao sol.

House of Cards e You & Whose Army me acalmam, mas as luzes continuam lá. Todo o maldito arco-irís. Todo o espectro de cores reunido num lugar só. Toda a vontade de que aqueles instantes sejam um loop contínuo. Uma roda que gira e nos leva quando nos traz.

Quando as cores diminuem, minha sanidade quase se vai por completo... Thom Yorke insinua os primeiros versos de True Love Waits...

... I'll drown my beliefs. To have your babies. I'll dress like your niece. To wash your swollen feet... (... Eu afogarei minhas crenças. Para ter seus filhos. Eu me vestirei como sua sobrinha. Para lavar seus pés inchados... )

Os olhos se enchem... o vocalista pára... e eles emendam Everything In Its Right Place. Um encerramento magistral que me salva de mim mesmo.

Acaba o segundo bis e falta alguma coisa. A banda retorna. Yorke brinca sobre qual será a próxima canção. O lugar explode ao som de Creep. Casais sinistros se beijam...

... But I'm a creep, I'm a weirdo... (... Mas eu sou nojento, Eu sou um esquisito...)

... e cada uma das pessoas se perguntam de maneira retórica...

... What the hell am I doing here? I don't belong here. I don't belong me... (... Mas o que diabos estou fazendo aqui? Eu não pertenço a este lugar. Eu não pertenço a mim mesmo...)

O espetáculo acaba. Pouca coisa realmente importa depois disso. O êxtase permanece. E a loucura. E os flashbacks. Por vários motivos...

... amores perdidos, amigos amados, drogas quaisquer, prazeres fugazes...

Eu gostaria que chovesse agora em cima de mim...

RICARDO MALTA BARBEIRA - 8:12 PM
Não enche!

 
Radiohead em São Paulo.

Foi o show para acabar com todos os shows.

Ainda faltam palavras.

Talvez amanhã eu as tenha.

 

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"i'm paranoid, but i'm not an android"